Resenha - Absence of Presence - Kansas
Por Victor de Andrade Lopes
Postado em 19 de julho de 2020
Nota: 9 ![]()
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Estamos numa verdadeira era de loucos. Parece até que está na moda acreditar no inacreditável. Temos gente que acredita em Terra plana, gente que acredita que vacina causa autismo, gente que acredita que o homem nunca pisou na Lua... e gente que acredita que o lendário septeto estadunidense de rock progressivo Kansas não está mais com nada.
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O Kansas integra, juntamente a nomes como Deep Purple, UFO e Uriah Heep, aquele grupo de bandas que: nasceram entre os anos 1960-70; continuam ativas até hoje; passaram por mudanças significativas na formação; enfrentaram fases de qualidade duvidosa nos anos 80 (como quase todo mundo que sobreviveu até lá); e voltaram a lançar discos estupendos desde a virada do século.
Eles já mostraram que ainda tinham lenha pra queimar com o The Prelude Implicit, de 2016. Com The Absence of Presence, porém, eles deixam claro não apenas que a lenha ainda existe em abundância, mas também que ela pode até evoluir.
A tríade de faixas iniciais ("The Absence of Presence", "Throwing Mountains", "Jets Overhead") vem de forma arrebatadora com riffs fortes (flertando abertamente com o heavy metal em alguns momentos, como o interlúdio instrumental da segunda), refrãos cativantes e um violino encantador.
David Ragsdale, responsável pelo instrumento por um total de 20 anos na banda, segue impressionando por fazê-lo soar tão relevante e proeminente numa formação que já inclui dois guitarristas e até um tecladista que poderia sintetizar qualquer coisa para dar um toque exótico.
E falando nisso, não custa lembrar: o Kansas tem mais integrantes que o número de letras de seu nome e não parece ter ninguém sobrando. O interlúdio instrumental "Propulsion 1" reitera essa máxima especialmente para a ala instrumental, como que preparando o vocalista Ronnie Platt para brilhar na balada "Memories Down the Line", que ainda é a mais fraca do álbum apesar da dose de emoção que ele trouxe em seu canto, fora mais uma entrega primorosa de David.
Dois petardos ("Circus of Illusions" e "Animals on the Roof") nos separam da outra e mais pesada balada do disco, "Never", e o lançamento encontra seu fim em "The Song the River Sang" - uma peça admirável, mas não o suficiente para dizermos que fechou com chave de ouro.
Em entrevista ao Greatest Hits 98.1, Ronnie comentou a grande coesão da obra - com efeito, ela soa como um grande trabalho de rock progressivo com alguns interlúdios (no caso, as baladas). Arrisco-me a dizer que se você não gostou da primeira faixa, já pode parar aí mesmo.
Palmas para os principais compositores, o guitarrista Zak Rizvi, que estreou no disco anterior; e o novo tecladista Tom Brislin que tem passagens pelo Yes, The Sea Within e Meat Loaf e trouxe uma significativa lufada de novidade à música do septeto, que já não era nada fraca.
Juntos, a dupla e o restante da banda garantiram a produção de um destaque para este ano. E há quem diga que o Kansas não era mais bom... (risos).
Abaixo, o vídeo de "Throwing Mountains":
Track-list:
1. "The Absence of Presence"
2. "Throwing Mountains"
3. "Jets Overhead"
4. "Propulsion 1"
5. "Memories Down the Line"
6. "Circus of Illusion"
7. "Animals on the Roof"
8. "Never"
9. "The Song the River Sang"
FONTE: Sinfonia de Ideias
https://bit.ly/kansastaop
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