Dr. Sin - Entrevista exclusiva com Ivan Busic e o baixista Andria Busic.

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Essa entrevista foi realizada no dia 18 de Fevereiro de 1999, no estúdio dos irmãos Busics. A entrevista a princípio era pra ser apenas com o baterista Ivan Busic, porém o baixista Andria Busic chegou no meio da entrevista e prontamente começou a participar também. Acompanhe esse bem humorado bate-papo realizado por Fábio Trovão, Mário Del Nunzio e Sabrina Gaspar! Enjoy it!

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Fábio / Qual a importância de vocês terem tocado no Hollywood Rock em 92? Vocês eram uma banda nova, ainda não tinham nem contrato, ou estavam assinando se não me enganam e já foram escalados para um mega-festival daquele.

Ivan / Na época a gente estava assinando o contrato, foi logo quando a gente fez a viagem para os EUA. Na realidade, a gente já tinha assinado o contrato com a Warner Internacional. A gente já tinha tocado em lugares bem legais com outras bandas, no caso com o Dr.Sin a gente já tinha feito uma abertura no Olímpia para o Ian Gillan um pouquinho antes do Hollywood, então a gente já estava naquele clima de show grande, aquela coisa. Mas o Hollywood é impressionante, você tocar num estádio, num festival, ao lado de bandas já consagradas no mundo, pra nós aquilo foi uma oportunidade muito legal. Uma coisa boa pra mim, de uma banda nova surgindo e tocando num evento daquele, são coisas que raramente acontecem, e depois jamais aconteceu com ninguém. A gente se considera com bastante sorte de ter pego isso aí.

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Fábio / Por falar em contrato, você se incomoda de falar o que rolou entre vocês e a Warner?

Ivan / Não, claro que não... Na realidade é assim, a gente assinou contrato com uma moçada que realmente ficou louca com a banda, e depois do contrato o disco só saiu um ano depois, que é horrível isso. Eles ficaram planejando muito, planejando muito. Em vez de lançar o disco logo de cara, enquanto a gente tava no Fantástico, no Jô Soares, no Hollywood Rock, um depois só que saiu o disco, então aquela coisa meio que apagou a chama. E esse tempo foi o tempo exato das pessoas que tinham assinado o Dr.Sin na Warner americana irem mudando de gravadora, então o que aconteceu, as pessoas que iam entrando nem sabiam quem era o Dr.Sin, não levaram o coração, o mesmo coração que aquelas outras pessoas tinham. Quem assinou o Dr.Sin queria que o Dr.Sin estourasse, depois quem foi entrando falou "Po, galera eu quero outra coisa". Então essa mudança do pessoal da Warner prejudicou bastante a gente, mesmo o disco ainda foi lançado em 9 países e deu uma abertura legal no nome do Dr.Sin mas não foi aquele boom que a gente esperava. E o que aconteceu? Foi fatal que essa moçada que entrou não renovasse depois de um ano o contrato, a gente até sabia disso porque toda gravadora é assim, aquele pessoal que entrou já entra com ciumeira do outro.

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Fábio / A gente ouviu muito boato dizendo que Warner queria impor vocês a gravar em português.

Ivan / Pelo fato de ter muitos amigos na gravadora, do presidente da Warner gostar muito da banda ele propôs, como era a entrada de Raimundos entrada de bandas vendendo muito disco cantando em português, então ele falou "Vocês querem continuar na Warner? Faz em português", a gente preferiu não fazer. E na época a gente tava já com o Brutal já praticamente escrito assim, não gravado, mas a gente já tinha músicas prontas, então, você tá todo empolgado num trabalho em inglês que é o que a banda realmente faz, a gente não tava indo pra debaixo da ponte (risos), então não precisava se vender, entendeu?

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Fábio / E como tá o lance do primeiro álbum? Há previsão de ser lançado? Po, é um puta álbum e não se encontra em lugar nenhum.

Ivan / Pois é, a gente tá numa luta braba aí. Hoje em dia o que encontra é pirata mal feito aí. A gente numa luta braba pra trazer pra catálogo, porque é até uma ofensa pra gente, é como se matassem um de nossos filhos. É um álbum que marcou pra caramba, faz parte da história da banda. Se Deus quiser esse ano ele vai estar de volta aí!

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Sabrina / Das várias bandas que vocês abriram aqui no Brasil, qual foi a mais legal? Rola um contanto entre vocês e a banda que vocês estão abrindo?

Ivan / Foram várias bandas legais. No show do Satriani foi muito legal pelo fato de a gente fazer bastante amizade mais até com a banda dele, tipo o Jonatham Mover (N.R.: baterista do Satriani na época) a gente acabou aquilo virando uma amizade muito legal e ele até tocou comigo no Insinity. O Ian Gillan foi demais, o cara tratava a gente, puta, como se fosse... sabe, ele ficava no palco vendo nosso show, dava apoio, todas as vezes que ele veio fazer show aqui a gente que abriu. Então não sei, cada um tem sua história. O Steve Vai, fizemos amizade também, convidou o Eduzinho pra tocar junto com ele no Rio de Janeiro. Não sei tem um mais legal, talvez tenha sido o Ian Gillan.

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Sabrina / E a estória do Malmsteen lançar o ao vivo com um bônus do Dr.Sin?

Ivan / Isso aí surpreendeu todo mundo, né? (risos)

Sabrina / Com certeza!

Ivan / Muito legal essa estória. Na realidade quando ele veio pro Brasil a gente também deu muita força pra ele pra que o show acontecesse, assim, colocando pessoas da nossa produção, pessoas da nossa equipe, pra ajudar, pra que o show dele ficasse simples e fácil de fazer. Então tudo isso realmente ele reconheceu e agradeceu a gente pelo o que a gente tinha feito. A gente até viajou no mesmo ônibus pro Rio de Janeiro e a gente trocou uma idéia com ele, veio agradecer que a gente tá junto com ele... atitudes assim que não parecem do Malmsteen, mas ele não é um cara tão mal assim, ele tem seus problemas.

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Sabrina / Ele é chato assim como todo mundo diz?

Ivan / Na realidade ele é um cara assim... hmm... problemático com ele mesmo... o cara, sei lá... eu nunca... eu sempre falei... quando o cara toca daquele jeito, não importa se o cara é monstruoso, se o cara é gay, não interessa, entendeu? Não que eu esteja dizendo que ele é gay (risos). O cara é o seguinte, ele tem o mundo dele, fechado, mas as vezes ele surpreende como surpreendeu com isso aí, deixando a gente sair no mesmo álbum dele, imagina, comprou o Malmsteen e leva o nosso junto... É muita honra pra nós.

Sabrina / Mas como foi? Ele chegou, perguntou antes?

Ivan / Não, na realidade isso foi uma idéia que partiu da gravadora. Como a gente faz parte do mesmo selo que ele no Japão, a gente tá começando os trabalhos lá, o Dr.Sin está investindo agora no Japão, então eles aproveitaram a chance pra trocar essa idéia, o Malmsteen topou na hora, falou que seria legal pra caramba, aí quando eu vejo ligam falando que o nosso disco vai sair junto com o dele. O cara gostando ou não vai ter que ter o do Dr. (risos). Mas isso gerou um buxixo... o que a gente recebe de carta, de email de pessoas que não conheciam a banda agora querem comprar o disco, querem saber quem é. Logo na seqüência o Insinity foi lançado no Japão, depois do Brutal, agora gente realmente tá com uma divulgação legal.

Mário / Fala como vocês conheceram o Michael Vescera. (N.R.: Ex-vocalista do Malmsteen)

Ivan / O Michael, puta, tudo foi meio natural. Na época eu namorava uma americana que conhecia o Michael Vescera, aliás eu conheci ela quando a gente foi no show do Malmsteen no L'amour em Nova York, e lá eu conheci essa menina, e ela falava "Ah, o vocalista é meu amigo, e tal", e a gente acabou namorando. E aí um dia ela falou "Po, vamos na casa do Michael Vescera", já levei o Brutal pra mostrar pro cara, e tal, e ele ficou louco com o som, e aquilo começou a virar uma amizade, no fim o namoro com ela acabou mas a amizade continuou lá com o cara... os amigos ficam. Aí rolou que ele ficou louco com a banda e sugeriu de um dia produzir a gente, e ele tem um estúdio, ele mostrou o estúdio dele pra gente, e foi aquele negócio, show, o cara é realmente importante pra história do Rock. Então a gente ficou fazendo uma amizade boa, fazendo contato, até que um dia ele apresentou a gente prum empresário americano que realmente quis investir e daí a gente gravou o Insinity, na casa do Michael, no estúdio dele, produzido por ele junto c/ a gente, se ofereceu, cantou uma música c/ a gente, e tal... Daí em diante ele virou um brother nosso assim, né?... Puta honra pra nós... quem conhece o Loudness, o próprio Malmsteen, o trabalho do cara é alucinante.

Sabrina / Tá pra sair o disco ao vivo, né?

Ivan / Tá. Que é da mesma série desse disco que saiu c/ o do Malmsteen. Sairiam as músicas que lá... quer dizer, lá só saíram 3 músicas, agora vão ser 7 músicas, incluindo essas 3 e mais 2 de estúdio.

Sabrina / E quando sai esse disco?

Ivan / Po, tá pra chegar dos EUA a qualquer minuto. Talvez chegue agora essa semana.

Sabrina / E disco de estúdio?

Ivan / Aí agora é o próximo passo. A gente está indo passar o mês de março inteiro nos EUA, a gente vai finalizar as músicas, e a gente não sabe se já vai gravar, mas a gente vai finalizar o disco lá. Pelo menos começar a pensar nele e, vai ser... do caralho, eu prometo (risos)

Fábio / Falando de álbum, tem duas músicas que me chamam a atenção no repertório de vocês: uma é Dirty Woman e a outra é Innocent Crime. As letras são... digamos... um pouco eróticas (risos). Eu queria saber se elas foram baseadas em fatos reais. (mais risos)

Ivan / Não... (envergonhado)

Fábio / Esse não foi meio que um sim (risos)

Andria / É... pode ser... (risos)

Ivan / É aquela coisa, qual é o cara que nunca quis ver 2 mulheres lindas assim, mesmo que for em fantasia, o cara gosta... ele não vai parar de olhar duas mulheres... "destruindo" (risos). E a gente convive c/ isso muito nos EUA, é um povo muito liberal, po, rola loucura direto. A gente fica até surpreso de ver as vezes quanta loucura tem no mundo, então a gente acaba colocando algumas coisas nas letras.

Fábio / Continuando esse papo de composição, eu ouvindo o primeiro disco, ele me passa uma sensação, tipo, alto-astral, já o Brutal tem um sentimento mais...

Ivan / Mais tenso, né?

Fábio / Isso, mais tenso. E o Insinity meio que volta ao astral do primeiro disco. Como funcionou isso?

Ivan / Tudo no Brutal ficou mais tenso até pelo nome do disco, pela capa do disco, as fotos do disco. Acho que isso tudo é o momento que a banda vive que a gente acaba colocando no disco mesmo, o Insinity já ficou uma coisa meio termo, você paga músicas como Faces, Echoes Of Insanity, lembram mais o lado do Brutal, e outras tipo Zero que já vai mais pro primeiro disco. O que eu acho que é legal. A gente não pode... todas as fases têm um lado legal... Você um Dream Theater, qualquer banda... eles saem de um som acústico e vão pra um puta dum Pantera. Eu acho legal pra caramba isso, você não pode fazer uma coisa que até enjoe a moçada. Tem discos de bandas que eu até gosto assim que dificilmente você vai ouvir inteiro, fica numa mesmice muito grande. Agora... no próprio Brutal, músicas como Hey You lembra assim o primeiro, Fire... É que o primeiro a gente realmente tava muito assim... por exemplo... a produção era de um cara que viveu todas as bandas de Hard Rock dos anos 80 praticamente, né, produzia Saxon, Stryper, esse tipo de coisa... a gente ficou meio influenciado pela produção do cara também... tudo muito grande, tudo muito Hard Rock, já no Brutal foi uma coisa mais garagem, tipo entrar em estúdio e tirar o som que a gente tava fazendo ali, sem muito... E o Insinity também, a mesma coisa. Então essas são as diferenças sonoramente falando.

Fábio / No início da banda, como vocês conheceram o Edu? Vocês já estavam procurando guitarrista pra montar a banda, ou conhecerem ele e resolveram montar uma banda?

Ivan / O lance do Edu foi um lance estranho, foi tipo assim: você tá casado com uma mulher, e você conhece outra que você fica louco por aquela mulher, entendeu? Mas não tem jeito porque você tá casado, então, putz... seja o que Deus quiser. Então um dia você desquitou, aí vai lá e casa c/ a outra. Foi a mesma coisa, a gente tocava no Taffo e o Edu no Anjos da Noite na época, e a gente dava umas canjas juntos e era, puta, alucinante... como pode alguém tocar assim? Na primeira vez que a gente tocou junto, na época o Malmsteen era... muito pouca gente conhecia, e muito menos tocava. O Edu ficou conhecido como Eduzinho Malmsteen, na época a gente já gostando de Malmsteen não acreditava que alguém pudesse tocar Malmsteen, ele parecia surreal na época. Na época faz tempo mesmo... foi 86, 87..daí a gente foi lá, tocou, e aí o cara mandou Malmsteen igual, aquilo pra nós foi chapante, sabe... pô, então não é truque o que o Malmsteen faz no disco... então dali já começou, sempre a gente se via... a gente acabou, po... a gente saia pra balada junto, e virou assim uma coisa de irmão mesmo. Daí começou a banda na realidade paralelo, foi só questão das outras naturalmente acabarem para que a gente começasse naturalmente o Dr.Sin. Na realidade começou como um trabalho do Edu pra gravar um disco solo dele instrumental, que a gente até gravou e hoje em dia ele é da Warner, não foi lançado e nem vai ser, porque agora a gente nem gostaria mais que fosse porque se fosse lançar a gente gostaria de regravar, agora, dali em diante a gente começou, eu e o Andria távamos tocando já c/ o Supla e agente indicou o Eduzinho, que a gente tava gravando um disco instrumental. Então a gente começou a fazer já tudo junto... a banda era aquela... então quando a gente viu tava no estúdio já fazendo a primeira demo do Dr. e falamos, "bicho, quer saber? tá um puta som legal, é o que a gente queria. Vamos pra América" Fomos lá, ficamos um puta tempo, fizemos tudo que tinha que fazer e voltamos com contrato, com tudo direitinho. Fizemos a coisa na hora certa.

Mário / Vocês gravaram um disco c/ o Eduardo Araújo. Como foi? O que vocês acharam do disco?

Ivan / A gente achou o disco maravilhoso, em termos de Country Music, e todo astral que girou nele. Ele foi produzido por um cara que trabalhava c/ John Lennon. O estúdio foi o Record Plant, quem não conhece o Record Plant. Então a magia da coisa... e o fator honra também. Por exemplo, o Eduardo Araújo não tem nada a ver c/ o Dr.Sin, mas você ter o respeito de pessoas como ele, muitos outros, é importante. Poucas bandas de rock tem esse respeito. Por que, a gente vem de uma família de Jazzistas, de pessoal que sempre ouviu Blues, Jazz, Country, meu pai sempre colocou isso na nossa cabeça desde neném mesmo, então a gente cresceu e as pessoas sabem que a gente conhece o estilo, então quando o Eduardo Araújo ia assistir nosso show, falou que iria gravar um disco nos EUA se a gente queria fazer c/ ele, pra nós foi uma honra. E uma vez que a gente realmente conhece o estilo e gosta, pra nós foi fácil. A gente aproveitou a mesma época que a gente tava gravando o Insinity, um mês fizemos o disco dele e no outro fizemos o nosso já. E ficou legal, cara. Um trabalho bom, de alto nível. Com participação do Edgar Winter, que é um mito. Sei lá, tudo rolou muito legal. Acho que é importante isso aí. Se um dia o Zeca Pagodinho nos convidar, eu vou achar muito louco (risos). A gente já fez coisas diferentes, o Andria por exemplo já tocou um mês c/ o Ultraje A Rigor, gravamos c/ o Daniel Gonzaga, que vem de uma outra safra, já tocamos c/ tanta gente diferente. São desafios na vida. A gente já tocou até em carnaval (risos).

Sabrina / Vocês gravaram uma música em português (Futebol, Mulher & Rock n' Roll). Vocês têm intenção de gravar outras músicas em português?

Ivan / Futebol foi legal, ajudou a gente pra caramba na mídia, mas eu não sei não...

Fábio / A participação do Sílvio Luís (N.R.: Narrador de futebol) foi muito legal.

Ivan / Po, o mais legal de tudo foi isso! Foi um presente mesmo!

Sabrina / Teve muita gente que nunca ouviu falar de Dr.Sin que ouviu a música e virou fã, foi ouvir outras coisas.

Ivan / Com certeza. Mas o que ainda sobressai realmente é o público que a gente sempre teve que não muda, são aqueles que gostam de Rush, gostam de Van Halen, que realmente vão estar sempre acompanhando. A maioria dos que ouviram Futebol e gostaram, ouviram Futebol e parou aí. Talvez nem ouviram as outras do disco. Essa é a diferença. Ou aqueles que ouviram, e ouviram as outras do disco e sabem que aquilo foi uma... um ato, como eu diria?... de zoeira... po, não vai falar de futebol em inglês, não vai botar o Sílvio Luis pra cantar em inglês. Ele mesmo falou (imitando o Sílvio) "Se vocês fizerem isso vocês vão se fuder... que eu não sei falar inglês"... foi legal, eu gostei da experiência. E essa música ao vivo é a parte mais poética do show (risos)...

Sabrina / Eu tava num show de vocês, no meio de um monte de cara, e começou aquela parte...

Ivan / Aquela "baixaria" (risos)

Andria / Mas eu dou a chance pras mulheres... eu canto "Alho, alho, alho, Brasileira quer... "..fica um puta silêncio... (risos)

Ivan / As mulheres ficam tudo roxas (risos)

Fábio / No show que eu fui vocês não fizeram isso não...

Ivan / A "baixaria" a gente faz as vezes só...

Andria / É que eles me deram esporro... (risos)

Ivan / É... "Amarra o Andria aí, meu" (risos)

Fábio / Falando em Andria, rola tipo briga de irmão entre vocês? No ensaio, etc?

Andria / Só na hora do vídeo game... as vezes eu ganho muito aí ele fica puto (risos)

Ivan / É sim... (irônico) (risos)... mas na banda nunca rolou treta..as vezes até tem idéias, tipo... "Não é possível, caralho, toca direito". Mas briga mesmo nunca teve, graças a Deus. No Dr.Sin sempre teve um clima legal. Eduzinho é um puta cara astral nota 10, super calmo... nunca fica nervoso... o que é bom, porque imagina... você tá tocando c/ 2 irmãos , é você contra 2. Se fosse uma relação egocêntrica de qualquer lado, ia ser uma merda. Se ele fosse egocêntrico a gente ia massacrar ele, e ele ia se sentir mal pra caralho se a gente fosse egocêntrico, ia ser o bicho.

Fábio / Falando em amizade, vocês parecem ser uma banda com um relacionamento perfeito... o Edu parece que é como mais um irmão de vocês. Vocês acreditam que o Dr.Sin pode ser uma banda tipo Rush, seguindo 25 anos c/ a mesma formação?

Andria / Se o mundo durar isso... já tão falando que o mundo vai acabar esse ano (risos)

Ivan / O que eu acho legal é que a gente tem o pé no chão, entendeu? Não é uma obrigação virar uma banda famosa como o Rush.

Fábio / Mas você acha que a banda vai conviver bastante tempo com a mesma formação?

Ivan / Claro.

Andria / Até a gente ficar velhinhos e tocar Blues (risos)

Sabrina / O que vocês ouvem em casa?

Ivan / Po, tanta coisa. A gente ouve Rush, ouve Rage Against The Machine, Malmsteen, Dixie Dregs, Pantera, Albert Collins, B.B.King...

Andria / Shania Twain... a gente ouve tudo, cara!

Sabrina / Tem alguma coisa nova que vocês ouviram que gostaram?

Ivan / Uma coisa recente que não sei se é nova, eu gosto de Stone Temple Pilot, gosto pra caralho, Rage Against The Machine...

Fábio / Qual foi o último cd que você não conhecia, e você ouviu e ficou chapado?

Ivan / Foi o Moving Pictures do Rush (risos)

Andria / Foi o Dream Theater, né?

Ivan / É, foi o Dream Theater... os caras são um problema sério (risos)

Fábio / A gente queria perguntar pra vocês o que vocês acham de algumas bandas:

Fábio / RUSH

Andria / Esses aí não tem nem comentário.

Ivan / É... esses aí, tá loco.

Andria / São os Deuses dá música aqueles caras.

Ivan / É mesmo!

Fábio / DREAM THEATER

Andria / É do caralho, meu!

Ivan / É a maior banda da atualidade, sem dúvida!

Fábio / O que vocês acharam da mudança de tecladista?

Ivan / Agora entrou o Rudess, né?

Fábio / Isso.

Ivan / Eu não ouvi ainda, mas com certeza é problema (risos)

Andria / Só pra estar na banda, já tem que ser foda! Acho que ele tem mais a ver c/ a banda do que o Sherinian.

Mário / O que vocês acham de alguns baixistas:

Fábio / GEDDY LEE

Ivan / Meu favorito.

Andria / O favorito de todos os baixistas. De todos os tempos.

Ivan / Por muitos mil anos, a gente ficava voltando tirando as frases do Geddy Lee, né Andria?

Andria / O estilo dele é o mais legal.

Ivan / A patada mais forte é a do Geddy Lee. As criações, o cara tocar e cantar daquela maneira. O cara é abençoado.

Fábio / BILLY SHEEHAN

Ivan / É o baixista que faz os guitarristas ficarem lentos (risos)

Andria / Pergunta pro Billy Sheehan qual o baixista que ele mais gosta, eu tenho certeza que ele vai falar o Geddy Lee também.

Ivan / Quando a gente tocou junto no M2000, cara, a gente foi no camarim conversar c/ ele, e ele durante a conversa fica c/ o baixo desligado aquecendo, e o som que sai do baixo desligado... é um negócio que não tem explicação, bicho, as frases, é um negócio alienígena. O cara é alienígena.

Fábio / STUART HAMM

Andria / O cara é muito legal, bicho... além de tocar pra caralho, o cara é uma simpatia. A primeira coisa que ele fez quando eu fui falar c/ ele foi largar um baixo na minha mão.

Ivan / Pra você ter uma idéia da humildade do cara, ele é um cara, talvez entre os 10 melhores baixista do mundo, depois do nosso show ele foi no nosso camarim e ficou fazendo sinal de reverência pro Andria.

Andria / A humildade de um cara desse, poucas pessoas tem. Parece que lá fora quanto mais o cara toca, mais o cara é legal.

Ivan / Enquanto tem banda no Brasil que não olha pra cara do fã.

Fábio / STEVE HARRIS

Ivan / Influenciou bastante toda uma geração aí.

Andria / Eu aprendi a tocar c/ os discos dele. Tirava muito aquele The Number Of The Beast.

Ivan / Era um tesão. Um desafio a gente tirar Invaders.

Fábio / O que vocês acharam dessa volta do Iron?

Ivan / Eu espero que seja bom, pois o Iron não faz um disco bom faz tempo.

Andria / Aquele Blaze Bailey acabou c/ a banda.

Ivan / Eles viraram uma banda de quinta categoria.

Andria / Não pode tirar um cara como o Bruce e botar um cara que até o Roadie canta melhor do que ele.

Ivan / Qualquer um na rua, no show do Iron, qualquer um que está no Monsters Of Rock na platéia cantaria melhor do que aquele cara que tá no palco.

Andria / E teria melhor visual do que ele.

Ivan / Eu rezo pra que eles façam um disco no mínimo que se pareça com uma demo. Por que nem demos eles fizeram no último disco. E engraçado que quando tem um medíocre, todos ficam medíocres. O baixo do Steve Harris ficaram medíocres, a batera do Nicko McBrain. As únicas coisas que salvavam sempre eram as capas dos discos que são show.

Andria / Eles devem ser muito amigos do Janick, porque ele não é legal também.

Ivan / Ele é um bom dançarino. Como guitarrista ele é um ótimo Barishnikov! (risos)

Andria / O Iron virou uma banda medíocre de uma hora pra outra que eu não acreditava, bicho.

Ivan / O último disco bom do Iron foi o Seventh Son.

Andria / Foi o último com o Adrian. O problema do Iron não foi só o Blaze Bailey.

Ivan / Graças a Deus, vamos torcer pra que eles façam outra obra prima. Outro The Number Of The Beast..to c/ saudades...

Andria / Outro Piece Of Mind.

Ivan / Até porque os discos do Bruce são todos poderosos. Eu acho o Balls To Picasso uma obra-prima.

Andria / A banda dele é muito legal, aquele Roy Z toca pra caralho.

Ivan / Você vê que ele tem umas idéias diferentes do Iron, né? Os discos dele são até um pouco mais pesados que os do Iron.

Fábio / Vamos falar de bateras:

Fábio / NEIL PEART

Ivan / Número 1. Junto com o Bonzo. (John "Bonzo" Bonham, falecido batera do Led Zeppelin)

Fábio / MIKE PORTNOY

Ivan / Número 2. Ele juntou aquela técnica, aquela precisão do Neil Peart com o peso de um Vinnie Paul (Pantera). Sei lá... ele foi bem, o cara é poderoso.

Fábio / DEEN CASTRONOVO

Ivan / Louco. Esse cara é... doente. Muito bom. Não conheci ele, mas...

Andria / O cara toca pra caralho.

Ivan / Ele tocava tanto que ele confudia o Ozzy. Na primeira música ele já entrou cruzado e enrolou o Ozzy todo.

Fábio / COZY POWEL

Ivan / Puta... me influenciou muito, cara..muito, muito, muito. Quando eu escutava ele tocando no Rainbow por exemplo, aquilo lá foi por onde eu aprendi metade do que eu sei. Cozy Powel era foda. O cara que provou assim que grooves pesados e bem feitos, são superiores até que aqueles mais rápidos e mais chatos até as vezes. Um dos caras que chegava mais próximos do John Bonham. Quando eu soube que ele morreu foi foda.

Fábio / IVAN BUSIC

Ivan / Cara gente fina, meu. (risos) Ivan Busic é um lutador aí, meu. Tá na luta ainda. Tem nem comparação c/ esses outros caras aí mas... um dia a gente chega lá.

Fábio / E o baixista Andria Busic?

Ivan / O único que eu quero tocar... na vida.

Fábio / E o guitarrista Eduardo Ardanuy?

Ivan / Pago um saco no cara que realmente vai deixar marca aí pra história do Rock, sem dúvida. Já foi considerado entre os 10 do Brasil, e com certeza um dia vai ser um dos 10 do mundo.

Andria / E foi escolhido pelos próprios guitarristas.

Ivan / Isso é muito loco, meu!

Sabrina / Você falou do primeiro disco como um filho, você tem algum "filho" preferido?

Ivan / Eu acho que não. Acho que todos tem uma época, tem um lance legal. Depende, tem dia que eu acordo querendo ouvir o Brutal, tem outro que eu quero ouvir o Insinity.

Sabrina / Você escuta seus discos?

Ivan / Escuto direto. A gente tem tanto orgulho do que a gente fez, cara... mas tem discos que eu fiz que eu não consigo ouvir, tipo, ou porque o disco foi massacrado pela mixagem... tem um disco de uma banda chamada Cherokee que a gente gravou que foi massacrado pela mixagem. Estragaram o que a gente fez. Então eu tenho nojo de ouvir aquele disco. Apesar de ter músicas legais, eu nunca mais consegui ouvir. Agora, quando se faz um negócio que você tem orgulho... todos os discos do Dr.Sin tem pra nós um nível super legal em tudo. O que a gente queria fazer saiu no disco. Então a gente escuta, eu sinto orgulho e gosto de ouvir. Tá sempre no meu carro e eu escuto lá. As vezes quando eu estou de baixo astral, "Puta, eu sou um bosta", eu ponha o cd e penso "Não sou tão bosta assim" (risos).

Fábio / Pra terminar, deixe uma mensagem pro pessoal que acessa o Whiplash! e vai ler essa entrevista.

Ivan / Eu queria agradecer primeiro vocês, por terem um negócio tão legal que eu já elogiei, na primeira vez que eu entrei mandei até um email elogiando porque eu achei muito legal mesmo... e... mandar um abraço pra todo mundo e que continuem aí na luta ajudando a quem quer ajudar o rock, as bandas nacionais e tal, e que compareçam aos nossos shows aí, comprem nossos discos (risos)... é isso aí... Valeu!

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