Jinjer: a representação definitiva da música pesada moderna
Resenha - Wallflowers - Jinjer
Por Alexandre Veronesi
Postado em 29 de agosto de 2021
Nota: 10 ![]()
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A Ucrânia é um país do leste europeu, dominado pelo cristianismo ortodoxo, e que nem de longe possui qualquer tradição no universo da música pesada. Contrariando todas as estatísticas, é exatamente de lá - da cidade de Donetsk, para ser bem específico - que vem a mais recente sensação do Metal mundial: JINJER.
O grupo, fundado em 2009 e atualmente composto por Tatiana Shmailyuk (vocal), Roman Ibramkhalilov (guitarra), Eugene Abdukhanov (baixo) e Vladislav Ulasevich (bateria), vêm gerando uma enorme repercussão no cenário internacional do Heavy Metal, especialmente por sua incomum habilidade em incorporar elementos diversos de outros estilos musicais ao Metalcore (com o perdão da leviandade, afinal o som do quarteto vai muito além desse simples rótulo), e os versáteis vocais de Tatiana, que passeiam entre o "clean" e o gutural com desenvoltura e domínio ímpares.

2021 marca o lançamento do quarto álbum de estúdio do JINJER, "Wallflowers", trabalho concebido em meio à pandemia, e precedido por grandes expectativas da parte dos fãs e apreciadores ao redor do globo. Mas, será que tal espera foi devidamente compensada?
O disco tem início com as pesadíssimas "Call Me A Symbol" e "Colossus", em que somos submetidos a incontáveis variações de andamento, passagens instrumentais excepcionalmente técnicas, e os furiosos guturais de Tatiana, por vez que outra intercalando com vocalizações mais suaves. Em "Vortex" e "Disclosure!" há uma leve desaceleração comparando ao ritmo frenético de outrora, mas ainda assim contendo lampejos de extrema agressividade (principalmente na primeira), e a audição segue com "Copycat", que se evidencia por entrepor trechos retirados diretamente do Thrash Metal em meio à sonoridade característica do grupo. Já no caso de "Pearls And Swine", com sua introdução pouco convencional, e "Sleep Of The Righteous", a cadência predomina. Ambas as canções ostentam algumas passagens bem lentas, e com um alto teor de groove presente, como já é praxe.
A deliciosa e melancólica faixa-título "Wallflower" se mostra altamente imersiva, com absoluto destaque para a interpretação intimista de Tatiana, além das linhas trabalhadas de contrabaixo que conduzem o ritmo. em "Dead Hands Feel No Pain" o groove retorna com força total, apoiando as transições vocais do limpo ao gutural extremo - popularmente conhecido como "cavernoso" - enquanto "As I Boil Ice" traz uma pegada quase esquizofrênica, com quebras e variações que vão de um limite a outro de maneira imprevisível, o que também ocorre em "Mediator", último som da bolacha, que começa em uma passagem veloz com pitadas de Technical Death Metal, posteriormente adquirindo tons e andamentos diversificados, com a maestria e excelência que a banda demonstra costumeiramente. Final apoteótico para um trabalho maduro e irretocável.
Em suma, as expectativas citadas alguns parágrafos atrás não apenas foram cumpridas, mas amplamente superadas. "Wallflowers" já nasceu grande, e de imediato torna-se um dos principais registros da música pesada em 2021, provando definitivamente que a ascenção meteórica do JINJER ainda está muito longe de cessar.
Jinjer - Wallflowers (2021)
Gravadora: Napalm Records
Data de lançamento: 27/08/2021
Tracklist:
01 - Call Me A Symbol
02 - Colossus
03 - Vortex
04 - Disclosure!
05 - Copycat
06 - Pearls And Swine
07 - Sleep Of The Righteous
08 - Wallflower
09 - Dead Hands Feel No Pain
10 - As I Boil Ice
11 - Mediator
Line-up:
Tatiana Shmailyuk - vocal
Roman Ibramkhalilov - guitarra
Eugene Abdukhanov - baixo
Vladislav Ulasevich - bateria
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