Judas Priest: prestes a estourar com "Hell Bent for Leather"
Resenha - Hell Bent for Leather - Judas Priest
Por Tchelo Emerson
Postado em 02 de dezembro de 2022
O canal Metal Musikast no Youtube está revisitando toda a discografia do Judas Priest. A série JUDAS PRIEST - DISCOGRAFIA COMENTADA terá um total de 18 vídeos com resenhas detalhadas. São muitas informações e curiosidades sobre cada um dos álbuns de estúdio da banda britânica
Neste ano, a banda Judas Priest tem alguns motivos para comemorar. Além de completar 50 anos de atividade, os ingleses foram nomeados para o Rock and Roll Hall of Fame, oportunidade em que convidaram os ex-membros K.K. Downing (guitarrista e um dos fundadores da banda) e Les Binks (bateria) para uma festejada participação no evento.
As celebrações continuam na estrada, já que o Judas Priest está em turnê mundial que passa pelo Brasil, com participação na primeira edição do KNOTFEST em 18 de dezembro, no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, e no dia 15 do mesmo mês na casa de espetáculos VIBRA, também na capital paulista.
No quinto vídeo da série há uma resenha completa do álbum "Hell Bent for Leather/Killing Machine".
Você pode ver o vídeo completo no player a seguir
O primeiro ponto a se esclarecer sobre este álbum diz respeito ao título. Originalmente, a banda havia escolhido "Killing Machine" (Máquina de Matar, numa tradução livre), pois Glenn Tipton afirmava que se tratava de uma metáfora para a própria banda, que se encontrava determinada a alcançar o sucesso, gravando álbuns em curto intervalo de tempo e fazendo muitas turnês para promovê-los. O disco foi lançado com este título em outubro de 1978 na Europa e no Japão.
Quando a gravadora preparava o lançamento na América do Norte, a filial dos EUA se recusou a lançar o disco com esse título, pois tinha ocorrido um massacre com arma de fogo que vitimou jovens e crianças e havia o temor de rejeição do disco por parte das grandes redes de lojas varejistas.
alguns membros da banda ficaram contrariados, como Glenn Tipton, mas ninguém queria atrapalhar a trajetória comercial do Judas Priest nos EUA, então Rob Halford lembrou de uma expressão que tinha visto num dicionário de expressões idiomáticas: "Hell Bent for Leather", que significava algo como "correndo com o couro para o inferno". Expressão surgida no séc. XIX, se relacionava com a sela ou o chicote, ambos de couro, e um cavalo correndo, representando ideias como determinação e velocidade.
"Hell Bent for Leather" foi lançado nos EUA e Canadá em fevereiro de 1979.
O álbum foi produzido por James Guthrie, o mesmo que havia produzido "Better by You, Better than Me", do disco anterior.
De uma maneira geral, o disco traz uma sequência bem dinâmica de músicas.
Abrindo com "Delivering the Goods", demonstrando o amadurecimento da banda, que conseguiu aliar variações rítmicas e muita técnica a uma sonoridade um tanto mais simples e direta que o álbum "Stained Class". Aliás, essa seria a tônica de todo o álbum.
Les Binks volta a deixar sua marca com os bumbos duplos de "Rock Forever" e com os efeitos nos tons na música "Evening Star", faixa que fala dos Três Reis Magos em sua letra. Com abordagem melódica, a música chega a lembrar algo da banda Boston, tão famosa nos anos 70.
"Hell Bent for Leather" se tornou um hino. Riffs pesados, cozinha precisa e marcante e uma performance vocal brilhante de Rob Halford. Destaque também para a técnica de "tapping" no solo de guitarra. Outra curiosidade é que foi durante esta música que o vocalista começou a entrar no palco montado numa moto.
lembrando que a banda vinha desenvolvendo a estética visual baseada em couro e rebites. K. K. Downing foi o criador do conceito, logo abraçado por Rob Halford. A capa e o encarte do disco seguem essa estética. A capa é uma arte de autoria de Roslav Szaybo, do departamento de arte da CBS/Columbia, e traz um personagem que nos remete aos cartazes de filmes policiais típicos dos anos 70.
"Take on the World" foi o single que alcançou maior destaque nas paradas e levou a banda a tocá-la no programa televisivo britânico "Top of the Pops". Rob Halford admite que sofreu influência do Queen e tentou forjar um hino, com bateria simples e marcante gravada em camadas, nenhuma linha de baixo e texturas de guitarra.
"Burnin' Up" traz a inusitada linha de bateria baseada num padrão de "funk", que retorna na "Killing Machine".
"Green Manalish (with Two-Pronged Crown) é um cover de Fleetwood Mack, mantendo a prática que começou com "Diamonds and Rust" e se repetiu com "Better by You, Better than Me". Ela não saiu na primeira versão do disco lançado nos EUA, sendo acrescentada em versões posteriores.
"Before the Dawn" é uma balada folk obscura.
O álbum termina com "Evil Fantasies", em que Rob Halford solta suas influências de soul music, numa espécie de "Glenn Hughes heavy metal".
O disco se tornou um dos clássicos do heavy metal, mas não atingiu as vendagens esperadas pela gravadora e pelos empresários. O sucesso só viria com as músicas mais simples e diretas do álbum seguinte, "British Steel".
A resenha completa pode ser assistida no player de vídeo a seguir
O vídeo é o quinto da série chamada "JUDAS PRIEST. - DISCOGRAFIA COMENTADA", que vai abordar curiosidades sobre todos os álbuns da banda britânica, que é considerada por muitos a precursora do próprio heavy metal.
METAL MUSIKAST no Youtube é um novo canal para os fãs de metal encontrarem muita informação e histórias sobre as principais bandas de várias vertentes do metal.
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