Dynasty: Entrevista exclusiva com a banda de metal cristã

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Enviar correções  |  Ver Acessos


Por Maurício Gomes Angelo

Um dos pioneiros do metal cristão no Brasil finalmente está lançando seu primeiro álbum. "Motus Perpetuus" chega ao mercado com a bagagem de sete anos de trabalho nas costas e muita história para contar. A seguir a banda nos conta como foi este verdadeiro "parto" e quais os planos para o futuro.

Whiplash! - Saudações Nahor. Por favor, faça um resumo com os principais acontecimentos da história da banda para o público do Whiplash!.

Nahor / Hail! Bom, a banda foi formada em março de 96, e da formação daquela época, sou o único remanescente. Nossa proposta era fazer Heavy Metal, assim como fazemos até hoje, durante nossa caminhada tivemos vários problemas de formação, várias decepções, mas graças a Deus conseguimos prosseguir. Nossas músicas eram cruas e diretas, pois eram músicos muito inexperientes, nossa primeira DT revela tudo isso que falei, desde então com as mudanças de músicos, vieram outras experiências, influências e estamos estabilizados como banda e proposta musical.

Whiplash! - Desde 1996 a banda já passou por no mínimo umas 7 mudanças de formação, á que motivo se deve isso?

Nahor / A questão é que sou um rockstar exigente e se não fizer do meu jeito, eu mando embora....(risos). Na verdade, foram muitos os que desistiram em meio a caminhada, com problemas pessoais, diferenças musicais, brigas, já tivemos de tudo, mas ainda nos relacionamos muito bem, digo isso de mim com os outros, agora eles entre si, não sei dizer, mas acho que vai bem também.

Whiplash! - Como foi a experiência da turnê na Argentina? Que frutos vieram dela?

Nahor / A nossa "promotour" na Argentina foi uma experiência maravilhosa, fizemos vários contatos por lá, os que já tínhamos agendado anteriormente e outros que surgiram durante nossa estada por lá. Coincidentemente o Mortification também estava lá, pudemos conhecê-los e trocar muita idéia, pois fomos convidados a estar nos camarins e na coletiva que eles deram no dia seguinte ao show.

Nahor / Nosso maior contato foi com nossos anfitriões da banda Kerigma, que em 2001 acabaram vindo para o Brasil e fizemos uma pequena turnê juntos.

Nahor / Nós fizemos concertos voz e violão, entrevistas em várias rádios, numa rede de TV (Canal Ecológico - Programa Alternate) que pegou umas imagens nossas ao vivo e fizeram um vídeo-clip e o estavam exibindo por lá. Realmente para nós foi muito produtivo e agora estamos trabalhando para colocar o "Motus Pepetuus" naquele mercado e voltar novamente para uma turnê maior.

Whiplash! - E os shows "Opening Act" para o Son Of A Bitch e o Seventh Avenue foram experiências positivas? Como o público reagiu? Ouve oportunidade de conhecer os músicos?

Nahor / Sim, todos foram muito positivos. Quando abrimos para Son of a bitch (1998), tivemos a oportunidade de conhecer os caras, trocar idéia, assistimos a passagem de som, os caras foram super gente fina, o vocalista estava pra lá de bêbado, depois da passagem de som dormiu por umas horas e voltou novinho em folha, eu falei de Jesus pra ele, explicando qual era a proposta de nossa banda, ele me disse que também era um cristão e que não se envolvia com ocultismo ou coisas assim, mas gostava de uma bebidinha e umas namoradas, o cara era maluco.

Nahor / Quanto ao Seventh Avenue, nós fomos juntos de BH para Ipatinga, a van estava lotada, mas foi muito legal, eu já tinha uma certa amizade com o baterista Mike Pflügger e os caras são muito bacanas, haviam dois que não eram cristãos e estavam sempre fumando, mas isso não afetou em nada na nossa relação, foi também uma experiência muito rica para o Dynasty, que naquele show tocou com um guitarrista substituto, pois o Tuta estava gravando o CD ao vivo de sua igreja, o que também foi interessante para nós.

Whiplash! - Todos na banda são cristãos? Você acha importante transmitir alguma mensagem durante o show para o público ou as letras são o bastante?

Nahor / Atualmente todos nós somos evangélicos, digo atualmente por que o Gustavo Ivon (Tecladista) não está mais conosco e ele era o único que não era evangélico. Eu particularmente não curto muito a idéia de parar o show e pregar, apesar de não ser contra as bandas que assim o fazem. Acho que a atitude marca mais que uma pregação, mas sempre falo que somos uma banda cristã e que se quiserem saber mais sobre nós estaremos prontos para trocar idéia. As vezes em algum show totalmente cristão eu falo um pouco mais, mas não é meu costume.

Whiplash! - Apesar da pretensão de se fazer um heavy metal puro, influenciado por bandas como Saxon, Judas Priest, Accept e outros grandes nomes do gênero, é impossível não classificar o som do Dynasty atualmente como o mais puro metal melódico de bandas como Stratovarius, Helloween, Kamelot e congêneres, é esta mesmo a intenção da banda? Ser classificado dentro de algum rótulo chega a ser um incômodo?

Nahor / Sim, o Dynasty nasceu para fazer música rápida, mas no início, os músicos não gostavam e eles ainda não gostam de música rápida ou metal melódico.

Nahor / Quem sempre cobrava essa idéia era eu, mas não de metal melódico, pois, eu não gostava também, mas com o tempo fui contaminado (risos). Quando o Tuta entrou na banda é que começamos a nos entender a respeito disso e então começamos a acelerar as músicas e colocar muitas melodias. Nós não nos preocupamos com rótulos, isso é o de menos para nós, pois sabemos o som que queremos fazer e isto basta, a propósito a Rock Brigade nos rotulou de Prog-metal (+risos).

Whiplash! - Foram três demo - tapes (Into Righteouness, The Angels Return e Following The Sign) antes do primeiro álbum, porque não houve a possibilidade de lança-lo antes?

Nahor / Primeiramente cremos que Deus tinha o propósito de lançarmos agora, da maneira que está sendo. Nós até que tentamos lançar antes, chegamos a começar a gravar, mas não tivemos dinheiro suficiente para isso, tivemos problemas de formação e muitas outras coisas que nos impediram de o fazer, mas como eu disse, havia um propósito lógico para ser assim.

Whiplash! - Como ocorreu a assinatura de contrato com a Avantage Records? A banda está satisfeita com o trabalho realizado? Onde esperam chegar com esta parceria?

Nahor / Na época, estávamos negociando com outra gravadora, que realmente estava muito ocupada com seus lançamentos, pois eram muitos e me parecia que o diretor não dispunha de tempo necessário para nos atender.

Nahor / Sendo assim começamos a procurar outros selos. Como eu era cliente do Clayton Nantes (diretor da Avantage Records), ele me falou que estava criando um selo, então pensei por que não trabalhar com ele?! Enviamos algumas gravações que tínhamos e começamos a negociar. Estamos todos muito satisfeitos com a nossa gravadora, que apesar de ser pequena, nos deu tratamento de gravadora "major", com condições excelentes para a produção do nosso CD. Esperamos crescer junto com a gravadora, não temos nenhum interesse de deixá-la e cremos que esse sentimento seja recíproco.

Whiplash! - Qual o significado por trás do nome "Motus Perpetuus"? Existe ligação com as letras? Qual a origem da palavra?

Nahor / Movimento perpétuo, não existe uma ligação direta com as letras, como se fosse um álbum conceitual, mas existe uma ligação indireta, pois cremos que a obra de Deus é infinita e não pára, sendo assim as letras falam de diversas coisas diferentes, mas sempre com um único foco, Deus. Estamos sempre dando voltas e voltando ao princípio de tudo, o Criador.

Whiplash! - Explique o que a banda procura expor em suas letras.

Nahor / Procuramos expressar nossos sentimentos, experiências da vida e principalmente fatos e acontecimentos atuais, tornando nossa parte lírica bem moderna, e sempre com uma ótica cristã. Temos letras que falam de cristianismo diretas e na cara e outras mais subjetivas e outras que nem falam nada desse tema.

Whiplash! - Como ocorre o processo de composição? Todos participam?

Nahor / Cada caso é um caso. Com a exceção do Ademir Machado, nosso baterista, todos participamos juntos ou separados das composições, na maioria delas estamos eu e o César Martins, pois teve um período em que eu trabalhava próximo a casa dele, então todos os dias nós estávamos nos encontrando e com idéias novas, foi um momento muito proveitoso para a banda. Geralmente eu trabalho as linhas de voz e as letras, em algumas eu participo com arranjos também.

Whiplash! - A capa do álbum (e a produção gráfica em si) é muito bem feita. Mais um excelente trabalho do desenhista e vocalista Marcus Ravelli. A banda influiu nesse processo? Qual o conceito por trás dela?

Nahor / Tivemos uma influência pequena, apenas sugerimos a idéia do que queríamos e deixamos o Marcus Ravelli trabalhar livremente.

Nahor / Ele nos apresentou duas capas e optamos por esta. O conceito por trás dela é secreto, pois queremos que isso ajude na vendagem (risos), não é nada disso. Ela representa uma coisa que se mantém em movimento contínuo, aquele ser não representa ninguém em especial, apesar de ser uma caricatura do Leonardo da Vinci (segundo o desenhista).

Whiplash! - Ricardo Parronchi foi o produtor do álbum e ainda fez backings e tocou baixo em várias faixas. Assim como Rodrigo Grecco também fez backings e Eduardo Parronchi fez solos em algumas faixas. Como é a relação da banda com o Destra? Como foi o processo dentro do estúdio? A banda está satisfeita com o resultado final da produção?

Nahor / Na verdade o Ricardo só tocou baixo na música The word that remains, que está no Cd a pedido dele, pois ela é do Filipe Duarte, nosso ex-baixista e não estaria no CD.

Nahor / Fez backings em quase todas as músicas, bem como o Rodrigo e teve também a participação do Eduardo. Nosso relacionamento com Destra nasceu num show que fizemos na Zadoque em 2002, depois fomos dormir na casa do Fábio Grecco (o baterista), nós o conhecemos no estúdio e aproveitamos para intimá-lo a fazer os backings, hoje nossa relação é super legal, respeitamos demais os caras, pois são músicos excelentes, um time de encher os olhos.

Nahor / A produção foi muito séria, porém com muita descontração, o Ricardo e Paulo Brancaccio (técnico), nos deixaram muito à vontade e tranqüilos, nós ficamos satisfeitos com a produção, o produtor teve a sensibilidade de extrair o máximo de cada músico, limou os excessos e conseguiu capturar uma sonoridade muito boa em nosso trabalho, certamente iremos trabalhar com ele novamente.

Whiplash! - Achei que o único deslize da produção foi ter deixado seu vocal um pouco baixo demais, comprometendo sua performance. Você procura não investir muito nos tons agudos demais e nem excessivamente graves, o que acaba o deixando relativamente tímido. Com quem você acha que seria uma boa comparação para o seu vocal? O que você procura trazer de novo em termos de vocalizações para o estilo?

Nahor / Cara, minha opinião é diferente da sua, acho que o vocal ficou muito bom na mixagem final, está num volume agradável e não comprometeu a minha performance.

Nahor / Realmente neste CD, eu não investi em tons muito alto, para que não ficasse um disco chato e pudesse se diferenciar um pouco dos demais vocalistas de metal melódico, quanto aos tons mais baixos, esta é a minha deficiência, tenho trabalhado muito neles, mas não quis arriscar usá-los sem Ter total confiança, porém agora estou mais gabaritado para isso e vou usá-los normalmente.

Nahor / Comparar um vocalista é difícil, ainda mais fazer uma auto-comparação, é tarefa árdua, posso dizer que eu procuro mesclar várias influências de técnicas e colocar o meu timbre em ação, alguns vocalistas que gosto muito são: André Matos, Michael Kiske, Rob Rock, Bruce Dickinson e Dio. Certamente em alguns momentos você poderá perceber um pouco da técnica deles em minha performance.

Whiplash! - Curiosamente, duas músicas que foram regravadas da demo Following The Sign são duas das melhores do álbum. Esta que dá nome á demo e a The Word That Remains. Como se deu a idéia de reaproveitá-las no debut?

Nahor / Bom, a música "Following the Sign", com o passar do tempo se tornou um hit do Dynasty, e não seria legal deixá-la de fora.

Nahor / Quanto à outra, foi idéia do Ricardo, como ela é do Filipe Duarte, nosso ex-baixista, liguei pra ele, expliquei a situação e ele concordou que a gravássemos, mas a princípio ela não estaria no set.

Whiplash! - Quem é esse colaborador secreto Renato Marcelino que participa da composição das músicas?

Nahor / Nos agradecimentos nós citamos os ex-membros da banda, que é o caso dele. A propósito o Renato é a principal pessoa que me influenciou no metal melódico, ele é um baterista muito rápido e com uma pegada forte, esteve conosco no processo de composição do EP Following the sign, quando compusemos duas músicas juntos.

Whiplash! - Como anda a turnê de divulgação? Quais os próximos shows marcados?

Nahor / Ainda estamos preparando uma agenda que se adapte aos nossos dias disponíveis, pois não vivemos da música e isso dificulta muito para viajarmos.

Nahor / Mas quem quiser nos contratar basta enviar uma proposta por e-mail e vamos estudá-la com carinho.

Whiplash! - Quais os planos para o futuro? O que irão fazer a partir de agora?

Nahor / Não há nenhum plano para o futuro a não ser divulgação do CD Motus Perpetuus

Whiplash! - Como foi a experiência de tocar no maior festival de metal cristão da América Latina, que é o Metanoia, em sua edição 2004? Qual foi a resposta do público quanto á novas composições? Ocorreu tudo bem em se tratando de organização?

Nahor / Aquele foi nosso segundo Metanoia, o primeiro foi em 2002. Toda experiência é válida e sempre tiramos algum proveito dela, nesse evento em particular, foi muito boa à resposta do público, apesar de não conhecerem algumas músicas, nós sentimos que conseguimos transmitir uma boa dose de nossa força para eles.

Nahor / O vocal ficou um pouco baixo, o som batia na parede da frente e voltava, causando um efeito estranho, pois nós tínhamos dois monitores de retorno, um natural e o do palco, aquilo nos deixou loucos, eu desafinei naquele show, pois não conseguia identificar muito o que estava passando, não só eu, como outros músicos e outras bandas. Mas a galera estava muito agitada e isso superou este contratempo.

Nahor / A organização do Metanoia tem melhorado a cada evento, sim, ainda existem algumas falhas, mas são superadas pela grandeza do trabalho feito pelo Fábio Kiefer e o Trino, os caras estão de parabéns.

Whiplash! - Você acha que a beleza da cidade de Vitória contribuiu para o bom ambiente no balneário? (Nota do E: perguntinha só de comédia de um capixaba orgulhoso!)

Nahor / Mas com certeza contribuiu e muito, nós levamos nossas esposas e filhos, ficamos hospedados em Jacaraípe, chegamos na manhã da sexta-feira e só partimos no Domingo à tarde, para nós foi muito bom.

Whiplash! - Quais músicas funcionam melhor ao vivo e quais você mais gosta de cantar? Que covers vocês costumam colocar no set-list?

Nahor / Against all evil, The time is over, Not in vain, eternity...... acho que todas funcionam bem ao vivo, e Against all evil é a que mais gosto de cantar. Antes do Cd, sempre tocávamos a música "A face in the dark" do Barren Cross, agora estamos ensaiando, "To hell with the devil e Soldiers under command" do Stryper, "Eye of the hurricane" do Impellitteri, "Aces high" do Iron Maiden, e "Eagle fly free" do Helloween, mas ainda não decidimos quais entrarão no set-list ou se todas estarão.

Whiplash! - Quais as influências cristãs da banda? Quais suas preferidas?

Nahor / Stryper, Barren Cross, Bloodgood, Impellitteri, são muitas as influências. Já as minhas preferidas são Impellitteri, Rob Rock, Ken Tamplin, Barren Cross......

Whiplash! - Minas Gerais sempre teve uma fortíssima cena de heavy metal. Inclusive cristã. Como é o relacionamento do Dynasty com as outras bandas? Você acha que há união no meio?

Nahor / Bom, posso responder sobre Belo Horizonte, que "teve" uma cena fortíssima na década de 80, mas andou apagada por muito tempo e agora começa a despontar novamente com bandas muito boas, tanto secular como cristãs.

Nahor / Temos um excelente relacionamento com todas elas, mas não posso dizer que sejamos unidos, por que a correria nos faz estar preocupados com outras coisas, isso é uma pena, pois certamente a cena cresceria novamente.

Whiplash! - Que diferença você pode notar desde o início do metal cristão no Brasil até os dias de hoje?

Nahor / Profissionalismo! Essa é a única resposta que posso dar, pois as bandas têm buscado um caminho diferente, produção, divulgação e muitas outras coisas, com uma visão profissional. Isso fez com que as bandas cristãs dessem um salto na escadaria do underground, apesar de ainda existirem pessoas que pensem diferente.

Whiplash! - Nahor, muito obrigado pela atenção. Deixo o meu abraço e o espaço final livre para qualquer coisa que desejes falar para o público do Whiplash!. Boa turnê e um bom futuro para o Dynasty.

Nahor / Cara, quem deve agradecer somos nós, pois estar no Whiplash! é uma honra e sem dúvida uma grande forma de divulgar nosso trabalho. Deixo um grande abraço aos nossos fãs e estamos ansiosos para revê-los em nossos shows. Peço a todos que apoiem o metal nacional, comprando Cds originais, pagando ingressos de shows, pois assim nossas bandas sobreviverão e o metal nacional, seja cristão ou secular vai alcançar o lugar onde deveria estar.

Site Oficial: www.dynasty.com.br


Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal


GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Todas as matérias da seção EntrevistasTodas as matérias sobre "Dynasty"


Axl Rose: Afinal de contas, o que houve com sua voz?Axl Rose
Afinal de contas, o que houve com sua voz?

Humor: Ser prog metal é mais que saber tocar em modo frígioHumor
Ser prog metal é mais que saber tocar em modo frígio


adClio336|adClio336