Fabiano Negri: um disco que encerra uma brilhante carreira independente

Resenha - Fool's Path - Fabiano Negri

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Alexandre Capitão Campos
Enviar Correções  

Conhecer a música de Fabiano Negri através de "The Fool´s Path" (O Caminho do Tolo, em tradução livre), me trouxe um sentimento de culpa: como é que não ouvi esse cara antes?

Poison: Bret passou o cambão na mãe da Hannah Montana?

Megadeth: Dave explica por que não tocar "The Conjuring"

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Motivos para o conhecerem não faltaram, afinal esse já é seu trigésimo trabalho em 25 anos de carreira, muitos deles como frontman da banda campineira Rei Lagarto.

"The Fool´s Path" traz uma belíssima capa, e na sua imagem já o situa perfeitamente onde deve estar. A ilustração de Emerson Penerari poderia estar num Genesis do Peter Gabriel, num Marillion do Fish, ou quem sabe ilustrando o Pink Floyd em Delicate Sound of Thunder do David Gilmour. E são referências como essas que as composições de Fabiano Negri me trouxeram. Note, estou falando de referências e não de cópia.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Privilegiando o piano e o órgão, que ele mesmo tocou, seu mais recente álbum transborda trabalho, ouvindo o disco você pode imaginar as gotas de suor derrubadas por esse artista. E como é bom ouvir rock com o instrumento de Elton John e Fred Mercury chicoteando os cavalos.

Apesar de não gostar do título de "multi-instrumentista", Fabiano Negri pisa nas minhas restrições, além do já citado trabalho com as teclas, também demonstra talento como guitarrista. A pouca variação de timbres reforça o aspecto conceitual do álbum, e o que poderia sem um ponto negativo, torna-se um ponto alto para "Fool´s Path".

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Os trabalhos de Cesar Pinheiro (bateria) e Ricardo Palma (baixo) são dignos de nota. Uma cozinha poderosa e sólida, sobre a qual Mr. Negri edificou seu caminho de tolo.

Segundo o próprio Fabiano, o tolo no conceito do álbum tem um aspecto autobriográfico, o artista independente que empunha sua espada de talento, nem sempre suficiente para matar o dragão dos boletos, numa batalha previamente perdida, sem nunca abandonar o campo de batalha. Também refere-se à carta Tolo do tarô, que indica uma mudança, o começo de um novo ciclo.

"The Fool´s Path" não possui pontos baixos, mantém-se em altíssimo nível ao longo das suas 10 faixas. Eu destacaria "Blind Superman", "Lies Behind The Mask", a incrível "Dying City", a balada "Changing Times", sem mencionar a intrincada faixa título.

Caro letrista, compositor, cantor, pianista, organista, guitarrista, Fabiano Negri, preciso te dizer, tolo é quem não adquirir esse trabalho.

Procure pelo formato físico, pois não serão todas as faixas que estarão nas plataformas digitais. E não cometa o mesmo erro que eu. Não seja tolo como eu. Conheça o trabalho de Fabiano Negri agora mesmo.

Contatos:
https://www.facebook.com/fabiano.negri

Fabiano Negri falou com exclusividade sobre esse álbum. Confira a seguir.

1) É possível falar sobre a música em sua vida, linkando pontos importantes que te marcaram e que encontraremos ecos desses fatos em "The Fools Path"?

Fabiano Negri: Música é tudo em minha vida, digo que sempre fui músico, estudei música, me formei em música, sou professor de música, ganho a vida com isso. The Fool´s Path é um resumo dos últimos 25 anos da minha vida, do ponto de vista do artista. Ele está composto desde 2015, e eu o compus para ser meu último trabalho, escrevi para ser minha despedida, a despedida de Fabiano Negri enquanto compositor. Depois de tanto tempo, penso que está bom, acredito que já lancei o que deveria lançar. Me esforcei para que lançar aquele que eu considero meu melhor disco. Ele funciona pra mim como uma despedida, e eu explico nas letras os motivos que me levaram à isso, todas as dificuldades, tudo que passei, encerrando minha carreira como artista solo. Os músicos vão se identificar com o que eu falo.

2) Organizando meus cd´s eu colocaria seu novo álbum na mesma estante que Genesis, Marillion. Ele estaria bem colocado ali?

FN: Genesis e Marillion não são referências pra mim. Mas na minha cabeça, The Fool´s Path é um misto de Elton John, Black Sabbath e Uriah Heep. Também vejo muito de Alice Cooper em Welcome to My Nightmare, que foi uma grande influência pra mim nesse disco. As coisas, obviamente, se misturam, e suas citações fazem sentido nesse contexto.

3) Embora as notas musicais sejam as mesmas sempre, cada instrumento musical possui uma linguagem própria. Você não cai nessa vala comum de muitos dos chamados multi-instrumentistas que se repetem em tudo que tocam, valendo-se da mesma abordagem sempre. Esse é um ponto que te diferencia como músico. Como você trabalha a linguagem de cada diferente instrumento?

FN: A minha formação é de canto, me considero acima de tudo um cantor, e um compositor, é claro. Sobre os instrumentos, eu procuro colocar em primeiro lugar a canção, a canção é que importa. Sempre estou privilegiando a composição, é o mais importante, acima da técnica. Desprezo quem coloca a técnica acima da canção. Sei das minhas limitações como músico, mas uso o que eu sei em favor da música, mantendo a linguagem dentro do que ela pede, tentando diferenciar a composição. A abordagem do instrumento está ligada ao que eu quero passar. Mesmo que não se entenda o que estou cantando, porque eu uso o inglês, mas eu quero que ela sinta o que quero transmitir, mesmo sem entender a letra. Essa é minha abordagem, fazer com que o ouvinte tenha a sensação que eu gostaria que ele tivesse.

4) O quão difícil é transferir o valor do esforço para criar um trabalho como esse, num cenário onde as pessoas perderam o hábito de pagar por música?

FN: Voltamos à primeira resposta. Nunca tive lucro com a música, na verdade tive grandes prejuízos. A música sempre foi um prazer. Meu trabalho é muito pessoal, e The Fool´s Path talvez seja o mais pessoal de todos que escrevi. Todas as músicas estão ligadas à mim, não falei sobre mais ninguém, família, mundo, nada, são somente os meus problemas. É exatamente sobre isso, as pessoas não querem pagar pela música, esse é um grande problema. Impossibilitando um artista de continuar. Fico lisonjeado com elogios, mas elogios não pagam as contas, não fazem a coisa girar. Sou grato aos meus 25 anos de carreira, à tudo que lancei, como eu lancei, me orgulho que tudo que fiz. Realmente, a posição do público com o artista, sobretudo com o artista independente, ela impossibilita que tentemos alçar vôos mais altos. Estou divulgando meu disco, vou apresentar esse trabalho pra galera. Sei que não sou um monstro sagrado da música, mas quem sabe.. Não fecho nenhuma porta para o futuro, mas no momento eu decidi que provavelmente será meu último disco.




Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Poison: Bret passou o cambão na mãe da Hannah Montana?Poison
Bret passou o cambão na mãe da Hannah Montana?

Megadeth: Dave explica por que não tocar The ConjuringMegadeth
Dave explica por que não tocar "The Conjuring"


Sobre Alexandre Capitão Campos

Autor sem foto e/ou descrição cadastrados. Caso seja o autor e tenha dez ou mais matérias publicadas no Whiplash.Net, enviando sua descrição e link de uma foto.

Goo336x280 GooAdapHor Goo336x280 Cli336x280 GooInArt GooLinksQuad