Evora - Entrevista exclusiva com a banda.

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Em meados de 1994, foi criada a banda Evora, contando com Thiago Zaninotti (guitarra/vocal), Marcelo Aleixo (guitarra), Anderson Bellini (baixo) e Eduardo Krejici (bateria), que logo depois deu lugar a Fernando Bertin. Em 1995, depois de algumas mudanças, e o ingresso do tecladista Fabrizio Di Sarno, a banda realiza uma maratona de shows em São Paulo e no interior.

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Depois de alguns desentendimentos, o grupo se desfez em 1997, mas Anderson Bellini e Marcelo Aleixo não desistem e decidem produzir um trabalho. Eles então resolvem chamar amigos de outras bandas, como Anderson Kratsch (Kamalla), Henrique Melo (Landscapes) e Fabrizio Di Sarno (Karma), e divulgar esse trabalho, sem a pretensão de que esses seriam os novos membros do Evora. De dezembro de 1998 a maio de 1999, o conjunto grava o primeiro trabalho, chamado "Mystical Science". Então permanecem na line up Anderson Kratsch e Henrique Melo. Fabrizio Di Sarno (teclado) dá lugar a Gabriel Kaue.

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Com todas as dificuldades que já enfrentaram e ainda enfrentam, continuam na luta para conseguir um empresário e uma gravadora dispostos a investir em sua competência e profissionalismo, assunto que será abordado na entrevista. O Evora é um típico exemplo de banda que, apesar de todas as dificuldades, continua lutando, por acreditar no seu trabalho e no Heavy Metal.

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Entrevista concedida a Noely Alcarpe

Whiplash! / Como vocês definiriam o estilo da banda?

Gabriel Kaue / Nosso som tem o pilar principal fundado nas bases do heavy metal puro, e daí partimos. Tendo uma linha inicial, as composições fluem de acordo com as influências de cada um, mas seguindo nosso propósito (Heavy Metal).

Anderson Bellini / Após muitos ensaios com novas composições e com a evolução musical de cada membro, muitas experiências a nível de composições, conseguimos chegar ao que o EVORA é hoje.

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Whiplash! / Quais são as influências de cada um?

Anderson Bellini / Metallica , Dream Theater, Pantera, falando de bandas. Em se tratando de instrumentistas, Arthur Maia , Stu Hamm, Luis Mariutti e John Patitucci.

Gabriel Kaue / Eu poderia nomear como influências mais atuais (o que eu tenho escutado de uns 5 meses para cá), Symphony X, Liszt, Rachmaninoff, Korsakov, Pink Floyd, Puccini, Extreme e Beatles.

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Marcelo Aleixo / Eu ouço de tudo um pouco, até pop music.

Whiplash! / Como tem sido a aceitação do EP pelo público?

Anderson Bellini / Muito bem aceita, graças a Deus.

Marcelo Aleixo / O público tem tido uma receptividade muito forte, excelentes críticas.

Gabriel Kaue / A produção impressiona bastante o público, as músicas já eram relativamente conhecidas.

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Whiplash! / O que vocês acham do mercado brasileiro para bandas desse estilo?

Gabriel Kaue / É um lugar realmente difícil de se trabalhar. As gravadoras nacionais não acreditam no Metal, qualquer estilo que seja!... Na verdade, a questão também está na língua em que a gente canta. Se cantássemos em português, talvez alguma [gravadora] olhasse para nós.

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Anderson Bellini / É muito precário ainda, mas tende a melhorar. Mas realmente o mercado brasileiro é muito pequeno em relação aos países onde o heavy é muito bem aceito, como a Alemanha, Itália, França. Isso porque ainda existe um preconceito muito grande aqui no Brasil.

Marcelo Aleixo / Nosso som é bem diversificado, uma música é bem diferente da outra, o que leva a ser bem aceito por esse mercado. Muitas pessoas da mídia andam elogiando nosso trabalho.

Whiplash! / Pretendem tratar da divulgação no exterior ou já estão cuidando disso? Em que países?

Anderson Bellini / Sim, na Alemanha, Itália e França. Inclusive, algumas pessoas dos Estados Unidos que baixaram nossas músicas no site têm nos retornado.

Gabriel Kaue / Nós enviamos nosso material para algumas gravadoras e tentamos contatá-las. Como dizem, um "apadrinhamento" não iria mal, mas é difícil de conseguir. O lance é ter o pé no chão e ir em frente!

Whiplash! / Mas na Europa me parece que a banda teria melhor aceitação, ou estou enganada?

Marcelo Aleixo / A Europa é realmente o ponto mais forte para esse tipo de som, mas não podemos descartar a possibilidade de conquistar outros países.

Anderson Bellini / Realmente, afinal sabemos que existem verdadeiros fãs de Heavy Metal fora da Europa também.

Gabriel Kaue / Temos que levar nossa música para todos os lugares possíveis e imagináveis, para quem puder ouvi-la.

Whiplash! / Quando entram no estúdio para gravar o CD?

Marcelo Aleixo / Para o próximo trabalho, ainda estamos em fase de composição. É algo que realmente estamos ansiosos para fazer, porém, ainda estamos precisando de apoio financeiro.

Anderson Bellini / Temos que divulgar este EP para conseguirmos um empresário, para podermos gravar o próximo, que terá dez faixas.

Whiplash! / As músicas do EP foram inspiradas em quê? E o que se pretende passar para as pessoas com elas?

Anderson Bellini / O EP retrata o passado, o presente e o futuro da humanidade. A primeira faixa conta de civilizações passadas, no Egito, e da cultura cigana; chama-se "E-Gypsy". A segunda, "Locomotive", diz respeito ao presente, ao empoço da vida atual. A terceira, "Dance of Eternity", diz respeito ao futuro, como será o fim. Pragas? Guerras? Quem sabe? É a evolução da ciência, da qual não se tem previsão, como o nosso som: por isso "Mystical Science".

Whiplash! / É exatamente dessa última música que eu iria falar. "Dance of Eternity", é um nome conhecido agora com o próximo lançamento do Dream Theater, mas no final da música Metropolis, eles falam "Love is the dance of Eternity". Foi alguma inspiração ou pura coincidência? É importante que se esclareça.

Marcelo Aleixo / Com certeza coincidência.

Gabriel Kaue / Puríssima coincidência.

Anderson Bellini / "Dance of Eternity" foi inspirada num filme do Sthephen King que se chama "Dança da Morte", que é justamente o que eu tinha falado.

Whiplash! / E o nome da banda? Por que Evora?

Anderson Bellini / Evora é a Deusa da Lua, segundo a Mitologia Muçulmana. É um nome forte e pequeno, e também combina com nossa proposta.

Whiplash! / Na música "E-Gypsy", há inclusão de castanholas, algo em especial? Alguma influência? Ou é apenas o contexto da música?

Anderson Bellini / Se trata do contexto da música e de influência também. Pois a música fala dos ciganos e suas culturas. Como o violão também.

Marcelo Aleixo / É uma característica muito marcante, e se não tivesse presente, iria fazer muita falta.

Gabriel Kaue / Contexto que, aliás, será redefinido para snudge ao invés de castanholas. Snudge é uma espécie de castanhola que tem um som mais metálico.

Whiplash! / Há um assunto polêmico, mas de grande importância a ser tratado. Parece-me que existem algumas bandas pagando para abrir shows de bandas internacionais? Qual a opinião de vocês sobre isso? Será que não está havendo algum tipo de injustiça devido a esse fato?

Anderson Bellini / Sim, não sou a favor disso. Acho que não acrescenta em nada para a banda, só dispensa. O público assiste ao show de abertura, mas se a banda não tiver capacidade, se não fizer um som legal, não irá conquistar tal público, e no dia seguinte nem irá se lembrar que assistiu ao show. E também nota-se um abuso muito grande nessas taxas. Geralmente é a metade do cachê da maioria das bandas. Se um dia o EVORA abrir para uma banda internacional, com certeza será por uma boa proposta e uma boa negociação.

Marcelo Aleixo / Não tenho muita opinião sobre isso, a não ser que a pessoa que contrata a banda internacional paga pela divulgação, e a banda de abertura também contribui. Por isso paga uma porcentagem, mas é uma coisa que deve-se ter certeza de que vale a pena.

Gabriel Kaue / Infelizmente o mundo é movido por dinheiro. Há bandas que merecem esse espaço. Dependendo do evento, se não há outra maneira, é de se pensar numa proposta. Eles nos dão a chance de divulgar nosso trabalho, aproveitando o público de outra banda internacional mais famosa. Então, pelo menos para mim, parece de certa forma natural essa atitude. Mesmo porque eles poderiam simplesmente excluir a banda de abertura.

Whiplash! / Como vocês definiriam a situação do Brasil para músicos como vocês, em termos de espaço na mídia (em papel), lugares para tocar, etc.?

Marcelo Aleixo / Não querendo ser radical, vou explicar minha visão. Se você é pagodeiro, tem um espaço bem grande e apoio da mídia, se é roqueiro, a mesma já o taxa de sujo, barulhento, irritante, sem nem querer ouvir o som.

Anderson Bellini / Minúsculo, poucas oportunidades. Tudo depende de dinheiro. Existem poucos lugares para bandas de pequeno/médio porte tocarem. Quanto à mídia, há poucas opções, e se existe uma revista que divulga certa banda, ela terá espaço. É quase uma ditadura, essas revistas dominam esse espaço por falta de opção dos leitores, então, se não quiserem, não dão espaço para uma banda de boa qualidade divulgar seu talento.

Gabriel Kaue / Há bandas que têm a essência no Rock, como Titãs, Legião Urbana e Barão vermelho. Nossa banda tem a essência no Heavy Metal, talvez por isso seja ainda mais difícil a divulgação.

Whiplash! / Qual será o próximo passo da banda?

Gabriel Kaue / Para frente: terminar as novas composições e arrumar alguém inteligente e de bom gosto que patrocine o nosso trabalho. Na verdade parece sonho, mas se conseguíssemos um contrato para a gravação de um CD já estava de bom tamanho. Para podermos levá-lo ao mundo.

Anderson Bellini / Tocar, tocar, tocar. E divulgar ao máximo esse trabalho. Também atingir nosso objetivo, que é encontrar alguém que acredite no nosso trabalho, para podermos dar continuidade à proposta da banda.

Marcelo Aleixo / Continuar a compor músicas novas e dando a cara para bater.

Whiplash! / O lançamento de um CD independente está fora de cogitação?

Marcelo Aleixo / Nós estamos pagando a gravação do EP até hoje.

Gabriel Kaue / Dá muito trabalho, dor de cabeça. Há uma dificuldade maior em termos financeiros e de divulgação.

Anderson Bellini / Já fizemos um. Infelizmente, não podemos bancar outro trabalho sozinhos. Acreditamos que esse EP abra muitas portas para podermos lançar um trabalho por uma gravadora.

Whiplash! / Deixem por favor uma mensagem para o pessoal do Whiplash!, e para os fans.

Marcelo Aleixo / Galera, um super abraço e espero que vocês nos dêem esse tipo de oportunidade novamente, e obrigado!!!

Anderson Bellini / Fala, galera do Whiplash!!! Estamos aqui para mostrar que o Heavy nunca irá morrer e que temos muito o que fazer para mostrarmos nosso som!!! Um abraço.

Gabriel Kaue / Escutem tudo, tudo , tudo, e mesmo no que for terrível acha-se algo de bom... Achem essa faísca musical e vocês irão enxergar (e escutar) melhor as verdadeiras músicas. Porque saberão o que torna aquilo uma verdadeira obra de arte ou um verdadeiro monte de lixo atômico.

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