Dark Avenger - Entrevista com o vocalista Mário Linhares.

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Entrevista exclusiva com Mário Linhares, vocalista da banda Dark Avenger. Entrevista concedida a Sabrina Gaspar Cano e André Toral.

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Whiplash! / O primeiro álbum da banda teve uma grande repercussão. Vocês contavam com isso logo no começo?

M.L. / Bem, não esperávamos a boa repercussão que o primeiro álbum teve, por vários aspectos: primeiro que não éramos uma banda conhecida no Brasil, tampouco no exterior; não tínhamos idéia de como andava o cenário metálico tanto no Brasil quanto lá fora, visto que sempre ouvíamos as velharias que adoramos tipo Maiden, Manowar, Helloween, Metal Church, Judas Priest, Crinsom Glory, etc., e que identificamos no nosso som e como aquela época era mais para o Death Metal não tínhamos como supor que a receptividade seria tão positiva. Mas é claro que torcíamos para que o nosso som fosse bem aceito, o que realmente se deu.

Whiplash! / O Dark Avenger é conhecido por ser uma banda mais pesada do que a maioria das que apostam num estilo melódico. Este sempre será o direcionamento?

M.L. / Não considero o Dark Avenger absolutamente como uma banda de metal melódico, aliás abomino esse rótulo de "Metal Melódico". Nós somos uma banda que faz um som que flui desde o metal tradicional, passando pelo power metal, ao thrash, e agora com algumas passadas de progressivo e doom. As bandas assim chamadas melódicas seguem uma linha mais speed, coisa que o Dark Avenger também faz, mas não como característica dominante. O Dark Avenger pretende sempre seguir uma linha que desde o início definiu como estilo: peso e harmonia, feeling e muito amor ao que fazemos. Metal. Simplesmente Heavy Metal.

Whiplash! / A banda utiliza ritmos bem variados em seu som. Desta maneira fica difícil fazer comparações. Como é o processo de composição usado entre os integrantes?

M.L. / Como eu falei na resposta anterior, nós não somos uma banda que decidiu fazer somente thrash metal, ou death metal, ou progressive, power, melodic metal, nós fazemos heavy metal, pois o heavy metal é bem maior que isso e é ao mesmo tempo tudo isso. Geralmente o Leonel traz as composições de harmonia e coloco melodia e letras, outras vezes faço as harmonias, melodias e letras e passo para o Leonel colocar a mão mágica dele, e é assim que a maioria das músicas são feitas. Claro que há a participação dos demais, que viram a importância de contribuir mais no processo de composição do D.A.

Whiplash! / Em conversa informal que tivemos no chat com o Vitão você me disse que o novo disco é duplo mas que sairia só o primeiro "volume" aqui no Brasil, no primeiro semestre desse ano e que na Europa sairiam os dois de uma vez só. Por que não lançar o cd duplo no Brasil também?

M.L. / Sim, o novo disco vai ser divido em duas partes: Tales of Avalon - The terror e Tales of Avalon - The Lament. O primeiro deve sair ainda em setembro deste ano e o próximo somente no ano 2000. O Contrato foi assinado com a AudioGlobe DragonHeart, de Firenze na Itália, e eles acharam melhor lançá-los separadamente, para que os fãs possam ter mais tempo para absorver cada trabalho.

Whiplash! / Também nessa conversa, você me disse alguma coisa a respeito da produção do show, que era bem mais elaborada, pois o disco novo exigia. Como será essa produção? O que os fãs podem esperar de novidade no Dark Avenger ao vivo?

M.L. / Cada música conta uma história, uma passagem, um fato, e nós achamos por bem ambientalizar cada música durante os shows, para que o espectador se identifique mais ainda com a temática. Queremos fazer com que o fã sonhe um pouco a cada música da mesma forma que nós. Então, a cada música, nós fazemos aparecer no pano de fundo uma gravura, uma projeção diferente, inerente a cada assunto abordado a cada música. Ainda não podemos contar com a produção visual e o cenário que gostaríamos e que achamos adequado, mas vamos chegar lá. Infelizmente no show com o Hammerfall não será possível mostrar essa produção visto o tempo ser muito pouco (30 min) e o show não ser nosso (nosso show tem 2 horas de duração).

Whiplash! / Continuando, você também me disse que todas as músicas são cantadas em primeira pessoa e que cada uma delas é um personagem que canta ou fala em determinada situação. Poderia nos explicar melhor isso, falando mais sobre o disco e a estrutura de composição do mesmo?

M.L. / Sim, o disco é totalmente voltado para a temática dos contos de Avalon e gira ao redor do universo Arthuriano e todos os acontecimentos que o geraram, fizeram o seu apogeu, sua glória e seu declínio. Pretendemos levar ao interlocutor os fatos e personagens que habitaram esta atmosfera e achamos por bem não contarmos uma história narrativamente, e sim, deixarmos que cada personagem se expresse (1ª pessoa), não narrando, mas expressando seus sentimentos nos determinados momentos que ele (ou ela) aparece no decorrer da história. Cabe ao interlocutor saber o que já houve e extrair suas conclusões a cada música, para que possa entender a música posterior. É complicado mas é fascinante.

Whiplash! / Você canta incrivelmente alto e agressivo em músicas como Die Mermaid!, Green Blood e Morgana. Quais são os cuidados tomados com sua voz? Fez aulas de canto?

M.L. / Antigamente não tomava cuidado algum com a minha voz e comecei a senti-la um pouco mais fraca que o habitual. Simplesmente entrava no palco e começava a cantar. Hoje em dia eu tenho o acompanhamento de uma especialista em canto (Cilene - o anjo da guarda da minha voz) e vou sempre a um otorrino ver como estão as minhas cordas vocais (que estão ótimas por sinal). Não bebo nada gelado, não fumo e procuro ser comedido ao falar, etc.

Whiplash! / Que vocalistas famosos contribuíram na sua formação como cantor?

M.L. / No início da banda eu tinha, e ainda tenho, muita influência do Eric Adams do Manowar, vocalista que eu admiro demais pela sua agressividade e técnica. Mas depois que eu ouvi os Keepers (Helloween), o Judas, os Metal Church, o Iron Maiden, etc, eu decidi que queria ser tudo isso (hehehe), então procurei moldar meu estilo num amálgama de todos eles, onde eu pudesse, dependendo do momento, usar cada técnica que eu achasse conveniente. Tem funcionado.

Whiplash! / O que o Dark Avenger tem conseguido em nível internacional?

M.L. / Vários contatos interessantes. Temos este contrato para um disco duplo (o Tales of Avalon) com a AudioGlobe - DargonHeart da Itália, temos o interesse do Ole Bang (Tour Manager do King Diamond e proprietário da Diamond Records) em licenciar o nosso primeiro disco na Europa, Ásia e América, e diversos outros contatos que provavelmente darão bons frutos.

Whiplash! / Sendo de Brasília, como a banda tem administrado contatos e shows, uma vez que São Paulo é a capital do rock?

M.L. / É bem difícil realmente. Nós não temos produtor, empresário, patrocinador ou "paitrocinador". Temos enormes dificuldades em fazer shows em São Paulo e ainda existem boateiros espalhando que o Dark Avenger acabou, que o vocalista saiu, que a banda virou banda de pagode, etc, coisas que somente dificultam a nossa vida. De qualquer forma estamos aí, vivos, firmes e fortes, e as pessoas ainda vão ouvir muito sobre o Dark Avenger. Aproveito para dizer que quem quiser show do D.A. é só ligar para (061) 916.3799 e falar com o Leonel.

Whiplash! / O que você destaca no atual cenário heavy metal?

M.L. / Olha, atualmente tem pouca coisa que eu realmente tenho escutado e gostado. Posso citar o Judas Priest, que está realmente excelente, o ....., o ......, bem não tem muita coisa nova que eu goste atualmente. Não gosto desse Metal Melódico, acho muito igual e isso me dá náuseas. Destaco somente o Rhapsody (É assim que se escreve?) que é realmente muito bem construído, ambas harmonias e melodias, mas é muito enjoativo. A velharia dos anos 80 e início dos anos 90 ainda me faz a cabeça. Gosto de ouvir Memento Mori, Manowar, Crinsom Glory, Mercyful Fate e King Diamond, Iron e Helloween antigo, essas coisas que realmente soam Heavy Metal para mim.

Whiplash! / Há algum tempo atrás, a Sumirê Munekata Mulero (ex-responsável pelo fã-clube) mandou cartas a todos os sócios e algumas revistas especializadas, contando coisas desagradáveis sobre o Dark Avenger e seus integrantes. Você gostaria de aproveitar o espaço para esclarecer de uma vez por todas este assunto?

M.L. / A Sumirê realmente nos ajudou muito e devemos muito a ela. Infelizmente seguimos caminhos diferentes, com algumas controvérsias, muitas mentiras e desavenças e isso nos prejudicou muito, deixando um saldo quase que zero das coisas que ela fez por nós, mas prefiro não fazer a mesma coisa que ela fez. Houve muita lama espalhada por parte dela e não dá para se limpar dessa lama rolando ainda mais nela.

Whiplash! / Como aconteceu o convite para abrir o segundo show do Hammerfall em SP?

M.L. / Olha, foi quase uma súplica. Como eu comentei, anteriormente houve muita força negativa, por parte de algumas pessoas em São Paulo (alguns produtores), com relação ao Dark Avenger, e muito descaso da gravadora com o nosso trabalho e com os nossos fãs. Com isso, estamos num ocaso de quase três anos sem tocar em São Paulo capital. Eu sei que o Dark Avenger precisa tocar em São Paulo por vários motivos: por SP ser realmente a capital do rock; por inúmeras pessoas virem pedindo, por correspondências e e-mails, para tocarmos lá e, ainda, porque amamos muito essa cidade (eu particularmente amo demais São Paulo, que me seduziu desde a primeira vez que pisei lá) e sabemos a força que temos lá. Então entramos em contato com a produção do show que nos informou já estar tudo fechado. Bem, de tanto insistir, eles toparam. Agradeço de coração à Andréia e ao Luis da Rock Machine por essa oportunidade e aos nossos fãs por acreditarem na gente.

Whiplash! / Esse show terá a mesma produção e set list que os outros shows da turnê do Tales of Avalon? O show será totalmente baseado no cd novo?

M.L. / Infelizmente não. O show da turnê do Tales of Avalon é bem extenso e produzido. Devido ao parco tempo que nos foi dado, somente algumas músicas do Tales poderão ser mostradas. Acho que abriremos o show com a música Tales of Avalon e faremos um show mais voltado para o primeiro disco, mas não deixaremos de fora músicas do The Terror tais como Caladlvwch, Morgana, e do The Lament tais como Utther Evil. Um dia antes estaremos tocando na Tubes, que fica no Rio de Janeiro, lá sim faremos um show mais voltado para o Tales of Avalon, com 20 músicas e duas horas de espetáculo.

Whiplash! / O Hammerfall é uma banda muito criticada, muitos a chamam de "mesmice", "fazendo o que muitos já fizeram". O que acha dessa banda?

M.L. / Ah! Fica difícil comentar um trabalho alheio sem causar controvérsias ou frenesi ou até mesmo melindres dos outros. Não conheço o trabalho total do Hammerfall, mas até onde ouvi não me despertou o mesmo "thrill" que um Judas, um Accept, um Manowar, etc.

Whiplash! / O que esperam da receptividade do público nesse show em SP, onde não tocam há algum tempo?

M.L. / Tocamos em São Paulo capital inúmeras vezes. Em 1994, 1995 e 1996 éramos figurinhas carimbadas nas casas noturnas de lá (Aeroanta, Black Jack, HighLander, etc). Então vieram as confusões e o ocaso que vivemos até hoje. Mas este tabu será quebrado dia 1º de abril e então esperamos retornar sempre e sempre.

Whiplash! / Já ouvi muita gente dizendo que só vai a esse show para ver o Dark Avenger tocar e depois vai embora. Como é ser mais esperado do que uma banda do nível do Hammerfall, que é a atração principal do show?

M.L. / Olha ficamos hiper-felizes em saber que temos essa consideração por parte do fã. Mas vamos entrar em campo confiantes em Deus, respeitando o adversário e buscando os três pontos para que a nossa equipe possa se classificar (hehehehe). Falando sério, nós não temos essa informação, mas sabemos que temos competência suficiente para nos apresentarmos em qualquer ocasião. Esperamos corresponder às expectativas dos fãs do Dark Avenger.

Whiplash! / Deixe um recado para os usuários da Whiplash! e, em especial para os adoradores do heavy metal.

M.L. / Queria dizer muita coisa que tá engasgada aqui na garganta, contra aqueles que oprimem o Heavy Metal e dizem que ele já morreu. Mas prefiro falar ao fã de Heavy Metal pois ele é o único capaz de mantê-lo vivo. Nós temos a capacidade de lutarmos pelos nossos gostos e identidades, não devemos deixar que a medíocre mídia brasileira, que nos sufoca com as milhares de mesmice de pagodeiros, axé music, sertanejo, nos desmereça (diga-se de passagem a MTV heim!!!). Lutem contra o achincalhamento que a mídia brasileira faz sobre o nosso estilo, este estilo que tanto amamos. Quando um meio de comunicação nos detratar, vamos enchê-los de correspondências repugnando tal ação (veja o que fez a Veja com o Ozzy), mandemos mais correspondências ainda para as revistas concorrentes, vamos às rádios, à televisão e façamos por merecer o título de fã. Só nós podemos defender essa bandeira. Continuem firmes e fiéis ao metal e muita saúde e sucesso a todos vocês. Metal makes us strong!!!

Whiplash! / Se houver algo que queira dizer, sinta-se à vontade!

M.L. / Obrigado a todos da Whiplash! pela oportunidade de podermos nos expressar. Espero que todos vocês continuem assim, desbravando esse mar insano que é o universo da música e defendendo sempre a bandeira do rock'n'roll e do Heavy Metal. Cheers to all! See Ya on Tales to Avalon Tour!!!




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