Fireway - Entrevista exclusiva com a banda

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Por Paulo Finatto Jr.

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Quando resenhamos a demo "Red Skies", primeiro registro da banda gaúcha Fireway, já era previsível que um próximo passo seria a elaboração e o lançamento de um CD completo - o que realmente aconteceu. Neste início de 2003, a banda de Porto Alegre que mescla muito bem o hard rock com o heavy tradicional, formada por André Cauzzi (vocal e guitarra), Rodrigo Cordova (guitarra), Maurício Ramos (baixo) e Rogério Beer (bateria), lançou o 'debut' "Face the Fire", de forma independente. Conversamos com a banda, que nos deu maiores detalhes sobre esse lançamento, e também, sobre o que a banda passou até chegar a este lançamento, e conseqüentemente, sobre os planos para o futuro.

Whiplash! - Primeiramente, como foi a repercussão da demo "Red Skies"? Foi o resultado deste trabalho que impulsionou o lançamento deste primeiro álbum, "Face the Fire?

André Cauzzi / A repercussão foi animadora e como você mesmo disse, foi o grande incentivo pra que a gente desse este passo. Com a demo soubemos que existia mais gente que acreditava na banda do que nós próprios.

Whiplash! - "I'm Not Your Slave", terceira faixa da demo, agora está com uma nova letra e leva o nome "Face the Fire". Como surgiu a idéia de fazer uma nova letra em cima de uma antiga música?

André Cauzzi / Eu nunca gostei muito da antiga letra, e pensei comigo: "se é pra mudar, que mude agora". Ela passa bem o recado pra aqueles que não levam a sério nosso trabalho - e a maioria dos músicos que lêem isso agora também devem ter aquele parente ou "amigo" que diz pra "largar essa brincadeira". O recado é não se importar com a opinião daqueles que não tem nada a te acrescentar e seguir fazendo aquilo que você acredita.

Whiplash! - [para André Cauzzi] Um dos grandes pontos do Fireway é a sua voz, pelas grandes variações ao decorrer das músicas, soando ora agressiva, ora melódica. Não é difícil para você atingir estes tons tão diferentes nos shows do grupo?

André Cauzzi / O maior problema quando se trata de uma performance "ao vivo" pra mim é geralmente o retorno de voz das casas de shows, que em geral deixam muito a desejar e me massacram um pouco nos tons mais altos. Segurar sozinho guitarra e vocal em algumas músicas como as nossas também fica meio complicado, e o fato de termos agora mais um guitarrista na banda, o Rodrigo Cordova, ajuda bastante pra me liberar um pouco nas partes mais difíceis de vocal.

Whiplash! - Pelo que parece, um dos maiores problemas do Fireway é encontrar um baterista que dure por um bom tempo na banda. Atualmente, Roger Beer não está mais na banda, certo? Vocês já possuem um substituto?

André Cauzzi / Não... Talvez você tenha entendido mal. Ele está na banda, sim! Quando anunciamos sobre a saída do baterista, estava me referindo ao Vinny, que gravou a demo "Red Skies" conosco. O Roger está muito empenhado na banda, e nunca estivemos tão estabilizados na formação!

Whiplash! - O que também se repara entre as músicas da demo e suas regravações é o tempo delas: no "Face the Fire" elas estão mais curtas, ou seja, executadas de forma mais rápida. Esta "velocidade" inserida nos instrumental das músicas foi idéia da banda ou surgiu naturalmente?

André Cauzzi / A nossa idéia quando entramos no estúdio pra gravar as pistas de bateria foi a de tentar captar todo o 'feeling' do Roger nas músicas, e a partir daí surgiram esses andamentos mais rápidos. O Roger toca conosco há muitos anos, e algumas músicas que o Vinny havia gravado, tinham sido originalmente compostas por ele. Quando ele voltou à banda, foi natural que colocasse seu estilo nas faixas antigas. Além disso, o Roger sempre foi famoso entre nós por "sair correndo" [risos], na nossa frente.

Whiplash! - O que pode ser dito sobre as introduções presentes no álbum, especialmente da "Another Day... Another Place"?

André Cauzzi / Cara, essa introdução foi realmente uma coisa que apareceu no estúdio. Eu tinha uma introdução "clean" diferente para a "The Rider", que eu costumava tocar nos ensaios, mas no estúdio ela não me agradava muito. Eu sempre gostei de passeios por outros estilos, apesar de isso não ser muito no estilo da Fireway, e a idéia surgiu de umas experimentações de percussão que andamos fazendo nas seções de gravação. Certamente vamos repetir esse tipo de experiência.

Whiplash! - Na minha opinião, uma das letras mais interessantes do "Face the Fire" é a da música "Why??" e da "Red Skies". Eu achei que a letra desta primeira música tem alguns "flertes" sobre o episódio do 11 de setembro de 2001, estou certo? E a segunda, fala de alguma guerra em especial?

André Cauzzi / Tem sim. A letra de "Why?" foi feita exatamente naquela época, e os atentados foram coisas que realmente me impressionaram muito. Eu tinha alguns conhecidos em New York na época, e não conseguia parar de pensar como seria aquele momento pra alguém que estava dentro daqueles prédios. Já a "Red Skies", ela é mais genérica, falando de guerras em geral. Eu sou um grande fã de cinema, e os filmes "Apocalipse Now", "Platton" e "O resgate do soldado Ryan" me influenciaram bastante nessa letra.

Whiplash! - Como pintou a oportunidade de ter uma capa feita por Rodrigo Cruz, o mesmo autor de capas de grandes bandas como o Hangar, Imago Mortis, Delpht, Holy Sagga e do projeto "Hamlet"?

André Cauzzi / Gostamos do trabalho dele, na época o último trabalho que ele tinha feito era o "Inside Your Soul" do Hangar. O cara é ótimo. Apenas demos um conceito básico sobre o que eu imaginávamos, e ele bolou a capa. Ficamos muito satisfeitos com o trabalho dele, e esperamos continuar trabalhando com ele no futuro.

Whiplash! - Como aconteceram as gravações de "Face the Fire"? Pelo visto, vocês utilizaram dois estúdios, certo?

André Cauzzi / Certo. As baterias foram gravadas no Estúdio 1000, aqui em Porto Alegre (RS) mesmo, e o engenheiro de som foi o Fábio Lentino, da Nephasth. Foi fundamental uma boa captação pra que tivéssemos mais opções de timbres na mixagem. Todos os outros instrumentos foram então gravados no nosso estúdio, que nos possibilitou uma liberdade e flexibilidade muito maior de tempo além de mais tranqüilidade pra gravar.

Whiplash! - Algumas declarações no site oficial de vocês demonstram que aconteceram alguns imprevistos para o "Face the Fire" ser lançado, mesmo depois de já gravado. Além da famosa "questão financeira", resumidamente, o que causou o atraso da prensagem ao lançamento do CD?

André Cauzzi / Foi uma novela mexicana... depois de tudo certo e pago, o representante da fábrica nos enviou os CD's com uma nota fiscal "daquelas" e o resultado foi a apreensão de todo o lote no posto fiscal aqui na entrada do Estado. Isso era 2 ou 3 de janeiro, pra você ter uma idéia, e só fomos conseguir liberar tudo agora, no fim de fevereiro. Em vários momentos chegamos a achar que íamos ficar sem o CD... ainda bem que tudo deu certo.

Whiplash! - O lançamento do CD será feito totalmente de forma independente, ou existe a possibilidade de em breve termos o "Face the Fire" prensado por uma gravadora? E no exterior, como será feita a distribuição?

André Cauzzi / Estamos enviando 'promos' para algumas distribuidoras e selos aqui no Brasil, mas provavelmente será feito de forma independente, e com o suporte de uma boa distribuidora. Porém isso não está bem definido, e estamos analisando todas as possibilidades. Quanto ao exterior, a principio estamos procurando selos interessados em licenciar o álbum. O mais concreto que temos são algumas negociações com um selo japonês, que está analisando a viabilidade de lançamento por lá.

Whiplash! - Eu acredito que músicas como a faixa-título, "A New Chance", "Red Skies", "Alive Again", Why??" e até a balada "Heart and Soul" sejam os pontos altos do disco. Vocês possuem esta mesma opinião? E quanto ao pessoal que acompanha o trabalho do Fireway, quais devem ser as músicas que terão um maior retorno?

André Cauzzi / Eu concordo com você, mas destacaria também "Promises" que ficou muito melhor que na versão da demo, "Cold Blooded Killer" onde a bateria é muito interessante. A minha preferida é "A New Chance" mesmo! O lançamento foi tão recente que não conseguimos saber ainda quais as faixas que foram mais bem aceitas.

Whiplash! - Quais são os planos futuros de vocês? Já começar a pensar em uma pré-produção, ou quem sabe, uma turnê?

André Cauzzi / Nos dois, na realidade! Já começamos algumas músicas novas e eu mesmo já noto um amadurecimento maior nas músicas.

Maurício Ramos / Os shows estão sendo agendados com uma certa antecedência, e assim que estiverem acertados iremos divulgar. Todos (todas bandas) estamos com dificuldades de espaços para shows de pequeno porte.

Whiplash! - Qual é a opinião da banda sobre a atual cena underground aqui no Brasil? A começar pelo Rio Grande do Sul, a cena tem o devido espaço para as bandas que estão surgindo?

André Cauzzi / Acho que no ano passado as coisas foram meio devagar aqui na cidade. Pelo que ouvi dizer, muita gente andava em estúdio. E o fato maior é que não há muitos espaços para shows de pequeno porte, de qualidade.

Whiplash! - Obrigado pela entrevista. Para finalizar, peço que deixem uma mensagem ao pessoal que acompanhou esta entrevista.

André Cauzzi / Somos muito gratos pelo apoio que o Whiplash! presta não só à nós, mas a todo rock e metal brasileiro. Agradeço àqueles que leram até aqui! Obrigado pelo seu interesse!




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