Karma: entrevista com o guitarrista Chico Dehira

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Por Rodrigo Vinhas
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O Karma apresenta um prog/metal de extrema qualidade mesclando influências que vão de Dream Theater a Pantera. Nessa edição conversamos com o guitarrista Chico Dehira que nos dá detalhes sobre a gravação do debut “Inside the Eyes” e nos fala dos futuros planos da banda. Confira nessa interessante entrevista.

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Colaborou nesta entrevista: Fábio Russo

Qual a sua formação musical?

Comecei a estudar violão aos 11 anos de idade e logo em seguida entrei na aula de piano paralelamente. Mas depois que ganhei minha primeira guitarra, deixei os dois instrumentos que já estudava de lado e me dediquei inteiramente a ela. Fiz aulas com diversos professores, em especial com o Fábio da Chromazone e com o Edu Ardanuy. Logo depois ingressei na FAAM, faculdade de música no ano de 1997. Posteriormente, voltei a fazer aula de violão popular e clássico e a estudar outros estilos na guitarra.

Você acha importante estudar fora pra ser respeitado aqui no Brasil?

Acho que não, tanto é que os caras mais consagrados no cenário do metal brasileiro estudaram no Brasil. É o caso do Eduzinho e do Rafael Bittencourt. Ninguém questiona a capacidade deles. E além disso, a música brasileira é muito rica não só rítmica, mas harmonicamente também. O que precisa rolar para ser respeitado no Brasil é a banda ter projeção internacional, na minha opinião.

Quais suas influências?

Minhas influências começam no som pesado, curto muito Metallica, Megadeth e Pantera. São minhas bandas prediletas juntamente com o Dream Theater. O James Hetfield, o Dave Mustaine e Marty Friedman, e o Dimebag Darrell eram minhas maiores influencias até então. Mas quando ouvi pela primeira vez o Yngwie Malmsteen, Steve Vai e o Dream Theater foi um marco. Fiquei viciado nesses caras, mas é claro nunca deixando de ouvir as outras bandas citadas anteriormente. Depois fui atrás de discos de guitarristas solo, foi quando comecei a “viciar” também no som do Frank Gambale, Shawn Lane, Scott Henderson, Steve Morse entre vários. O que faço no Karma hoje em dia é uma mistura de todas essas minhas influências, tentando buscar um estilo meu.

Como você vê o crescimento do prog metal, no mercado nacional nos últimos anos?

Cresceu bem. Cada vez mais eu vejo bandas de prog surgirem no Brasil. Acho que isso se deve ao crescimento exagerado de bandas de metal melódico. Nesse último ano foi uma overdose, uma banda atrás da outra. E o pior é que elas copiam umas as outras, se prendendo a clichês. O que começa a fazer com que a galera busque novas opções. Já o prog é como se fosse compor musica sem estar presos a nada. O sublime do prog metal é a busca por criar um som de vanguarda. Hoje em dia 80% da platéia de um show de metal tem banda ou toca algum instrumento, deixando-os mais observadores, exigentes e críticos. Ninguém mais vai a um show para apenas dar “mosh” ou balançar o cabelo (risos), as pessoas querem ver as bandas tocando bem. E acho que a tendência é o Prog crescer cada vez mais.

Como foi tocar em apenas um ano duas vezes no Via Funchal (abertura do Angra e do Shaman) e como as pessoas tem reagido ao trabalho de vocês, já que vocês não são mais uma banda tão underground?

O fato de tocar no Via Funchal com duas grandes bandas e com a casa cheia foi excelente. Ajudou muito a mostrarmos o som para quem não conhecia e espero de coração que tenham gostado. Mas o lado ruim é o pouco tempo de show, esse é o único entrave de se fazer uma abertura. Gostaríamos de mostrar mais músicas, mas mesmo assim valeu a pena!

Quais as previsões para o novo trabalho? Já existe alguma espécie de previsão em relação a data? Fale um pouco da pré-produção que vocês estão gravando.

Previsão exata ainda não temos, mas acho q até o final do ano já devemos estar entrando em estúdio para gravar. Essa pré-produção está sendo feita para testarmos novos sons, recursos de estúdio. Gravamos duas músicas, uma balada chamada “Older” e uma música meio épica e pesada chamada “You”. Em breve vão ter trechos dessa gravação em nosso site.

Como as guitarras de “Inside the Eyes” foram gravadas?

Liguei a saída do amplificador em quatro caixas de 4x12, utilizando diversas microfonações simultâneas, como por exemplo: um mic de ambiência, um em frente de cada caixa, um atrás de cada caixa. Então, na mesa de som vieram vários timbres diferentes, ou seja muitos canais de guitarra que serviram com uma espécie de equalizador. Feito isso, repeti a operação para fazer a dobra. E tiveram trechos que dobrei mais de duas vezes.

Que efeitos você usou?

A distorção foi tirada em um canal com o Marshall JMP-1 e no outro com o Rocktron Piranha, ambos ligados na minha potencia Mesa Boogie 295. Os efeitos foram tirados do meu Rocktron Intellifex e do Lexicon do Contato Studios.

Quais guitarras você usou?

Utilizei na maioria da gravação minha Ibanez (J. Petrucci model) e uma Gibson Les Paul.

Fora do Karma você atua como músico de alguma outra forma, seja fazendo workshops dando aulas?

Sim, já acompanhei bandas, até de country (risos), mas hoje em dia procuro me focalizar no Karma e dar aulas de guitarra. Estou também produzindo bandas.

É possível viver bem de música no Brasil?

Essa questão é muito ampla e subjetiva. Depende de cada um. É como qualquer profissão, se o cara não é competente, dificilmente ele viverá bem de musica. Mas se for, é possível.

Como surgiu seu interesse pela guitarra?

Vendo o Metallica e Megadeth! (risos) Cara, eu queria tocar aquelas musicas pesadas... Mas preciso confessar também que o Guns N’Roses, os solos do Slash foram os primeiros que tirei! Os primeiros acordes que aprendi foram da música “I Used to Love Her”. Um amigo de um vizinho meu tocava guitarra e pedi para que ele me ensinasse esses acordes. Como minha mãe tinha um violão, fiquei treinando e logo comecei a ter aulas.

Qual foi sua primeira guitarra?

Minha guitarra foi uma Dolphin Fly, que tenho aqui em casa até hoje! Guardo de recordação. Até que a guitarra quebra um galho, mas quando eu estava iniciando meus estudos ela era legal.

Até que ponto você acha que os efeitos influenciam na qualidade de um guitarrista?

Influencia muito!!! Pelo menos na minha concepção. O grande lance é buscar sons diferentes e não ficar com aquele som básico dos anos 70. Um bom guitarrista hoje em dia não é só aquele que toca bem, mas também é aquele que se atualiza sempre em relação aos efeitos e que sabe usá-los. A guitarra tem tantos recursos que é um desperdício não usufruirmos deles. O Steve Vai é um grande exemplo, ele é o meu guitarrista predileto não só pelas composições, mas também pelos efeitos que cria.

Deixe um recado para as pessoas que estão começando a tocar agora.

Tenham a mente aberta para ouvir todo tipo de som, mesmo que não goste deste ou daquele estilo. Sempre dá para aprendermos um pouco. É isso aí. Valeu! Até a próxima!!!
Para mais informações da minha banda, acessem: www.karmarock.com.br.

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Sobre Rodrigo Vinhas

Rodrigo Vinhas é guitarrista da banda Thalion, ex-aluno de Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt, Hugo Mariutti e Kiko Moura. Vinhas dá aulas de guitarra na baixada santista. Telefone para contatos: (013) 3429-17-80. Em São Paulo: (11) 9890-0490.

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