Krisiun: Entrevista exclusiva com o guitarrista Moyses Kolesne

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Por Rafael Carnovale
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Alex Camargo (Baixo/Vocais), Moyses Kolesne (Guitarras) e Max Kolesne (Bateria) formam um dos trios mais pesados do heavy metal nacional. Desde o início dos anos 90 na ativa, o Krisiun passou de uma banda pesada para um dos nomes mais conceituados mundialmente em se tratando de metal extremo. Turnês por todo o mundo, participação em festivais e fortes CDs consolidaram a banda, que recentemente lançou o MCD "Bloodshed", com novos temas mesclados às músicas da demo "Ummerciful Order" de 1993. Aproveitando que a banda tocará dia 19/03 com Kreator, Tristania e Torture Squad em São Paulo, conversamos com Moyses, que falou sobre o passado e presente do Krisiun, e ainda emitiu opiniões sobre o metal em geral.

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WHIPLASH! - "Bloodshed" foi inicialmente apontado como um MCD, mas ao ouví-lo percebemos que é um grande presente aos fãs, já que a banda gravou novos temas mesclados as músicas da demo "Ummerciful Order". Como se deu a idéia de re-gravar essas músicas e como a banda vê a presença das mesmas, registradas em 1993, para o Krisiun de 2004, 11 anos depois?

MOYSES / As músicas do "Unmerciful Order" não foram re-gravadas. São as versões originais gravadas originalmente em 1993. A idéia de lançar este mini-cd já vem de muito tempo. Como chegamos a um determinado momento que precisávamos lançar algo diferente de um álbum normal, decidimos junto à gravadora lançar o EP junto a cinco novas músicas. O Krisiun sempre foi o mesmo, talvez tenha evoluido musicalmente e nas produções, mas o espírito da banda está intacto e a prova disto é o que você falou: onze após o "Ummerciful Order" a gente continua trilhando o caminho do mais extremo metal. Poderiamos já ter nos vendido mas isto não é parte de nossa personalidade.

WHIPLASH! - Vocês acabaram de retornar da "Clash of Demigods Tour", aonde eram os "headliners". Como foram os shows da turnê, e existe algum momento que vocês gostariam de destacar dessa turnê?

MOYSES / Todos os momentos foram bons, mas os shows de Londres, Madrid e Paris foram realmente muito bons pois ambos foram "sold-out".

WHIPLASH! - "Works of Carnage" foi um típico CD do Krisiun, que repercutiu muito bem entre os fãs, tanto no Brasil como no exterior. Foi um retorno da banda ao metal extremo e agressivo. Vocês acham que este trabalho e sua repercussão teve alguma influência na composição dos novos temas de "Bloodshed"?

MOYSES / Não entendi a sua pergunta. O Krisiun nunca abandonou o metal extremo. Talvez o "Ageless Venomous" seja a fonte dessa afirmação, pois teve uma produção limpa, mas as músicas são tão brutais quanto qualquer album que já lançamos. O "Bloodshed" foi feito como os outros albuns, muitas "jams" e "marijana".

WHIPLASH! - "Ageless Venomous" foi um álbum taxado por alguns como experimental, por usar sons mais cadenciados. O que vocês pretendiam com essa mudança, embora a sonoridade da banda fosse percebida em vários momentos?

MOYSES / "Ageless Venomous" é um álbum como qualquer outro. Só queriamos mudar a sonoridade um pouco pois tinha muita banda nos copiando nas produções, músicas, visual, etc... o mesmo é um album mais técnico e soou um pouco diferente aos ouvidos daqueles que só entendem as coisas mais óbvias.


WHIPLASH! - "Bloodshed" traz vários temas mais cadenciados, com mais "groove" e mais trabalho nas guitarras, como "Slain Fate" e "Visions Beyond". Esta é uma tendência que a banda pretende seguir?

MOYSES / Não existe nenhuma tendência. As músicas soam de uma forma natural. Nunca pensamos "vamos fazer algo cadenciado ou qualquer coisa", apenas seguimos a inspiração do momento. A expressão musical é muito grande para se limitar a clichês ou coisas óbvias.

WHIPLASH! - Nos primeiros álbuns, chegou-se a especular que o Krisiun usava bateria eletrônica, tal a velocidade da mesma. Como a banda reagiu a essas críticas.

MOYSES / O Max tem muita influência de bateristas brutais como Dave Lombardo, Pete Sandoval, Gene Hoglam, mas também muito rock na veia, pois ele sempre ouviu muito AC/DC, Black Sabbath, etc... e desenvolveu uma técnica muito apurada que realmente revolucionou o metal extremo em todo mundo.

WHIPLASH! - A instrumental "Outro/MMIY" é no mínimo bem curiosa, lembrando um pouco os experimentalismos do Voivod em "Nothing Face". Eu a considero uma boa "intro" para os shows. Há planos para tal?

MOYSES / Sinceramente, não. Mas quem sabe pode vir a acontecer, é uma boa idéia.

WHIPLASH! - Agora eu gostaria que vocês falassem um pouco sobre o fato de muitos considerarem a banda como black metal ou death metal. É frequente que os dois sub-estilos do metal sejam atribuídos a uma mesma banda. Para vocês, o que é tocar black metal ou death metal? Envolve toda a crítica ao cristianismo ou é apenas um contexto musical? E como o Krisiun se encaixaria nisso. Pessoalmente considero o Krisiun uma banda de Death Metal, que fala de temas variados, ligados desde a histórias até mesmo a fatos reais.

MOYSES / Como falei antes não ligamos para rótulos, mas quando nos perguntam sei que nos situamos mais no terreno do death metal apesar de ter muita banda de merda que se diz death metal somente para ser parte de um movimento. O Krisiun é ele por ele próprio, nós sobrevivemos por sermos nós mesmos, nunca copiamos ninguém, temos nossas influencias de muitas bandas, respeitamos também muitas bandas pelo o que fizeram e não por ser death, black, heavy, thrash. O rótulo é somente um segmento e não uma expresão em si. Os mais limitados sempre se sentem fortes quando são partes de movimentos. O que importa é a música sincera, pois o rótulo pode virar moda também.

WHIPLASH! - Agora uma perguntinha sacana.... o que vocês acham de bandas que investem no lado mais melódico do metal, como Heloween, Rhapsody ou Stratovarius. Ao mesmo tempo, como é para vocês considerar que quem ouve tais bandas ouve também os nomes mais clássicos como Iron Maiden e Judas Priest?

MOYSES / Cada um faz o que quer. Nunca curti muito estes estilos melódicos, mas com certeza gosto muito do Judas e do trabalho antigo do Iron Maiden.


WHIPLASH! - O DVD ao vivo que vocês gravaram em SP acabou não sendo lançado por problemas com o selo Gun Records. Eu sei que a banda pretende lançar um DVD ao vivo em 2005. Já existe algo definido sobre o mesmo? Como seria o formato?

MOYSES / O DVD agora já esta pronto e deve sair em breve.

WHIPLASH! - Olhando desde o início dos anos 90, até os dias de hoje, o Krisiun cresceu muito. De banda de abertura para nomes consagrados hoje vocês são "headliners" em algumas turnês, e têm presenças garantidas em vários festivais de metal, como o Wacken. O que mudou no cenário, e o que você acha que a banda pode absorver de toda essa evolução?

MOYSES / Com certeza aprendemos muito nestes quase 15 anos. O que mudou mais foi a "infra", mas continuamos tendo a mesma visão que tínhamos no passado. O cenário no mundo do metal muda muito de ano para ano, as modas mudam, mas as bandas verdadeiras sobrevivem pois vivem pela e para a música não para as modas ou "hypes" falsos.

WHIPLASH! - Vocês estarão tocando com o Kreator em SP, num mini-festival que contará com o Tristania e Torture Squad. Como se deu esse convite e quais são as expectativas para o show?

MOYSES / O convite foi da produtora que estava a fim de fazer um festival em sampa e queria bandas de estilos diferentes. Sendo assim nos sondaram e conseguimos chegar a um acordo. Esperamos que o show seja uma devastação total.

WHIPLASH! - Galera, obrigado pela entrevista e esse espaço é de vocês para deixarem uma mensagem para os visitantes do site WHIPLASH!.

MOYSES / Muito obrigado a todos que têm nos apoiado e levado adiante a bandeira do verdadeiro metal!




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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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