Meshuggah: Destroy Erase Improve é um álbum com duas faces bem definidas
Resenha - Destroy Erase Improve - Meshuggah
Por Ricardo Cunha
Postado em 08 de janeiro de 2020
Nota: 9 ![]()
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A BANDA
Meshuggar não é apenas mais uma banda da produtiva cena metal da Suécia. Adeptos da música extrema, têm um amor profundo pelo experimentalismo. O grupo se juntou em meados de 1987 e está em atividade até hoje. Ganhou notoriedade no final da década de 2000 como uma das precursoras do estilo que inventaram e, com ele, haver influenciado muitas bandas na emergente cena Djent Metal. A formação que gravou este disco foi composta por Jens Kidman (vocals), Fredrik Thordendal (guitars), Mårten Hagström (guitars), Peter Nordin (bass) e Tomas Haake (drums).
O ESTILO
Por falar "Djent", não é segredo pra ninguém que as subdivisões do metal como gênero musical existam hoje numa quantidade quase infinita, porém, o Djent talvez seja o mais singular em todo o meio. O nome é uma espécie de onomatopeia para se referir a um modo muito específico de tocar (riffs cortantes e uma sonoridade extremamente dissonante). É tão particular que fora de contexto praticamente significa nada.
O ÁLBUM
Destory Erase Improve é o segundo álbum completo, mas aqui da banda conseguiu sua expressão artística mais clara. No geral as composições são variadas, com muitas mudanças de andamento e insights insanos que tornam o material tão especial. Com vocais ora berrados ora falados e ritmos cadenciados ou tumultuados, o grupo conseguiu inserir elementos jazzísticos que podem ser de difícil assimilação, mas que são absolutamente inovadores. Diria que hoje, 25 anos depois, é muito mais fácil falar deste disco do que na época de seu lançamento, pois o nosso campo visual naquele momento não tinha o alcance de hoje. Muitos simplificaram a a música do grupo classificando-a como hardcore adicionado de elementos do metal, mas ninguém se arriscou em falar da essência. De um modo geral, é possível dizer que "Destroy" tem duas faces, uma que agrada mais aos fãs de metal extremo, que valorizam mais a pancadaria; outra, que agrada mais aos fãs do metal progressivo, que valorizam mais as nuances musicais. Particularmente acredito que aqui, a banda fez algo que só pode ser comparado aos trabalhos mais conceituais do Mastodon, que só ocorreram vários anos após.
O QUE TEM DE BOM?
1) A produção é eficiente, 2) há muitos aspectos interessantes pra se observar como os instrumentos tocados em compassos diferentes e, mesmo assim, encaixados e 3) a duração média da versão original do álbum gira em torno de apropriadíssimos 45 minutos.
O QUE PODERIA SER MELHOR?
1) É difícil fazer uma distinção mental entre uma música e outra, 2) tecnicismo e insanidade se misturam na mesma proporção, por isso, é difícil entrar na "vibe".
CONCLUSÃO
DEI permanece como o marco da trajetória do Meshuggah. Mesmo sendo apenas o segundo álbum de sua carreira, foi capaz de dividi-la em antes e depois. É bem verdade que a banda deu passos fora da trilha, mas isso faz parte do processo de amadurecimento das pessoas e das coisas, portanto, não entraremos nessa questão. Da mesma forma, também é verdade que ainda hoje é difícil para músicos e críticos sintetizá-lo como ideia. E, justamente por isso, continua influenciando bandas novas e veteranas no mundo todo.
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