Gcorp: Tema sobre religião rende um ótimo trabalho

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Por Thiago Coutinho
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Rock e religião, por mais antagônico que pareça, sempre andaram de mãos dadas. E você pode pensar em qualquer estilo: do heavy tradicional às blasfêmias proferidas pelas bandas de black/death metal ou os júbilos dos grupos white, todos findam suas considerações em Deus.

Sem entrar no mérito da questão - se estão certos ou errados - o fato é que este assunto já rendeu ótimos trabalhos ao longo dos anos e arregimentou fãs ao redor do planeta. Trazendo à memória, posso me lembrar de ótimas músicas e/ou álbuns que tratam do assunto com galhardia: Bruce Dickinson na faixa Jerusalém e em outras dezenas do Iron Maiden, as afrontas nas letras e artes do Marduk ou as rogativas do poderoso Mortification, só para citar alguns.

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E para juntar-se ao citado panteão, um projeto engendrado inteiramente em território nacional - que contará com os dotes de uma série de músicos - vai trazer este assunto de volta às rodas de discussão. Trata-se do GCorp com o álbum The House That Jack Built, capitaneado pelo vocalista Luís Moraes. A premissa do álbum, a grosso modo, é questionar a onipresença de Deus entre os seres humanos e inquirir por que razão Este não intervém nas mazelas que assolam a humanidade. Intrincado, não? Ah, sim, o lado musical também não foi deixado de lado. Com exclusividade, a Whiplash teve acesso a duas faixas que farão parte do vindouro álbum - as ótimas "Have Enough" e "Trust". Veja no bate papo a seguir o que Luis tem a dizer a respeito do trabalho.

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WHIPLASH - Fale-nos a respeito da concepção do projeto The House That Jack Built. De onde surgiu a idéia?

LUIS MORAES / Bom, eu já tinha em mente fazer um projeto do gênero há anos, sempre gostei da idéia de duetos e músicos de diferentes estilos tocando juntos, até porque sou influenciado pelos mais variados estilos musicais. Porém, nunca havia sido possível concretizar tal idéia até abrir meu próprio estúdio, que me possibilita gastar o tempo que julgo necessário para produção de cada música.

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WHIPLASH - The House That Jack Built é um tanto audacioso, tanto em sua estrutura musical quanto lírica. A idéia básica - de forma resumida - é questionar a soberania de Deus sob a humanidade. Você poderia falar um pouco mais sobre isso?

LUIS MORAES / Acho muito interessante a idéia de possuirmos uma força soberana que muitos acreditam ter total controle em nossa existência, porém de certa forma, é irônico perceber com os atuais acontecimentos em nosso mundo, crer nessa força angelical, talvez essa força não exista e, se existir, é maquiavélica, egocêntrica ou apenas impotente.

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WHIPLASH - Certamente, a temática do álbum vai suscitar comentários díspares. Você teme que grupos religiosos possam distorcer a idéia básica das músicas? Como você pretende lidar com isso?

LUIS MORAES / Não temo nada, pois não estou impondo, estou apenas questionando e pedindo para as pessoas refletirem sobre uma coisa que mantém os mesmos conceitos há mais de 5 mil anos, os hebreus foram os primeiros povos monoteístas e nossos conceitos sobre Deus são basicamente iguais aos deles. Eu gostaria de ser respeitado por tais grupos, assim como eu os respeito. Se alguém tem que temer algo são eles, e não eu, pois como sugere o projeto, estes grupos são corporações e controlam o mundo de todas as formas possíveis, pregando o medo.

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WHIPLASH - O álbum questiona a onipresença de Deus, correto? Ele sabe dos males sofridos pela humanidade, contudo nada faz para ajudá-la. Mas a humanidade não possui o livre arbítrio? Quer dizer, o mal é criado pela humanidade e, sendo assim, ela própria pagaria por seus pecados. O que você pensa a esse respeito?

LUIS MORAES / Exatamente, o livre arbítrio é a explicação para culpar os homens pelos seus próprios pecados, assim podemos acreditar que Deus tenta de tudo para nos ajudar, mas nós não deixamos. Porém, se Ele é tão poderoso como todas as religiões cristãs pregão, por que simplesmente deixa tudo isso acontecer? No espiritismo, existe um livro chamado "Exilados de Capela" e na obra, uma estrela chamada Capela teve parte da sua população exilada do planeta Terra por Deus, e segundo o livro, foi esse povo que construiu as pirâmides egípcias. É interessante pensar nisso, pois se Deus realmente existe, Ele sabe que o livre arbítrio só nos prejudica, pois somos apenas animais egocêntricos e que precisamos de muito mais ajuda do que Ele está fornecendo, então, foda-se o livre arbítrio, pois este libera ações drásticas que estão nos destruindo e destruindo a casa que Ele mesmo criou. Ele quer provar algo? Talvez Ele não tenha tanto poder, ou simplesmente não existe?

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WHIPLASH - Deixando o lado conceitual, vamos falar sobre as músicas. Nas duas faixas disponíveis até o momento, "Have Enough" e "Trust", nota-se uma boa dose de peso, além de um bom acento melódico. O restante do álbum seguirá esta linha?

LUIS MORAES / A idéia é não seguir apenas uma linha, nessas duas músicas você pôde provar que são estilos diferentes, mas o restante do álbum é mais pesado e direto.

WHIPLASH - Você convidou diversos artistas de peso do cenário metálico brasileiro para participar do projeto: Tito Falaschi (irmão de Edu Falaschi, vocalista do Angra), Hugo Mariutti (guitarrista do Shaman), além de outros não tão conhecidos do grande público. Como foi trabalhar com esses músicos? Você deu-lhes liberdade para que contribuíssem nas composições ou eles apenas chegaram ao estúdio e tocaram o que você havia composto?

LUIS MORAES / Foi maravilhoso trabalhar com músicos excelentes como estes citados. Para falar a verdade, nas participações vocais não houve muito que mudar, pois eles gravaram em cima do que eu já havia composto, mas sem dúvida uma ou outra coisa foi colocada a mais pela própria interpretação das músicas. Agora, nos solos, as melodias são criadas pelos convidados.

WHIPLASH - Há grandes chances de músicos internacionais participarem do THTJB, correto? Você poderia adiantar algo a respeito? Serão músicos de renome ou artistas mais underground?

LUIS MORAES / Com certeza são músicos de renome, porém eu ainda não posso divulgar nada, já que ainda não acertamos. Também abrirei espaço para músicos do meio underground internacional que admiro Não me importo se o músico é conhecido ou não, o que me importa é se ele vai interpretar a música do modo que espero, por isso o cast é restrito para músicos com um potencial de interpretação grande. Mesmo no Brasil ainda existem muitas pessoas que vou convidar.

WHIPLASH - Suas influências vão de Bon Jovi a Iron Maiden, passando por artistas mais pops como Seal e Pink. As músicas do projeto deixarão transparecer todo esse ecletismo?

LUIS MORAES / Com certeza! Eu acho que o grande problema do heavy metal continuar underground no mundo é o preconceito dos músicos e fãs, se você coloca elementos mais pop nas músicas a galera torce o nariz, e se você faz musicas rápidas e fritadas, os fãs de metal gostam, porém o resto do público não, então eu acho que cheguei a um meio termo com essas músicas, pois é muito pesado melódico e tem, sim, elementos pop. Fiz músicas com sentimento e elas mostram minhas influências, isso é inevitável, então o fator da musicalidade ser tão diferenciada é sim que eu não tenho preconceitos e gosto de tudo que é feito com alma. Mas também acho que, de uns anos para cá, o público abriu muito mais a cabeça e hoje em dia sabe apreciar músicas de qualidade mesmo sem elementos clichês de heavy metal o tempo todo. Vejo até fãs criticando bandas que abusam desses elementos.

WHIPLASH - As bandas brasileiras nos últimos anos, sobretudo as de metal, alcançaram um profissionalismo impressionante. Hoje em dia, há ótimos estúdios no Brasil, shows bem produzidos, mas ainda há certa carência de produtores. Você concorda com isso? Qual sua opinião a esse respeito? Aliás, você mesmo ficará a cargo da produção do THTJB?

LUIS MORAES / Sim estou produzindo o disco, existem ótimos estúdios aqui no Brasil, porém produtores são realmente difíceis, pois é um mercado praticamente inexistente em termos financeiros aqui no Brasil. É só você ver o Maynard, que é um ótimo produtor, produziu muitos discos de ouro, ou o Tom Capone, que recentemente faleceu, que também era um ótimo produtor, sabe quanto custa contratá-los para fazer um disco? É impossível contratá-los para fazer um disco de metal, pois é improvável que a venda do disco vá cobrir o cachê deles e imagine só somar isso com o preço dos estúdios de ponta? Eles custam mais de R$200,00 por hora, que selo ou mesmo gravadora pode pagar isso? E se puder, já é mais fácil contratar um cara que vive produzindo metal, como é o caso do Angra com o Dennis Ward [N. do R.: guitarrista do Pink Cream 69], o Temple of Shadows foi um disco caro, então tinha que ser um investimento certeiro, não poderia experimentar contratando um cara que já ganhou discos de ouro, como os produtores que citei, porém, pela falta de mercado, nunca tiveram oportunidade de levantar um som de metal melódico. O Dennis não, ele vive disso, então era certeza que o disco ia ficar como eles queriam, assim como o Sascha [Paeth, produtor que já trabalhou com o Shaman] etc. Mas, para mim, Kevin Shirley e o Roy Z [N. do R.: Shirley produziu os últimos dois trabalhos de estúdio do Iron Maiden, e Roy Z é o produtor da carreira solo de Bruce Dickinson e já trabalhou com artistas do porte de Halford e Helloween] ainda são os melhores do ramo de produção de heavy metal. Ainda existe o fato da maioria das bandas brasileiras desconhecer a importância de um bom produtor na hora de gravar seu disco ou demo. A importância da direção e produção musical, para mim, é indispensável e o produtor é tão ou mais importante do que um membro da banda.

WHIPLASH - Luís, deixe aqui uma mensagem para as pessoas que estão aguardando o lançamento do álbum ou para aqueles que se interessem em acompanhar o projeto até o seu lançamento oficial.

LUIS MORAES / Quero primeiro agradecer a todos que estão me ajudando no disco e aos músicos envolvidos. Quero também pedir para que os interessados em sugestões ou em conversar comigo sobre a parte conceitual do projeto, entrem em contato pelo e-mail [email protected] Agradeço também a você e ao Whiplash.

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Sobre Thiago Coutinho

Formado em Jornalismo, 23 anos, fanático por Bruce Dickinson e seus comparsas no Maiden. O heavy metal surgiu na minha vida quando ouvi o vocalista da Donzela de Ferro em "Tears of the Dragon", em meados de 1994. Mas também aprecio a voz de pato bêbado do controverso Dave Mustaine, a simplicidade do Ramones, as melodias intrincadas do Helloween, a belíssima voz de Dio ou os gritos escabrosos de Rob Halford. A Whiplash apareceu em minha vida sem querer, acho que seus criadores são uns loucos amantes de rock e acredito que este seja o melhor site de rock do país, sem qualquer demagogia!

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