Ocean Collective: Uma Ode às ciências da terra
Resenha - Phanerozoic I; Palaeozoic - Ocean Collective
Por Ricardo Cunha
Postado em 13 de maio de 2019
Nota: 9 ![]()
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Desde 2001, o coletivo de músicos The Ocean, sediado em Berlim/ALE, lançou 7 álbuns de estúdio e um split EP com os músicos japoneses do Mono. Com uma formação marcada pelo rodízio de músicos e artistas visuais dentro e fora do palco, o grupo incorporou essa dinâmica às turnês e tornou-se conhecido por realizar grandes shows ao vivo, que levaram para os cantos mais remotos do globo, de recantos na Sibéria a teatros coloniais no Equador.
Depois de haver lançado meia dúzia de discos explorando as distintas etapas do processo de evolução da terra, o grupo ainda é capaz de surpreender. Para você ter uma ideia, cada título representa uma era e cada uma delas constitui uma narrativa épica sobre as transformações físicas, químicas, biológicas e geográficas do nosso planeta. Em Phanerozoic I: Palaeozoic (2018), a banda simplesmente reveste o planeta em fogo. Todavia, para cada tempestade, um período de bonança e nesse movimento, o ouvinte é literalmente decomposto em parte, suas partes se espalham pelos mais distantes recantos do planeta, para depois se recompor. E esse processo de recomposição ocorre gradativamente, exigindo do ouvinte, uma enorme capacidade de entrar e permanecer em transe. Uma condição básica para entrar em sintonia com a obra e dela extrair o máximo possível. Não é pedir muito para quem se deu a trabalho de compor uma obra de tamanha complexidade, que se abre para quem a ela se doa e se permite enxergar e sentir as camadas, texturas e dinâmicas do álbum. Não precisa entender as letras. Ao entrar em sintonia com a obra, parece que podemos acessar e compreender todo o conjunto de significados aqui presentes.
Ao longo de sua história, o grupo excursionou com Opeth, Mastodon, Mono, The Dillinger Escape Plan, Anathema, Between the Buried and Me e Devin Townsend, além de haver figurado em grandes festivais pelo mundo, incluindo Roskilde, Dour, Pukkelpop, Roadburn, Wacken, With Full Force, Summer Slaughter, Summer Breeze e Graspop. A própria Pelagic Rec, gravadora da banda, cresceu e se tornou um dos principais nomes da Europa quando o assunto é pós-rock e pós-metal, com um catálogo de 120 lançamentos desde 2009.
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