Dream Theater: a criação de obra-prima com a ajuda de Shakespeare
Por Marcelo Araújo
Fonte: Ogro do Metal
Postado em 10 de junho de 2014
Há muito tempo, a mistura de Rock com literatura vem nos brindando com grandes álbuns e nos surpreendendo com toda a magia passada do papel para os riffs de uma guitarra. Mas o que dizer então, quando pegamos uma tragédia e transformamos em uma obra-prima? Foi isso que aconteceu com a música "Pull Me Under", lançada em 1992 pela banda estadunidense de metal progressivo "Dream Theater", no álbum "Images And Words".
O ponto de partida para a inspiração de toda a canção foi a peça teatral "Hamlet", de William Shakespeare, que explora temas como a traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade. Escrita pelo tecladista Kevin Moore, a letra ecoa o desejo do príncipe Hamlet a vingar-se pela morte de seu pai à custa de sua própria sanidade. Nos momentos finais da música (a partir dos 7 minutos e 49 segundos), o vocalista James LaBrie canta um trecho diretamente retirado da peça: "Oh that this too, too solid flesh would melt".
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O título original de "Pull Me Under" era "Oliver's Twist", mas essa não foi a única canção do álbum que teve o título alterado no trabalho final. "Take the Time" era "Grab That Feel", "Metropolis pt.1" era "Crumbling Metropolis", "Under a Glass Moon" era "The Battle of Jimmy Cocoa and Fishface" e "Learning to Live" era "Creep With Tonality".
A versão original de "Pull Me Under" teve um final nada convencional, simplesmente acabando de forma abrupta aos 8 minutos e 11 segundos. Questionado sobre isso em uma clínica de bateria no ano de 1999 em Atlanta, Mike Portnoy explicou: "A música foi crescendo em tensão, e cada vez ia aumentando mais, e a gente não sabia para onde levar toda essa tensão, então resolvemos puxar o plug e acabar com tudo dessa maneira, exatamente como os The Beatles fizeram em "She's So Heavy.""
Vale lembrar que em 1988, no álbum "Seventh Son of a Seventh Son", a banda "Iron Maiden" já havia utilizado a inspiração de Shakespeare em uma de suas canções. O título de "The Evil That Men Do" é derivado do discurso que Marco Antônio fez aos Romanos depois do assassinato de César na peça Júlio César, retirado do terceiro ato da segunda cena, "O Fórum":
"The evil that men do lives after them; The good is oft interred with their bones."
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