Paulo Barón: Exclusiva com o promotor e empresário

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Por Rafael Carnovale

A WHIPLASH! sempre se preocupou em mostrar a todos os seus usuários todos os aspectos que envolvem o rock e o heavy metal, seja pela resenha de cd’s, shows, matérias e qualquer outro trabalho que possa ser de utilidade. A realização de shows internacionais no Brasil começou por volta dos anos 70 e atualmente é quase um fato cotidiano, com shows marcados todos os meses, sejam grandes eventos ou shows de médio e pequeno porte, além do "underground", que propicia grandes momentos. Surgiu com isso a idéia de começarmos a entrevistar alguns promotores de shows, para que o público possa saber como se organiza uma turnê pelo Brasil, desde sua concepção, até a execução dos shows de fato. Aproveitando o Brasil Metal Union, em julho, conversamos com Paulo Barón, que comanda a TOPLINK, que já trouxe ao Brasil bandas como Nightwish, Saxon, Misfits e Grave Digger, além de ter-se unido recentemente a Heavy Melody para a realização do BMU 2004. Neste bate-papo alguns aspectos interessantes da promoção de eventos podem ser observados, gerando muita curiosidade. Acompanhe abaixo os detalhes:

Richard Navarro e Paulo Barón
Richard Navarro e Paulo Barón
WHIPLASH - Barón, você fundou a TOPLINK no México em 1998, certo?

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Paulo Barón / Não, fundei em 1989 na Inglaterra, aonde eu estudava cinema. Comecei a fazer algumas atividades relacionadas ao cinema que envolviam música. Encontrei um londrino que me propôs a idéia de fazer um show do Sepultura na Inglaterra. Como tinha uma namorada brasileira, aceitei a idéia. Nunca tinha trabalhado com isso, mas topei fazê-lo e quis me especializar em produção, estudando comércio musical para me preparar. Nesta sequência fizemos alguns shows, como Paralamas em Londres. Num destes shows conheci Brian May (Queen), que me apresentou a pessoas do meio. Nesta começamos a fazer shows no Marquee, casa lendária por já ter abrigado show dos Beatles e do The Who. Com esses shows, me firmei na Inglaterra. Mas me cansei de ficar por lá e acabei voltando para o México, aonde começamos as atividades da TOPLINK, como a gravadora e distribuidora de cd’s. Por um acaso tive um contato do Stratovarius e esse foi meu primeiro contato com o Metal. Fizemos shows pela América do Sul, e acabei indo para o Brasil. Já tinha uma experiência com shows e aqui estou.

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WHIPLASH - A TOPLINK passou por momentos complicados durante as crises econômicas que elevaram o preço do dólar e o custo dos shows. Como reagir a isso e continuar promovendo turnês pela América do Sul, com um custo bem maior, e que às vezes flutua mesmo durante a turnê?

Paulo Barón / Eu vou te colocar um exemplo. Quando fizemos o Nightwish em 2002, fechamos uma turnê completa por um valor "x", que seria retornado com 4000 pessoas. Quando a banda chegou, precisaria de 5500 pessoas para cobrir os custos. Apesar de shows cheios, apenas consegui cobrir os custos. O preço chegou a aumentar 50%. Na verdade gosto muito de fazer shows no Brasil, porque o ganho maior da TOPLINK é em outros países. Ganho lá para vir a perder aqui em outros casos. Não conseguiria fazer uma turnê sem incluir o Brasil, porque adoro o país, e pelo "status" que uma turnê brasileira traz para as bandas. Foi o caso do Moonspell, que me deu um bom prejuízo por aqui, mas cuja turnê não seria completa se não incluísse o Brasil. Nem sempre é um caso de dinheiro fazer os shows no Brasil.

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WHIPLASH - E vocês tiveram uma empreitada das mais ousadas em 2004, que foi trazer uma banda de metal extremo, o Dimmu Borgir. Apesar de um público reduzido, os shows foram muito bons. Você pretende continuar investindo em outras vertentes do metal?

Paulo Barón / Nós gostamos de fazer um show de qualidade. Não gosto quando um show apresenta uma produção fraca, ou carente em relação aos shows europeus. Ás vezes acontece, por motivos diversos, mas procuramos evitar ao máximo. No caso do Dimmu Borgir, apesar de ser uma banda extrema, já podemos considerá-los "mainstream", já que estão escalados para o OZZFEST e o sucesso deles é notório. Tinha curiosidade de trabalhar com uma banda desse naipe. Não foi uma má turnê, talvez o público tenha sido pequeno em algum show, mas eu quis provar que é possível fazer um show de metal extremo em casas de grande porte. E me senti realizado.

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WHIPLASH - Neste BMU vocês procuraram mesclar vários estilos e possibilitaram uma performance do MASSACRATION. Então vamos falar sobre o BMU. Como surgiu, a parceria entre você e o Richard Navarro, como vocês se juntaram, o que você sentiu ao participar deste festival?

Paulo Barón / Bom para mim foi um motivo de grande orgulho. Porque sempre gostei de mudanças, como mudar de país, mudar hábitos simples, sempre procurar mudar em vários sentidos. E nisso o André (Matos, Shaman) me procurou para empresariar sua nova banda, o Shaman. E sempre quis levar bandas brasileiras para outros países. E como estou fazendo shows por aqui, queria fazer parte da cena. E hoje, com isto tudo que fizemos, me sinto num novo patamar em minha vida profissional, tendo aparecido em DVD, CD..... mas o que mais me intriga é o futuro. Quando Richard me procurou, pensei "PUTZ, INTERESSANTE". Era algo que eu pensava, e o Richard é extremamente trabalhador, um legítimo brasileiro. E foi até engraçado ele se juntar a um mexicano para fazer o festival. Porque ele faria isso? Porque ele sentiu que poderíamos fazer algo marcante no futuro. Quando o hino nacional tocou no começo dos shows, a emoção foi forte demais. Eu e Richard nos abraçamos, e agradeci a ele por ser parte disto tudo. Não sei se respondi sua pergunta por concreto, mas este sentimento de participar disto, é forte.... é como criar um capítulo na história do Brasil. O Richard já o era, com o BMU, e hoje posso me considerar parte disso tudo.

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Richard Navarro e Paulo Barón no BMU
Richard Navarro e Paulo Barón no BMU
WHIPLASH - E o BMU permitiu que as bandas tocassem sem precisar se sentir como bandas de abertura de shows internacionais...

Paulo Barón / Sim.... e isto me ajuda muito. Porque quando for organizar shows internacionais, já terei um vasto conhecimento das bandas nacionais. Me sinto muito grato ao povo brasileiro pela acolhida, principalmente quando o Richard me chamou ao palco, coisa que não queria fazer, mas a acolhida foi tão calorosa que só tenho a agradecer. É muito legal participar deste festival.

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WHIPLASH - Durante muito tempo você empresariou o Shaman, na época de sua consolidação. Poderia inclusive ser escrito um livro sobre a história da ruptura do Angra e a formação do Shaman. Eu gostaria de saber porque você parou de empresariar a banda, e qual é a sua relação com eles, porque no DVD "RITUALIVE" constam agradecimentos a você...

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Paulo Barón / Eu me juntei ao Shaman e bolei um planejamento. Tínhamos uma amizade forte e ainda temos. Não estava lidando com caras novos, que me temeriam por ser o Paulo Barón da TOPLINK, e sim pessoas com um "background" muito forte. Somos muito amigos, e nos respeitamos profissional e pessoalmente. O planejamento de trabalho que fiz visava propiciar o Shaman um crescimento rápido e intenso, pois queria colocá-los num patamar digno da competência deles. Foi algo que envolveu muito sentimento e muito amor a música. Levei vários livros para o André, na época da composição das músicas do CD "Ritual" e conversávamos muito. E este planejamento ocorreu assim. Eles não acreditavam, mas aconteceu. Planejamos o DVD, e nem eles acreditavam que poderia ser bem sucedido. Sentamos um dia em Maceió e começamos a planejar tudo. Inicialmente eles não queriam, mas fui convencendo aos poucos o André e a banda que o projeto era viável. O André abraçou o projeto. Eu achava importante que a banda mostrasse quem era, sua cara, e principalmente que a alma do Angra ainda estava nestes caras, apesar da banda ser outra. Conseguimos, tudo deu certo, investimos muito dinheiro neste show. O show foi fantástico e valeu cada centavo do investimento. O DVD levou muito tempo para ficar pronto, porque queríamos o melhor, com os melhores profissionais. Ainda tenho com eles uma relação muito boa, e ainda temos acertos financeiros a fazer, do DVD inclusive. O que posso te dizer é que existe um trauma de minha parte. E vou explicar o porque.

Paulo Barón / Sempre quis fazer do Shaman um time, uma família, porque achava que esse foi a causa primordial da separação do Angra. E queria fazer um núcleo forte, aonde todos fossem profissionais no palco, e amigos fora dele. E acho que todo o sucesso ocorrido neste tempo foi oriundo deste clima. Eu investi muito no Shaman, tanto tempo como dinheiro. Eu coloquei toda a minha confiança neles, porque nunca assinamos um contrato de verdade. Eles receberam uma proposta, que me excluía, o que inicialmente foi recusado. Só que depois as coisas foram rolando, e a necessidade de dinheiro falou mais alto. Eu poderia oferecer um valor maior e ficar com a banda, mas me senti como se tivesse sido apunhalado no coração.

WHIPLASH - Você acredita que houve uma traição, que com isso acabou a magia que o unia ao Shaman?

Paulo Barón / Sim.... mas não falo em traição, porque eles sempre foram muito claros comigo com relação a isso. Este momento de ruptura foi o pior da carreira deles, segundo eles mesmos, o que foi dito até em entrevistas. Nem o lado profissional nem o lado pessoal foram atingidos, porque eles sabem o bom empresário que fui para eles, e eu sei que eles foram bons para mim. Sinto alguma tristeza, pois tínhamos uma forte amizade. E me dediquei de corpo e alma ao Shaman, tanto que parei de fazer shows internacionais nessa época. Mas voltei, trazendo o Misfits ao Brasil. E nos encontramos de novo depois, num momento muito emocionante. Não há mágoas entre nós. Existe nossa boa amizade, apesar do coração estar doendo. Mas tudo foi feito honestamente. Tanto que o André recomendou-me ao Richard para o BMU. E posso afirmar... as contas com o Shaman foram sempre muito claras, e limpas.

WHIPLASH - Fica uma impressão de que você ajudou o Shaman a alcançar o topo... e agora eles procuram manter-se sem você...

Paulo Barón / E o farão fácilmente, pois tem um grande "frontman". E um grande amigo, tanto que ele vai ser padrinho do meu filho. Mas ainda existe um sentimento forte entre eu e a banda. E não descarto, se um dia houver a possibilidade, de voltar a trabalhar com eles. E entendo porque eles precisavam do dinheiro deste novo empresariado. Quando voltamos de uma turnê pela Europa, com catorze shows, estávamos com um orçamento muito fraco e um tanto desgastados, o que ocorre pela convivência quase diária. Tivemos alguns momentos de "stress", e a falta de dinheiro acabou sendo determinante. Tenho certeza de que o músico nessa hora sofre mais que o promotor, porque logo após eu estava empresariando o Avalanch, com uma turnê extensa. Já no caso deles era mais complicado. Desejo tudo de bom para eles, de coração, amo esses caras e eles merecem tudo de bom. É bom falarmos sobre isso porque podemos com esta entrevista dar fim a vários boatos que rondavam meu rompimento com o Shaman.

WHIPLASH - Meu primeiro contato com a TOPLINK foi no show do Nightwish em 2002, mas você já tinha feito vários shows. Eu gostaria que você citasse algumas turnês, que você considerou especial, e que marcaram sua carreira.

Paulo Barón / Tem vários shows. Faço shows há 15 anos. Alguns foram muito importantes, como o Paralamas no Marquee, pelo que representou para eles, e para mim. Eu tinha 19 anos e já estava mexendo com uma banda grande por aqui. E era um mexicano na Inglaterra!! (Risos). Outro que foi importante foi o "Voices of Classic Rock", que trouxe vários vocalistas consagrados a América do Sul. Sou um amante do rock anos 80. E ver Joe Lynn Turner, Jimi Jameson e vários caras que admirei ao vivo foi fantástico. Outro show que me marcou foi o Manu Chao, porque fiz o show com eles para 7 mil pessoas. Depois deste show, fizemos um show numa casa de culto para 4 mil pessoas em dois dias. Foram grandes momentos porque o show teve sua arrecadação para fundos humanitários, que me deixou muito satisfeito.

Paulo Barón / Falando sobre os shows no Brasil, o Shaman no Credicard Hall, o show do Kreator e Destruction em São Paulo, que acabou sendo registrado em DVD. Muitos me diziam que não daria certo. Você citou o Misfits. Já fizemos mais de 30 shows juntos, e acho muito marcante porque temos nesta banda o Marky Ramone, que pode ser no futuro o único Ramone vivo, Joey e Dee Dee já faleceram e Johnny combate um câncer na próstata (Nota do Editor: a entrevista foi realizada antes da morte de Johnny). Shows que me marcaram também foram o Grave Digger, e o Saxon, porque os caras são gente fantástica, como pessoas e músicos.

Paulo Barón / Um outro momento marcante para mim foi um show do Shaman em Porto Alegre, no dia do meu aniversário. André me chamou ao palco e fui homenageado por todos, com forte respeito pelo público.

WHIPLASH - E quais seriam os planos futuros da TOPLINK para 2004/2005?

Paulo Barón / Estaremos trazendo o SAXON e o GRAVE DIGGER em SP. Faremos o EXODUS em São Paulo num festival especial, um belíssimo festival. Mas o resto não posso falar, por motivos profissionais!! (RISOS)

WHIPLASH - Barón, obrigado pela entrevista e por tudo que foi o BMU 2004, e eu queria que você deixasse uma mensagem para todos os fãs, músicos e usuários que acessam a WHIPLASH! e estão tendo a oportunidade de te conhecer mais diretamente.

Paulo Barón / É muito boa essa iniciativa de vocês da WHIPLASH! para o pessoal poder prestigiar os shows, entendendo um pouco do que fazemos. Eu acho que todos temos que acreditar que podemos realizar nossos objetivos, como fizemos com o Brasil Metal Union. Precisamos incentivar as bandas, e esse festival foi decisivo para tal. Para as bandas acho que deve-se acreditar no trabalho, nos shows, mesmo tendo que por dinheiro, investir nos ensaios. E gostaria de falar ao público para que não deixem de assistir os shows, porque a falta de audiência faz com que os promotores percam dinheiro. E isso dificulta a concretização de shows no país, porque por exemplo, deixar de ir a um show não é como não ir ao cinema, que tem várias vezes. E vamos apoiar as bandas brasileiras, porque existem muitos angras, shamans e sepulturas por aí, trabalhando duro.

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