Neal Morse: pela segunda vez, músico marca 2019 com um discaço
Resenha - Jesus Christ: The Exorcist - Neal Morse
Por Victor de Andrade Lopes
Postado em 31 de julho de 2019
Nota: 9 ![]()
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Não bastasse ter lançado o excelente The Great Adventure no início de 2019, o vocalista, tecladista e guitarrista estadunidense Neal Morse encontrou tempo, criatividade e disposição para colocar mais uma joia nas lojas.
Se bem que este disco, Jesus Christ: The Exorcist, teve seus rascunhos escritos lá no final da década passada. Quis o destino que o momento comercial propício para encaixar tudo e realizar o lançamento ocorresse logo após outra empreitada bem-sucedida.
Como os demais itens de sua discografia no século XXI, esta é uma obra cristã, só que desta vez bem mais explícita quanto à sua religiosidade - algo que inclusive se manifesta na forma de música gospel em momentos marcados por corais e cordas.
A boa notícia é que Neal não nos enjoa com pregação barata. A ideia deste álbum, segundo o próprio autor, era fazer algo nos moldes do musical Jesus Christ Superstar, que levou aos palcos (e, posteriormente, às telonas) uma interpretação mais livre da biografia de Jesus Cristo. Sendo ele uma personalidade histórica, podemos comparar o trabalho com um disco qualquer do Sabaton ou do Armahda, talvez?
Criado na forma de uma rock opera, o lançamento traz muitas vozes convidadas, incluindo Ted Leonard e Nick D’Virgilio (membros (oficial e de apoio, respectivamente) da ex-banda de Neal, Spock's Beard); Matt Smith (Theocracy) e Rick Florian (Whiteheart). Essa miríade de vozes só faz enriquecer uma obra que já nasce grandiosa.
Muitas faixas de Jesus Christ: The Exorcist não funcionam sozinhas e acabam sendo parte de "momentos" da trama, tornando difícil a sua apreciação isolada. Outras (as longas) são verdadeiros destaques e dão certo enquanto peças independentes por serem bem mais empolgantes, especialmente para um público possivelmente mais interessado na química musical e qualidade das composições do que na trama em si.
A força destas canções se explica pela presença de boa parte de sua The Neal Morse Band: o baixista Randy George, o tecladista Bill Hubauer e Eric Gillette - que normalmente está ocupado justificando sua alcunha de "novo John Petrucci" mas, neste álbum em particular, surpreende ao mostrar-se também um baterista mui hábil. Sem falar na equipe de cordas e no coral, que não vieram veio apenas dar um toque gospel: em muitos momentos, eles praticamente tornam a música mais sinfônica mesmo.
Jesus Christ: The Exorcist reserva ainda algumas surpresas, como o delicioso blues "The Woman of Seven Devils" (que logo vira mais uma faixa progressiva, é verdade, mas não deixa de ser muito marcante); a agressiva "Get Behind Me Satan", com fortes influências de Deep Purple e Uriah Heap; e uma versão acústica de "Love Has Called My Name" (exclusiva da edição japonesa).
Já é praticamente chover no molhado dizer que Neal Morse lançou um bom trabalho, mas o fato de ser uma rock opera pensada para os palcos, explicitamente bíblica e com uma proposta menos pesada que a da The Neal Morse Band nos autorizavam a ter resquícios de dúvidas - todos devidamente pulverizados com apenas uma audição.
Abaixo, o vídeo de "Get Behind Me Satan":
Track-list:
CD 1
1. "Introduction"
2. "Overture"
3. "Getaway"
4. "Gather the People"
5. "Jesus' Baptism"
6. "Jesus' Temptation"
7. "There's a Highway"
8. "The Woman of Seven Devils"
9. "Free at Last"
10. "The Madman of the Gadarenes"
11. "Love Has Called My Name"
12. "Better Weather"
13. "The Keys to the Kingdom"
14. "Get Behind Me Satan"
CD 2
1. "He Must Go to the Cross"
2. "Jerusalem"
3. "Hearts Full of Holes"
4. "The Last Supper"
5. "Gethsemane"
6. "Jesus Before the Council and Peter's Denial"
7. "Judas' Death"
8. "Jesus Before Pilate and the Crucifixion"
9. "Mary at the Tomb"
10. "The Greatest Love of All"
11. "Love Has Called My Name (Reprise)"
11. "Love Has Called My Name (versão acústica)" (faixa bônus da edição japonesa)
Fonte:
Sinfonia de Ideias
http://bit.ly/jctenm
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