Bad Wolves: Faltou um charme como no primeiro momento

Resenha - N.A.T.I.O.N - Bad Wolves

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Por Marcio Machado
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O Bad Wolves explodiu ao mundo após lançar o cover de "Zombie", do The Cramberris, porém, a banda era muito mais do que somente esta canção. Seu disco de estreia "Disobey", de 2018, era um prodígio, mostrando uma banda ávida, criativa, entrosada e extremamente afiada. Um segundo trabalho dos rapazes era mais que esperado por aqueles que se pegaram presos ao carisma do lançamento, e agora, pouco mais de um ano, a banda traz "N.A.T.I.O.N", o segundo disco de estúdio do Bad Wolves.

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O vocalista Tommy Vext (que já tem estrada com o Snot e o Divine Heresy), havia dito que para este lançamento as coisas seriam mais encorpadas e mais trabalhadas, seguindo a linha do primeiro com uma injeção de esteroides. Pois bem, as coisas não caminharam exatamente por esse rumo e logo irei explicar o porque.

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Quem começa o trabalho é "I’ll Be There", e em seus primeiros acordes o sorrisão surge na cara do ouvinte. Estão lá todos os elementos que cativaram no primeiro disco. A bateria insana, a dobra de guitarras impecáveis, e o vocal agressivo, "rappeado" e veloz, aliados à um refrão melódico de fácil assimilação. Fora o peso descomunal e o groove perfeito. Belo começo e já deixa a expectativa lá em cima.

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A seguinte, "No Messiah", traz os elementos da anterior e é mais uma grande canção da banda. Seu andamento é mais cadenciado e um refrão bastante forte, aliados à uma letra tão quão. Os momentos do vocal são magníficos e merecem uma grande destaque pela versatilidade que Vext emprega no andamento todo. A ponte que se segue aqui é daquelas passagens em que eles abusam da palavra peso e fazem o pescoço doer. Uma das melhores do disco todo já de cara.

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"Learn to Walk Again" é bastante melódica, soa mais linear que as demais, mas nem por isso é menor. O andamento é muito bom, a junção das partes instrumentais e voz estão em perfeita harmonia e prova que a banda consegue passear em momentos distintos de forma bastante coesa, quando querem.

A seguinte tem um andamento muito bacana, que levada bem trabalhada e cheia de cadência. "Killing Me Slowly" é bastante cara de rádio e é a banda se voltando para um lado que pode soar mais próximo de bandas de uma cena mais comercial, mesmo mantendo a identidade dos caras ali, começa à mostrar alguns passos que talvez seja o futuro da banda.

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E por falar em bandas mais comerciais, a seguinte, "Better Off This Way" é uma entrega total à esse lado. Uma balada bem chiclete, e confesso que aqui a banda me deu um certo susto. Em seu primeiro disco, havia sim alguns flertes com esse tipo de sonoridade, mas aqui as coisas parecem ter ido mais ao fundo e trazido algo meio estranho. Apesar de uma canção muito bem montada, com um sucinto solo, a levada com cara de Creed e similares não me desceu tanto.

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"Foe or Friend" começa com um coral de crianças gritando junto ao som pesado e aí sim as coisas voltam a andar. Vext faz loucuras com sua voz disparando palavras parecendo não ter a necessidade de respirar. O refrão é novamente embalado pelo mesmo trecho do começo, o que causa um tom caótico na faixa e nos envolve na audição.

"Sober" é definitivamente algo que divide o disco e a sonoridade da banda. A canção parece ter saído de uma mistura de Rihanna com Justin Timberlake e o pop reina total nesse andamento. E é desse ponto em diante que o disco passa a oscilar entre momentos.

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Continuando, "Back in the Days" parece que vai engrenar em algum momento, vive na beira da subida, mas acaba por cair no mais do mesmo e um refrão meia boca, bastante chicletinho, mas não exatamente como a banda é acostumada à fazer. Bastante morna.

"The Consumerist" é nervosa e começa agressiva! O seu andamento é bastante cadenciado e até meio engraçado, seu versos são cantados de forma mais lenta, parece que alguém diminuiu a velocidade de reprodução da canção. Tudo se encaixa perfeitamente até o refrão que mostra a força que a canção tem, e que bela presença de baixo temos por aqui.

"Heaven So Heartless" acalma de novo as coisas, e traz uma faixa leve, que é embalada sem muitas surpresas ou destaques. "Crying Game", também segue pelo mesmo caminho, tem um pouco mais de foco em seu refrão que tem boas passagens de voz, algumas notas são bem altas e chegam até incomodar em certo ponto.

Quem encerra o trabalho é "L.A. Song" que volta lá no começo de tudo, a banda soando sem freio. O refrão é longo e tem uma pegada bastante groovada, e no que a banda errou no meio do disco, acerta em cheio com esse final. É uma baita canção que encontramos no restinho que falta da audição.

Afinal, então o que é "N.A.T.I.O.N"? Exatamente essa é a questão que fica ao terminar a audição. Que o Bad Wolves tem uma trupe extremamente competente não é novidade, mas aqui faltou um charme como no primeiro momento, não o brilho, o destaque ou aquele momento chave que nos pega. Há uma banda espetacular, mas que por vários momentos nos soa perdida sem saber para qual caminho ir. Bom resultado, mas dá pra fazer melhor hein?!

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Sobre Marcio Machado

Estudante de história, apaixonado por cinema e o bom rock, fã de Korn, Dream Theater e Alice in Chains. Metido a escritor e crítico.

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