Evergrey: a essência da convicção e da integridade

Resenha - Atlantic - Evergrey

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Por Felipe Cipriani Ávila
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Se, por um lado, 2019 foi um ano tenso, por vezes, angustiante, repleto de tragédias e vicissitudes, com a perda de várias personalidades e músicos seminais do cenário Rock/Heavy Metal, como foi o caso, infelizmente, do talentosíssimo, ímpar e inesquecível Andre Matos (VIPER, ANGRA, SHAMAN, VIRGO, ANDRE MATOS, SYMFONIA, AINA, AVANTASIA), que partiu prematuramente no dia oito de junho, causando comoção geral entre fãs, colegas e ex-colegas do vocalista, e, ainda nos dias de hoje, já em 2020, uma sensação de incredulidade, por outro, foi um ano repleto de lançamentos fortíssimos, nos mais diversos subgêneros da música pesada. Logo no início desse ano, um disco que chamou a atenção foi "The Atlantic", décimo primeiro de estúdio do EVERGREY, lançado no dia 25 de janeiro, via AFM Records.

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O EVERGREY é daquelas bandas que têm uma integridade artística muito sólida. Fechando uma trilogia temática, que começou com "Hymns For The Broken" e prosseguiu com "The Storm Within", de 2014 e 2016, respectivamente, "The Atlantic" não apenas reforça e reafirma toda essa integridade e essa credibilidade, como também apresenta um dos seus trabalhos mais marcantes, emocionais, caprichados e consistentes, com temas que transitam com facilidade por toda a carreira do grupo, não deixando, no entanto, de explorar novas sonoridades. E isso, certamente, não é pouca coisa, visto que os suecos, ativos desde 1995, têm um catálogo recheado de álbuns ótimos e extremamente relevantes. Aqui, não há faixas dispensáveis, feitas somente para preencher espaços vazios, de forma que o todo é que se destaca, proporcionando ao ouvinte uma verdadeira e intensa viagem musical.

A faixa de abertura e primeiro single divulgado, "A Silent Arc", escancara, de pronto, uma banda enérgica, comprometida com a sua Arte, genuína e madura; um tema que representa, em sua totalidade e de múltiplos modos, a essência do quinteto, com todos os seus contrastes, nuances e elementos progressivos, desde as partes mais agressivas, pesadas e encorpadas, até os trechos mais calmos, suaves, sombrios e melancólicos. "Weightless" apresenta outro momento marcante, com riffs de guitarra e vocalizações muito memoráveis e cativantes. Impossível não ficar com o refrão na cabeça por dias e dias. "All I Have", hipnótica e envolvente, com solos de guitarra belíssimos de Tom Englund (REDEMPTION) e Henrik Danhage (DEATH DESTRUCTION) (a propósito, no desenrolar de "The Atlantic", há uma quantidade substancial de solos deveras notáveis e cheios de feeling), mantém o senso de unidade do trabalho, mesmo com atmosfera diferente e aura misteriosa. Fato é que a construção das músicas é muito bem feita, condição que as torna gradativamente mais empolgantes e elogiáveis. É impressionante como o ouvinte, no decorrer da audição, vai experimentando diferentes sensações e sentimentos, como se estivesse, efetivamente, em uma jornada. E, o mais importante, tudo ocorre de maneira muito natural e espontânea.

"A Secret Atlantis" (linhas vocais espantosas, aliadas a um instrumental excepcionalmente competente. Outro refrão extraordinário! Palmas, também, para Rikard Zander (EX-DEATH DESTRUCTION)!), o prelúdio instrumental "The Tidal", "End Of Silence" e "Currents" (impossível não se emocionar!), bem como o restante do trabalho ("Departure", "The Beacon" e "This Ocean" (estupendo trabalho de bateria de Jonas Ekdahl (DEATH DESTRUCTION). Excelente músico, diga-se de passagem)), seguem firmes na proposta de mostrar como não há jogo perdido quando se tem uma banda coesa, entrosada e fiel à sua essência e à sua verdade. Citar destaque (s) entre os músicos seria injusto, uma vez que, realmente, é a unidade, o coletivo, que impera, que dá a tônica a uma obra-prima tão bonita e bem concebida. Eis um play, inclusive, que pode servir de porta de entrada para quem não conhece os suecos, justamente por reunir de forma tão bem definida as diferentes facetas presentes nos distintos momentos da carreira do grupo de Gotemburgo. Altamente indicado para fãs de Heavy Metal Progressivo, e, acima de tudo, para apreciadores de música feita com paixão, emoção e gana. Na humilde opinião deste que vos escreve, "The Atlantic" figura, sem sombra de dúvida, no topo da lista de melhores de 2019 (e, sim, ela é bastante extensa!). Vida Longa e Próspera ao EVERGREY!

Formação atual:

Tom Englund (Vocal, Guitarra)
Henrik Danhage (Guitarra)
Rikard Zander (Teclados)
Jonas Ekdahl (Bateria)
Johan Niemann (Contrabaixo)

Lista de músicas:

01. A Silent Arc
02. Weightless
03. All I Have
04. A Secret Atlantis
05. The Tidal
06. End Of Silence
07. Currents
08. Departure
09. The Beacon
10. This Ocean


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Sobre Felipe Cipriani Ávila

Headbanger convicto e fanático, jornalista (graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC Minas), colecionador compulsivo de discos, não vive, de modo algum, sem música. Procura, sempre, se aprofundar no melhor gênero de música do mundo, o Heavy Metal, assim como no Rock'n'Roll, de um modo geral, passando pelo clássico, pelo progressivo, pelo Hard setentista e oitentista, e não se esquecendo do Blues. Play It Loud!

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