Thalion: Exclusiva com a polêmica revelação do metal nacional

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Por Rafael Carnovale

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A cada momento um novo nome surge no cenário heavy metal, seja nacional ou internacional. A vontade de expressar seus sentimentos e música ou até mesmo de musicar histórias vem fazendo com que bandas e mais bandas apareçam a cada momento. Algumas se destacam, outras nem tanto. Mas não se pode deixar de comentar sobre o rebuliço causado pelo quinteto paulista Thalion. Contratado pela Hellion Records, a banda, que surgiu em 2002 por inciativa do guitarrista Rodrigo Vinhas, acabou se tornando um dos carros-chefe da gravadora no ano de 2004, com uma divulgação intensa de seu primeiro cd, recheado de participações especiais de nomes consagrados no metal internacional. Nada disso seria lógico se a banda não tivesse potencial, mas que chamou atenção chamou. Para comentar sobre todos os detalhes que rondam a história do Thalion, fizemos uma ampla entrevista com a banda, que mostrou maturidade, personalidade, e acima de tudo muita convicção do que querem, principalmente tratando de assuntos mais "polêmicos". Completam a formação a vocalista Alexandra Liambos, o baixista David Shalom, o guitarrista Fábio Russo e o batera Giancarlo Scairato.

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Whiplash! - Vamos começar falando de como vocês se juntaram e da origem do nome Thalion.

Alexandra Liambos / Bom, o Thalion já existia antes mesmo dessa formação se estabilizar, com o David e o Rodrigo. O primeiro a se juntar ao Thalion foi o Fabio Russo, que entrou através de indicações de amigos, e o mesmo aconteceu comigo seis meses depois. Já o Giancarlo era conhecido do Fabio da faculdade de música, e em meados de 2002 a formação já estava estabilizada. O nome Thalion significa força.

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Whiplash! - A banda foi contratada pela Hellion Records e logo tornou-se uma de suas prioridades, com anúncios durante meses em contra-capas de revistas e banners em sites, mas sem ter uma demo ou MCD lançado. Como se deu esse contato com a Hellion e na opinião da banda, o que motivou o selo a contratar uma banda sem sequer ter uma demo no curriculum?

Rodrigo Vinhas / Em meados de 2002 gravamos uma pré produção e disponibilizamos duas músicas em nosso site e foi através desse material que a Hellion Records nos contratou. Estamos muito felizes por estar entre os principais lançamentos da gravadora e acredito que eles nos escolheram porque acreditaram no nosso potencial e no projeto em si. Segundo a presidência da gravadora os investimentos em produção e divulgação não foram em vão e os resultados tem sido muito bons, tanto pra eles quanto pra nós, as vendas estão superando as expectativas de ambas as partes e já existe previsão de lançamento do nosso álbum por grandes companhias para o mercado japonês, alguns países da Europa além da América do Sul.

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Whiplash! - Vocês não ficaram receosos de que tanta exposição na mídia pudesse acarretar numa forte pressão quanto ao primeiro cd?

Rodrigo Vinhas / Acreditamos muito no trabalho da nossa gravadora e, se eles julgaram melhor fazer esse tipo de publicidade para o nosso álbum, confiamos que isso seja o melhor pra gente. Os resultados estão aí, o disco está vendendo muito bem, a primeira prensagem do nosso disco foi uma das maiores da gravadora sendo superior a primeira prensagem do projeto Aina e do novo álbum do After Forever por exemplo. Acredito que a segunda prensagem do álbum já esteja na fábrica. Tudo foi cuidadosamente planejado desde que assinamos o contrato com a Hellion e, nem nós nem a gravadora queríamos lançar apenas mais um álbum no mercado, quisemos fazer algo que realmente fizesse diferença e acredito que chegamos ao nosso objetivo. A pressão existe por causa dessa exposição, mas estamos prontos pra atender as expectativas das pessoas nos apresentando ao vivo.

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Alexandra Liambos / Sim, e essa pressão nos estimulou ainda mais para que pudéssemos lançar um trabalho de muita qualidade e que as pessoas realmente gostassem.

Whiplash! - "Another Sun" é um cd conceitual, falando sobre vida, medos, atitudes e reflexão. Falem sobre o conceito e a história em si. Como foi o processo de "musicar" esta história tão complexa?

Rodrigo Vinhas / Eu já tinha o conceito da história antes de começar a escrever as músicas, então fiz um mapeamento da história e dividi em dez capítulos e depois em dez músicas. Foi um pouco difícil criar o clima certo pra cada parte da história, o processo foi um pouco demorado também e trabalhamos muito nos arranjos das músicas nos ensaios, mas no final, todos ficaram contentes com os resultados, tanto nós como o produtor e a gravadora.

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Whiplash! - Ao ouvir "Follow the Way", nota-se que a banda tem fortes influências do power germânico, mas ao mesmo tempo incorpora elementos do metal mais tradicional. Como vocês fizeram para mesclar estes sub-estilos do metal?

Rodrigo Vinhas / Na verdade não pensamos dessa maneira. Compomos livremente, sem nos preocupar se o estilo é "X" ou "Y", mas é claro que procuramos fazer algo coerente, mas que principalmente agrade nosso gosto pessoal e apresente variedade.

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Whiplash! - A produção ficou excelente. Como foi trabalhar com o já conhecido Philip Colodetti? E como foi desenvolvido o conceito da capa do cd?

Rodrigo Vinhas / Foi muito bom trabalhar com o Philip, eu co-produzi o disco com ele e pude acompanhar todo o processo, até a masterização final. Posso dizer que o Philip é uma pessoa muito profissional e pronta pra apresentar soluções para todos os problemas que possam surgir. Eu desenvolvi o conceito da capa junto com a Isabel de Amorim. Mandei a idéia inicial pra ela, que acrescentou mais alguns elementos no cenário, e aos poucos foi colocando o seu toque pessoal, até que chegássemos a esse resultado, que tem sido muito elogiado, tanto pela mídia quanto pelo público.

Whiplash! - Já "Show me The Answers" e "Wait for Tomorrow" trazem a tona alguns toques de progressive-metal, de bandas como Dream Theater. Como isso soa para vocês e aproveitando, vocês não acham que o estilo anda um tanto quanto desgastado, visto que o próprio Dream Theater fez um cd mais voltado para a agressividade?

Rodrigo Vinhas / Como eu disse anteriormente, não ficamos preocupados com rótulos ou estilos. O Dream Theater é uma grande referencia pra todos da banda. O fato do Dream Theater estar soando mais agressivo é uma tendência atual, pois a maioria das bandas que trabalham com muitas melodias estão acrescentado mais peso as suas músicas, em contrapartida bandas mais pesadas como Soilwork ou Children of Bodom estão acrescentando mais melodias as suas composições. Acredito que o heavy metal atual está ganhando mais força como unidade com essa mistura de sub-estilos. Não acho que o metal progressivo esteja desgastado, visto que o estilo tem poucas bandas realmente representativas como o Dream Theater ou o Pain of Salvation.


Whiplash! - Alexandra, você mostrou neste cd um bom potencial, embora eu particularmente ache que você meio que se perdeu tentando incorporar diversos estilos vocais, desde o lírico até o mais agressivo. O que você poderia dizer sobre isso e o que você vem fazendo para desenvolver sua voz, visto que toda vocalista de metal no Brasil acaba, mesmo que não tenha nada a ver, sendo comparada a Tarja do Nightwish?

Alexandra Liambos / Eu acho que a versatilidade é muito importante para que o disco pudesse ficar bem diversificado, mas, ao mesmo tempo, coeso. Pude cantar músicas muito diferentes uma das outras, até porque nossas influências são muito variadas. Não procurei seguir nenhum estilo específico, apenas tentei passar o que cada música exigia, com a minha própria personalidade. Tenho uma formação lírica que faz com que as pessoas pensem que a minha grande influência seja a Tarja, mas acredito que ao ouvir o cd elas possam enxergar essa grande diferença. Continuo estudando bastante e procuro evoluir cada vez mais.

Whiplash! - Seu vocal me lembrou Floor Jansen e Doro Pesch. Seriam estas cantoras influências para você?

Alexandra Liambos / Nunca escutei muito After Forever, embora ache que ela seja uma grande vocalista. Adoro a voz dela, mas acho que a Doro Pesch pode ser considerada realmente uma influência, pois sempre gostei dela, mesmo no Warlock. Tanto na voz quanto no estilo acho que nós temos grandes semelhanças.

Whiplash! - A banda apresenta um excelente trabalho instrumental, principalmente nas guitarras de Rodrigo Vinhas e de Fábio Russo. Como vocês administram essa tarefa de transitar entre o prog (como ocorre em "Solitary World") e o som mais pesado. E os solos, como são compostos?

Fabio Russo / Essa mescla entre prog e o som mais pesado se deve ao nosso gosto pessoal, que é bem diversificado. Eu cresci ouvindo bandas mais pesadas, como por exemplo, o Metallica. Então na hora de compor uma música ou algum riff, vou mais para esse lado. Sobre os solos, não temos uma fórmula para fazê-los. Praticamente todos surgiram de improvisos, e conforme vamos ensaiando, os solos vão pegando uma unidade mais definida.

Whiplash! - Já a boa "The Journey" traz uma forte pegada heavy aliada ao prog, com um trabalho primoroso no baixo. Eu gostaria que David comentasse a faixa e falasse sobre como ele encaixa suas linhas no trabalho de guitarras.

David Shalom / Puxa, muito obrigado. Gosto muito dessa musica, ela é uma das minhas favoritas, talvez pelo fato de ter um baixo tao poderoso e marcante. Quanto à construção das musicas, temos como principal aliado o computador. O Fabio, no caso da Journey, mandou as linhas de guitarra e a marcação da bateria, tudo em midi. Eu tiro a harmonia e começo a brincar em cima...as idéias vão aparecendo. O fim desse processo, e com certeza o mais importante são os ensaios que eu faço com o Gian, já que bateria e baixo são e devem ser muito colados.

Whiplash! - Há alguns flertes com o Hard Rock aqui e acolá espalhados pelo cd, mas de maneira bem dispersa. Vocês são fãs do estilo?

Fabio Russo / Nós gostamos de diversos estilos de música dentro e fora do rock. E um deles é o Hard Rock. No meu caso, admiro Van Halen, Whitesnake, Mr. Big, Poison, etc. Sempre é bom ouvir outros tipos de música, e com isso podemos incorporar alguns elementos desses estilos em nossas músicas.

Whiplash! - Vocês convidaram o já consagrado Michael Kiske para um dueto com Alexandra na faixa "The Encounter", que por sinal se encaixou muito bem ao estilo que Kiske vem fazendo atualmente. Apesar do bom resultado, não teria sido muito mais interessante convidar um cantor brasileiro, visto que André Matos está participando numa faixa bônus que sairá na versão japonesa? Por sinal, porque não incluir esta faixa no cd nacional? Não soou mais como uma boa jogada de marketing convidar Kiske para atrair público, visto que a notícia foi espalhada até em sites estrangeiros, como a Hardradio?

Rodrigo Vinhas / Não acho que seria muito mais interessante chamar um cantor brasileiro ou italiano ou francês, ou seja lá de onde for, pois a nacionalidade das pessoas é o que menos importa quando pensamos em convidar alguém pra participar do nosso álbum. No caso dessa faixa em especial, quando eu escrevi as linhas que seriam cantadas por um vocalista convidado, logo pensei na voz do Kiske, que na minha opinião tem um timbre muito bonito e o modo o qual ele interpretou a canção me deixou sem palavras e era exatamente o que eu precisava para o personagem que ele interpreta na história. Além disso, ele é uma grande influência pra mim como compositor, que foi o que mais me motivou a convida-lo. Sobre o André, a intenção inicial era que ele participasse da versão normal do álbum, porém tivemos um problema de incompatibilidade de agendas, visto que na época das gravações do nosso álbum, ele estava viajando muito com a turnê do Shaman e não pôde gravar suas partes. Como o lançamento no Japão vai acontecer apenas em setembro, ele terá tempo pra gravar, estou muito contente de ter os meus dois vocalistas favoritos logo no nosso álbum de estréia. Se isso soou como uma jogada de marketing, eu não posso dizer, pois o marketing do álbum é feito pela gravadora, pois a intenção deles é vender o álbum, mas acreditamos que eles trabalhem da melhor forma possível. Acredito que participações desse tipo apenas enriquecem e dão mais variação ao trabalho como um todo. Por exemplo, o Shaman em seu DVD ao vivo contou com Tobias Sammet, Michael Weikath, Andi Deris e Sascha Paeth. O novo álbum do Angra virá com as participações de Hansi Kürsch, Kai Hansen, Floor Jansen e Milton Nascimento, então acho que isso é uma coisa normal, acredito que tanto o Angra como o Shaman fizeram isso pela musicalidade e não para vender mais discos, assim como foi o nosso caso, o fato de como a gravadora e a mídia divulgam isso, não tem nada a ver com os músicos.Já sobre a divulgação em sites estrangeiros acredito que seja pelo fato do Michael Kiske ser muito reconhecido, ter muitos fãs e as pessoas se interessassem por todos os projetos que envolvem seu nome.

Whiplash! - Vocês foram a banda de abertura para o Shaman em uma data e para o Primal Fear em algumas datas da perna sul-americana da turnê. Como foi esta experiência e a reação do público?


Rodrigo Vinhas / A experiência foi maravilhosa e ficamos surpresos com o numero de pessoas que já nos conheciam apesar do curto espaço de tempo do lançamento do álbum. Nós continuamos excursionando com o Shaman e fazendo alguns shows como co-headliner e não como bandas de abertura, onde podemos tocar mais tempo e em melhores condições.

Whiplash! - É verdade que vocês irão abrir os shows do Nightwish no Brasil em dezembro? Se sim, considerando que o novo cd dos finlandeses vem numa linha mais heavy, não há um receio de que o Thalion seja chamado de o "Nightwish" brasileiro, dado o fato de ambas as bandas estarem investindo no heavy metal e ambas terem uma mulher como vocalista?

Rodrigo Vinhas / Não existe nada oficial sobre isso, mas iríamos ter um enorme prazer de tocar com eles, pois o Nightwish é uma grande referencia tratando-se de heavy metal atualmente. Sobre ser chamado de "Nightwish brasileiro", acredito que não, pois o nosso som é bem diferente do Nightwish, com muito menos elementos sinfônicos, bem menos triste, mais rápido, pesado e progressivo. As composições não tem nada a ver e a voz da Alexandra é bem diferente da voz da Tarja. O último álbum deles o Once é muito bom, a produção é soberba.

Whiplash! - O primeiro cd já saiu, o resultado final foi muito bom. Já há algo planejado para o futuro em termos de músicas novas?

Rodrigo Vinhas / Estou escrevendo novas músicas, talvez façamos até outro disco conceitual, temos que discutir isso mais pra frente. Antes disso, todos tem que apresentar suas idéias individuais e depois temos que arranjar as músicas. Após essa fase temos que decidir o que vamos gravar. Acredito que entraremos em estúdio no máximo até maio do ano que vem e o segundo disco tem previsão pra setembro de 2005, acreditamos que na próxima vez o lançamento será simultâneo no mundo inteiro, o que vai nos ajudar a planejar melhor a turnê e também vai nos possibilitar uma turnê mais extensa.

Whiplash! - Como será a agenda de shows do Thalion este ano, além de possíveis aberturas?

Rodrigo Vinhas / Na verdade não temos mais nenhum show de abertura marcado. O nosso próximo show será no festival Masters Open Air. Depois vamos fazer duas datas junto com o Shaman no interior e litoral paulista, mas não como banda de abertura, é um show conjunto, onde vamos ter um set de uns 75 minutos e usar o mesmo equipamento de som e luz, a banda que foi convidada pra abrir esses shows é uma excelente banda de prog metal de Limeira: O Nawak. Depois vamos para o Rio no dia 20 de agosto fazer nosso primeiro show como Headliners. Existem planos pra continuar excursionando até março do ano que vem, mas não há nada 100% confirmado sobre locais e datas. Em breve estaremos visitando o nordeste também.

Whiplash! - Obrigado pela entrevista, este espaço é de vocês para deixarem uma mensagem para os visitantes do site WHIPLASH!

Alexandra Liambos / Queria agradecer ao Whiplash pelo convite, que vem nos acompanhando desde o começo. Um grande beijo a todos e espero vocês nos shows!

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