Gojira: a mais perfeita definição do metal dos anos 2010
Resenha - Magma - Gojira
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collector's Room
Postado em 21 de junho de 2019
O Gojira é uma força da natureza. A banda francesa galga com vigor os degraus para se transformar em um dos maiores nomes do metal contemporâneo, e dá esses passos impulsionada por discos absolutamente incríveis. "Magma", trabalho mais recente do quarteto, saiu em 2016 e é mais um álbum incrível de uma banda sem igual.
Sucessor do igualmente impressionante "L’Enfant Sauvage" (2012), "Magma" foi gravado no Silver Cord Studios em Nova York e chegou às lojas em 17 de junho de 2016. Produzido pelo vocalista e guitarrista Joe Duplantier, mostra a banda caminhando naturalmente dentro da evolução de seu universo sonoro. O grupo, que é completado pelo guitarrista Christian Andreu, pelo baixista Jean-Michel Labadie e pelo baterista Mario Duplantier (ele e Joe são irmãos) talvez seja a mais perfeita definição do metal moderno, do modo de se fazer música pesada na década de 2010.
As dez faixas de "Magma" são densas, alternam andamentos rápidos com outros mais mid-tempo, apresentam riffs pesadíssimos, vocais ora guturais ora limpos e um trabalho rítmico cirúrgico. Um dos pontos principais da sonoridade do Gojira está na abordagem das guitarras, que despejam riffs que alteram de maneira quase simultânea acordes mais graves com rompantes onde os dedos descem pelo braço do instrumento e encaixam notas mais agudas. Isso é feito de maneira tão brilhante e criativa que imprime uma personalidade fortíssima para os franceses, e mostra que tanto Joe Duplantier quanto Christian Andreu compartilham influências que vão de horizontes tão díspares quanto Tom Morello e Euronymous. O groove é outro ponto forte, fazendo com que as composições pulsem em rompantes explosivos e quase orgásticos e contem com uma onipresença percussiva proporcionada tanto pelo baixo quanto pela bateria.
Há um certo clima sombrio e desolador nas canções de Magma, como se elas traduzissem de maneira musical o mundo atual. Uma desesperança, uma ansiedade que teima em ser contida enquanto escapa pelos poros, um sentimento de desespero que insiste em não passar. Black Sabbath, Metallica, Mastodon: no caldeirão de inspirações do Gojira, há espaço para referências das mais diversas épocas.
Aclamado como melhor álbum de 2016 pela Metal Hammer, principal revista do gênero em todo o mundo, e presente em inúmeras listas de melhores álbuns daquele ano, "Magma" é o disco mais maduro do Gojira. O nível de composição é assustador, enquanto a execução alia técnica e uma química profunda entre os músicos. O resultado só poderia ser um álbum acachapante, que destaca-se com facilidade da imensa maioria de discos gravada nos últimos anos e comprova o quanto o Gojira é uma banda à frente de seus pares.
Entre as músicas, preciso dizer que a canção de abertura, a fantástica "The Shooting Star", é uma das melhores que ouvi nos últimos anos. Aliando peso e melodia, apresenta a carta de intenções da banda com primazia e desloca o queixo do ouvinte até o chão logo de saída. "Silvera" aumenta o volume da agressividade e traz uma melodia que remete ao oriente e um bem encaixado clima épico. "Stranded" é o que o KoRn quis ser durante toda a vida e jamais conseguiu. A instrumental "Yellow Stone" soa como se Tony Iommi tivesse nascido nos anos 1990 e não no final da década de 1940. A canção que batiza o disco vem com uma parede densa de guitarras, um wall of sound que rebate ondas de melodias e grooves e tem elementos até mesmo de post-punk. O andamento meio Meshuggah de "Pray" é construído através de um arranjo crescente, enquanto "Only Pain" é groove metal na melhor definição do termo.
"Magma" é um disco completo gravado por uma banda de imenso talento e que não tem medo de explorar suas ideias. E que, justamente por isso, coloca-se como um nome sem igual no heavy metal atual. Do jeito que o Gojira vem crescendo e evoluindo, não há dúvidas de que estamos presenciando o nascimento de um gigante da música pesada.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música de guitarra mais bonita da história, segundo Brian May do Queen
A banda iniciante de heavy metal que tem como objetivo ser o novo Iron Maiden
Jon Oliva publica mensagem atualizando estado de saúde e celebrando o irmão
O Monsters of Rock 2026 entregou o que se espera de um grande festival
Angela Gossow afirma que Kiko Loureiro solicitou indenização por violação de direitos autorais
5 discos obscuros de rock dos anos 80 que ganharam nota dez da Classic Rock
O álbum do Testament onde os vocais melódicos de Chuck Billy não funcionaram
As 11 bandas de rock progressivo cujo primeiro álbum é o melhor, segundo a Loudwire
"Provavelmente demos um tiro no próprio pé" diz Rich Robinson, sobre o Black Crowes
Os 5 álbuns que marcaram Nando Mello, do Hangar: "Sempre preferi Coverdale a Gillan"
"Deveríamos nos chamar o que, Iron Maiden?": Geddy Lee explica manutenção do nome Rush
Exausto das brigas, guitarrista não vê a hora de o Journey acabar de vez
Max Cavalera diz que tema de novo disco do Soulfly poderia render um filme
Produção do Bangers Open Air conta como festival se adaptou aos headbangers quarentões
O primeiro disco que Max Cavalera comprou; "Ouvia todos os dias"
Dave Grohl revela como foi seu primeiro dia após morte de Kurt Cobain
O genial significado dos primeiros versos de "Lanterna dos Afogados" dos Paralamas
Guitar World: as 50 melhores canções de Rock de todos os tempos


Os melhores álbuns de metal de cada ano dos anos 2000, segundo a Loudwire
Os 30 melhores discos de heavy metal lançados nesta década, segundo a Louder
60% dos melhores álbuns da década são dos EUA, aponta lista da Loudwire
O Heavy Metal grita o que a Psicanálise tentou explicar
Joe Duplantier aponta o Mastodon como uma de suas bandas favoritas de todos os tempos



