Nightwish - Entrevista quando da passagem da banda pelo Brasil

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Por Raphael Crespo

A banda finlandesa Nightwish já havia alcançado status de top de linha no cenário mundial do heavy metal, mas ainda faltava conquistar o mundo fora do gueto do som pesado. Não falta mais. Impulsionado pelo hit Nemo, o grupo obteve a aprovação unânime de crítica e público com o lançamento, este ano, de Once. No auge da carreira, a banda veio para sua terceira passagem pelo Brasil, com shows em São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e no Rio de Janeiro.

''Acho que existem três pontos principais para nosso sucesso atual. Em primeiro está o fato de termos feito o melhor álbum de nossa carreira. Tivemos uma música como Nemo, que tem um ótimo potencial para rádio e videoclipe e, apesar de estar bem no estilo do Nightwish, é fácil e com potencial para virar hit. Em segundo está a troca para a gravadora Nuclear Blast, que tem uma estrutura muito boa, principalmente para promoção. A terceira razão é o momento favorável para as bandas de heavy metal com vocais femininos, como Evanescence e Within Temptation'', afirmou o tecladista Tuomas Holopainen, líder e principal compositor da banda, em entrevista exclusiva ao JB Online, por telefone, direto de Buenos Aires.

Criado em 1996, o Nightwish conta em sua formação, além de Tuomas, com a bela Tarja Turunen (vocal), Marco Hietala (baixo/vocal), Erno Vuorinen (guitarra) e Jukka Nevalainen (bateria). Quando os iniciantes do Evanescence lançaram, em 2003, o multi-platinado Fallen, misturando o lirismo do vocal feminino com guitarras pesadas, os finlandeses já eram grandes entre os fãs de música pesada. Ironicamente, no entanto, o sucesso de seu novo álbum acabou vindo um pouco na carona do fenômeno americano, por causa de algumas similaridades nos estilos das duas bandas.

''De uma certa forma eu entendo a comparação, principalmente para as pessoas que não estão muito por dentro da cena do heavy metal, pois as duas músicas têm elementos similares, como música pesada, os vocais femininos, muitos teclados. Mas se você ouvir com cuidado vai perceber que somos duas bandas completamente diferentes, com raízes e identidades diferentes. Eu até gosto do Evanescence, mas não acredito, de forma alguma que estejamos fazendo a mesma coisa. Além disso, nós podemos sempre falar que estamos há anos fazendo isso, enquanto eles estão apenas em seu primeiro álbum'', disse o tecladista.

A qualidade de Once se reflete nas vendas. O álbum, levou o Nightwish a ultrapassar barreiras antes inimagináveis, chegando ao topo da parada européia da Billboard, com disco de ouro e platina em vários países da Europa, como Alemanha, Grécia e a própria Finlândia.

''Eu esperava muito do álbum e acabei recebendo muito mais. Aconteceu exatamente a mesma coisa com todos os álbuns que já lançamos. Para o Once eu estava esperando disco de ouro em pelo menos um país além da Finlândia, coisa que nunca havíamos conseguido, mas a coisa fugiu completamente do controle. Tivemos um retorno incrível. Eu, definitivamente, não esperava algo assim'', contou Tuomas.

Com o novo álbum, o Nightwish entra com tudo no mercado norte-americano, fortalece ainda mais seu nome na América do Sul e começa a conquistar de vez os japoneses, que, estranhamente, nunca deram muita bola para a banda. O tecladista revelou alguns detalhes sobre o desempenho do álbum fora da Europa:

''O Japão sempre foi um mercado muito difícil para nós. Praticamente todas as bandas de heavy metal da Finlândia são muito grandes por lá, com exceção do Nightwish. É um dilema, eu não sei o que acontece. Nunca tocamos lá. Mas desta vez até que estamos indo bem, o álbum já vendeu mais de 50 mil cópias, o que é três vezes mais do que o anterior. Nos EUA o álbum foi lançado lá há cerca de um mês e meio e eu ainda não tenho os números de vendagem, mas fizemos nossa primeira turnê por lá recentemente e tivemos vários shows com lotação esgotada. Certamente algo está acontecendo por lá para nós. Além disso, o álbum está vendendo bem na América do Sul. Ouvi algo sobre já ter passado de 30 mil cópias apenas no Brasil, o que é muito bom, e que Nemo está tocando muito nas rádios e na MTV brasileira'', contou Tuomas.

As músicas novas foram todas acompanhadas pela orquestra The Academy of St.Martins in the Field, cujos músicos gravaram a trilha sonora da trilogia ''O Senhor dos Anéis'', escrita por Howard Shore. De acordo com Tuomas, algumas faixas de Once, como Kuolema tekee Taiteilijan e Creek Mary's blood, por sua complexidade, não poderão nunca ser reproduzidas ao vivo. Pelo menos não enquanto a banda não conseguir fazer um show com uma orquestra em cima do palco. O tecladista revelou, no entanto, que há planos para um grandioso show.

''Acredito que músicas de Once nós nunca vamos poder tocar sem a orquestra. Para as músicas que estamos tocando, tivemos que fazer alguns arranjos especiais. Eu estou usando muito mais os teclados e o resto das coisas são bases pré-gravadas. Esta é a única maneira de fazer, pois não temos como estar trazendo a orquestra para o palco na turnê'', afirmou Tuomas, que revelou alguns planos para o futuro: ''Um show com uma orquestra está sendo planejado. Não há ainda uma data específica ou lugar que eu possa divulgar, mas pode ser façamos isso em outubro ou novembro de 2005, para a gravação de um álbum ao vivo e um DVD''.

O Nightwish tem uma relação de carinho e identificação com o Brasil. Tuomas cita em seu perfil, no website oficial da banda, que o show de julho de 2000, em São Paulo, foi o melhor de sua vida, enquanto a vocalista Tarja fala que as turnês sul-americanas, como um todo, são sempre as melhores.

''O povo da América do Sul carrega algo que é muito difícil de entender, porque nós, finlandeses, somos muito calmos, frios, algumas vezes até melancólicos. Quando visitamos o Brasil sempre nos deparamos com pessoas alegre, loucas, apaixonadas, com a emoção à flor da pele, o que é muito recompensador e lisonjeiro para nós. Tocar no Brasil é sempre o ponto alto de nossas turnês. É um lugar onde sempre nos divertimos muito'', disse Tuomas, que prometeu um show matador: ''Acho que estamos em uma ótima forma como banda e encontramos uma química melhor do que nunca, pois já fizemos bastante shows nessa turnê. Vamos subir no palco e procurar nos divertir bastante e dividir a energia com a platéia. Deveremos tocar cinco músicas no novo álbum, num show com cerca de uma hora e meia, ou uma hora e quarenta minutos''.

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