Marilyn Manson: O inconsistente We Are chaos

Resenha - We Are chaos - Marilyn Manson

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Por Fabiano Rocha
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O 11° álbum de estúdio de Marilyn Manson chega ao Mundo em meio a uma Pandemia global. Mas mesmo que a estética do Mundo contemporâneo nesse período pandêmico tenha sido explorada ao longo de toda a carreira do cantor, que sempre versou sobre apocalipse e caos, o trabalho não trás o que promete em seu título. O disco poderia ser perfeito para o atual momento, mas não é.

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WAC soa, em diversos momentos, como o esboço de uma idéia. O esboço de um conceito, um rascunho mal acabado. Mesmo com momentos bons, como a chiclete e envolvente "Perfume" e a balada gótica "Dont chase the dead", o álbum não envolve o ouvinte.

O início da parceria de Manson e Shooter Jennings, produtor e músico com trabalho voltado para uma espécie de southern-country-pop-synth-rock foi bem sucedida e aconteceu em 2018, quando Manson cantou na faixa "Cat People (Putting out fire)", a clássica oitentista de David Bowie. A dupla se saiu bem no cover, que ganhou o peso que o personagem Marilyn Manson trás a qualquer lugar que entra.

Depois da saída de Tyler Bates, em 2018, durante a turnê do disco Heaven Upside Down, naturalmente, ficou claro que Shooter ocuparia o lugar de produtor e parceiro de Marilyn na próxima empreitada, o que fez os fãs acreditarem que viria, desse arranjo, um trabalho "death-country", como os admiradores do cantor chamam o estilo musical que apareceu, diversas vezes, em sua discografia. Faixas clássicas como "Four Rusted Horses" e "Odds of Even". O ótimo cover de "Gods Gonna Cut You Down", lançado como single em 2019, com um clipe também de ótima qualidade, aumentou a expectativa de que Manson exploraria a sonoridade death country, usando mais seus graves, suas letras poderosas e uma produção mais voltada para algo como "American IV" (mesmo que GGCYD tenha sido produzida por Tyler, seu último trabalho na banda).

Essa expectativa é completamente frustrada em WAC, que é mais um disco industrial do que qualquer outra coisa. O country, como Manson disse depois do lançamento, está nos elementos e na abordagem, e talvez esse tenha sido o grande erro desse trabalho

Ninguém esperava um disco que superasse, em qualidade, o incrível Pale Emperor, de 2015, ou que fosse tão interessante e energético quanto o Heaven Upside Down. Mas todos esperavam que Manson fosse pra um caminho menos genérico e confuso.

WAC se arrasta por seus 50 minutos como uma demo que ainda precisa ser lapidada. Em diversos momentos, a produção de Shooter deixa a desejar, principalmente no tratamento que deu à voz, tornando quase impossível saber o que está sendo cantando em alguns momentos. Mesmo assim, o trabalho de bateria do novo membro Brandon Pretzborn, tem de ser citado como um ponto positivo do disco. O novato imprimiu sua personalidade, e deu um destaque inédito à bateria na discografia da banda. O baixo de Juan Alderete, que substituiu Twiggy em 2017 também é um ponto interessante do disco. Porém, mesmo com todo o potencial, WAC é inconsistente e esquecível. Mais uma peça pro boulevard de oportunidades perdidas por Marilyn Manson.

A parte mais relevante desse disco está na ausência gritante de Tyler Bates. Resta saber: Manson conseguirá, algum dia, fazer trabalhos consistentes e empolgantes como os antecessores de We Are Chaos novamente?


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