Left To Die, o supergrupo tributo ao seminal Death, lança seu primeiro disco
Resenha - Initium Mortis - Left To Die
Por Mário Pescada
Postado em 29 de julho de 2026
Para alguns, uma banda cover de luxo, para outros uma baita banda tributo. Indiferente a isso, o Left To Die ampliou seu horizonte como um supergrupo tributo ao seminal Death e agora em julho lançou seu primeiro disco, "Initium Mortis" (2026), via Relapse Records.

Para quem não está familiarizado, o Left To Die surgiu ali em meados de 2021, meio por acaso, por conta de uma apresentação em memória a Chuck Schuldiner com os tarimbados Terry Butler (Obituary, Inhuman Condition, ex-Death, ex-Massacre, ex-Six Feet Under), Frederick "Rick Rozz" DeLillo (ex-Death, ex-Mantas, ex-Massacre), Matt Harvey (Exhumed, Gruesome) e Gus Ríos (Gruesome, ex-Malevolent Creation). A coisa toda deu tão certo que em pouco tempo o já grupo estava percorrendo EUA, Europa, Ásia e América Latina tocando as músicas dos discos "Scream Bloody Gore" (1987) e "Leprosy" (1988) - ou seja, goste-se ou não do seu propósito, o Left To Die existe porque ainda hoje, mais de vinte danos depois da morte precoce de Chuck Schuldiner, há um público de diferentes gerações, ávido em conferir ao vivo o que o Death deixou de mais valioso para o death metal: peso, técnica e velocidade.
Como já dito em entrevistas, o Left To Die não pretende (ao menos até então) escrever músicas novas. "Initium Mortis" (2026) não apresenta, portanto, material novo, mas sim releituras de músicas, algumas recuperadas de fitas demos do Death e do Mantas, grupo embrionário do Death, quando Chuck Schuldiner ainda se apresentava como Charles "Evil Chuck" Schuldiner. A faixa "Legion Of Doom", por exemplo, era para ter sido lançada no disco "Scream Bloody Gore" (1987), mas não foi lançada à época porque não foi finalizada a tempo.
Segundo Matt Harvey, "queríamos que os fãs do Death que nunca tinham ouvido essas músicas das demos antes, ouvissem com boa produção. A maioria das primeiras demos eram de qualidade ruim, frequentemente gravadas em gravadores portáteis, então quando alguém conseguia uma demo, era via troca de fitas, quase inaudível". Isso, ao menos para mim, faz uma diferença enorme, porque o Left To Die está trazendo aos fãs músicas desenterradas das profundezas de caixas e mais caixas de fitas K7 com uma qualidade digna. Prefiro esse tipo de atitude a empacotar um bocado de músicas incompletas, de qualidade ruim e lançar por lançar, algo que Beth Schuldiner, irmã de Chuck e dona dos direitos do nome Death, felizmente não permite que seja feito. Um parêntese aqui: tanto o Left To Die, quanto o outro tributo ao Death, o também supergrupo Death To All, atuam sob consentimento e aprovação de Beth.
Como "Initium Mortis" (2026) vai lá nos primórdios do Death, as músicas têm uma pegada mais brutal do que técnica e muitos empolgantes: "Archangel" e "Death By Metal" são mais porrada, do tipo que abririam rodas pelo público facilmente; "Rise Of Satan", essa sim, mostra um lado mais técnico, um prenúncio do que o Death faria no começo da década de 1990, enquanto "Power Of Darkness" e "Mantas" têm uma pegada mais metalpunk, muito inspiradas pelo Venom.
Coroando tudo, temos ainda a capa do disco, facilmente uma das mais bonitas que vi esse ano, criação de Dan Goldsworthy, artista que já criou artes para Aborted, Cradle Of Filth, Sylosis e todo material lançado pelo Inhuman Condition até aqui.
"Initium Mortis" (2026) é um baita disco de death metal feito por uma banda que tem ótimos músicos e que sabem muito bem o que estão fazendo. Não deixe de conferir o disco por conta dessa "polêmica" por conta de serem uma banda tributo, porque são mesmo, é algo que eles mesmos assumem sem problema nenhum.
O Left To Die retorna ao Brasil agora em setembro para cumprir sete datas pela "Scream Bloody More". É bem provável que incluam, além das faixas do "Scream Bloody Gore" (1987) e "Leprosy" (1988), alguns sons do "Initium Mortis" (2026). Se eu fosse você, não deixava de ir não...

Formação:
Matt Harvey: vocais e guitarra
Frederick "Rick Rozz" DeLillo: guitarra
Terry Butler: baixo
Gus Ríos: bateria
Faixas:
01 Legion Of Doom
02 Archangel
03 Power Of Darkness
04 Zombie (instrumental)
05 Witch Of Hell
06 Rise Of Satan
07 Summoned To Die
08 Mantas
09 Slaughterhouse
10 Death By Metal
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