Gojira: Imensa diversidade, genialidade e criatividade musical

Resenha - Magma - Gojira

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Por Gisela Cardoso
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Não é à toa que o Gojira vem se consagrando como a maior banda francesa no cenário Heavy Metal mundial. Após se apresentar no Monsters Of Rock (2013) e no Palco Mundo do Rock in Rio (2015) no Brasil, por exemplo, o quarteto conquistou ainda mais fãs. No entanto, não é apenas a sua representatividade na mídia que tem gerado a base de seu sucesso. Mas sim com a sua admirável capacidade de gerar um som único e criativo. Com seu novo álbum "Magma", lançado em junho pela Roadrunner Records, o Gojira deixa claro mais uma vez que não está preocupado com rótulos, apresentando inovações sem deixar de lado as características de sua identidade, já conhecida por muitos.

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Após toda a velocidade e brutalidade presentes nos álbuns "The Way Of All Flesh" (2008) e "L'Enfant Sauvage" (2012), podemos dizer que "Magma" chegou para apresentar um meio-termo em sua atual discografia. O peso e a técnica de seu Death Metal ainda estão presentes. Mas, desta vez, a banda investiu profundamente no progressivo, gerando passagens mais alternativas em suas composições.

Gravado no Silver Cord Studio no Queens, em Nova York (que, aliás, é o novo estúdio do frontman Joe Duplantier), a produção de "Magma" passou por alguns altos e baixos devido a problemas pessoais dos integrantes da banda. O seu processo criativo teve que ser interrompido com a morte da mãe dos irmãos Joe e Mario Duplantier. Talvez essa triste fatalidade deve ter servido de inspiração para a criação de um álbum com uma atmosfera ainda mais pesada do que os anteriores.

Para quem está acostumado com a agressividade do Gojira, os vocais limpos do Joe na primeira faixa, "The Shooting Star", podem gerar certo estranhamento. No entanto, isso não é motivo para torcer o nariz e desistir do álbum logo de cara. Tratando-se de uma música mais progressiva, assim como muitas presentes no disco, ela cria uma atmosfera até meio psicodélica, com riffs memoráveis e um andamento interessante. Em seguida, o Gojira apresenta a sua velocidade e agressividade na faixa "Silvera", já com os vocais urrados do Joe, mas ainda com passagens limpas.

Em geral, o Gojira, em "Magma", nos apresenta andamentos rítmicos extremamente variados, o que já é considerado parte de sua identidade musical. Outra característica bastante comum são os seus riffs pesados e criativos, que também variam bastante de acordo com o andamento. As distorções também continuam presentes, o que colabora na criação de uma atmosfera para cada composição.

Tata-se de um álbum bastante diversificado, ora com passagens mais melódicas e lentas, ora com mais peso e velocidade. Mas, desta vez, o Gojira decidiu ousar ainda mais: conforme já mencionado anteriormente, o grupo opta por passagens e andamentos mais progressivos, o que combina até muito bem com os elementos de seu Death Metal. Também, em "Magma", Joe aposta mais em seus vocais limpos, mesclando-os, algumas vezes, com os guturais - conforme podemos ouvir em "Silvera" e na cativante "Stranded", por exemplo. No disco, as linhas de baixo do Jean-Michel Labadie também estão ainda mais evidentes e, juntas à bateria do Mario Duplantier, proporcionam um bom peso nas composições.

Composto por dez faixas, é meio complicado sugerir as melhores, pois cada uma delas possui suas próprias particularidades. Mas, além das já citadas aqui na resenha, podemos mencionar a agressiva e veloz "The Cell", que remete à sonoridade mais antiga do Death Metal do Gojira. A "Yellow Stone" é apenas instrumental com um andamento cadenciado e guitarras distorcidas, servindo de prelúdio para a faixa-título que vem a seguir. A "Magma" representa tudo o que o Gojira quer passar no álbum em geral, dotada de um instrumental atmosférico e, mais uma vez, os vocais limpos estão em evidência. A "Only Pray" é uma das mais pesadas do disco, retornando com os vocais agressivos, mas logo sofre uma brusca e interessante mudança em seu andamento. Já a última faixa "Liberation" possui uma proposta curiosa: ao som instrumental de batuques e de um violão, o Gojira encerra a mensagem que quis passar em "Magma" de maneira calma e acústica.

Com sua imensa diversidade, genialidade e criatividade musical, fica até difícil definir um gênero para o Gojira em seu álbum "Magma". No entanto, isso não importa. Mas uma coisa é certa: o Gojira não peca em criatividade artística! Sem medo de inovar e ousar, o quarteto francês vem moldando a sua identidade aos poucos, em cada lançamento, fazendo-o se destacar pela sua originalidade no atual cenário musical.

Tracklist:

"The Shooting Star"
"Silvera"
"The Cell"
"Stranded"
"Yellow Stone"
"Magma"
"Pray"
"Only Pain"
"Low Lands"
"Liberation"

Line up:
Joe Duplantier - vocal/guitarra
Christian Andreu - guitarra
Jean-Michel Labadie - baixo
Mario Duplantier - bateria


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Sobre Gisela Cardoso

Headbanger, Jornalista, Crítica de Metal, vocalista, instrumentista, anarco-comunista, vegetariana, apaixonada por Mitologia Nórdica e adoradora do Deus Metal. A música me move e as palavras constroem! @GisaGrind.

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