Behemoth: Subvertendo ainda mais a ideia de inocência religiosa

Resenha - I Loved You at Your Darkest - Behemoth

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Por Ricardo Cunha
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Indiscutivelmente uma das melhores bandas da Polônia. o Behemoth foi formado em 1991 por Nergal (Adam Darski), que em meio a muitas mudanças de formação é a constante na banda. Em sua trajetória, a banda experimentou sonoridades diversas partindo do Black Metal primário, influência dos noruegueses; passando pelo composto híbrido de Black e Death Metal que lhe rendeu popularidade no globo; até o Death Metal implacável dos dias atuais.

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A trajetória da banda, nesse sentido, pode ser dividida em 3 momentos que representam transições entre sonoridades. Liricamente, entretanto, sua música é Black Metal em essência.

O primeiro momento é o período compreendido entre os discos And The Forests Dream Eternally EP (1993) e Bewitching The Pomerania EP (1997); o segundo, o período de Pandemonic Incantations (1998) e Thelema.6 (2000); e o terceiro, Zos Kia Cultus - Here And Beyond (2002) até o momento atual.

No decurso desta trajetória, o nome da banda esteve envolvido em mais de um zilhão de controvérsias, onde os destaques vão de curiosidades como "aparecer numa lista de bandas proibidas no ano de 2007" até a "luta de Nergal contra a leucemia entre os anos de 2010 e 2011".

Nergal foi curado após transplante de medula óssea. A despeito dos contratempos vividos do descobrimento da doença até sua completa cura, a mente por trás do Behemoth e sua banda voltaram em 2014 com o The Satanist, aclamado como um dos melhores álbuns da banda.

Quanto a I Loved You at Your Darkest (2018), era apenas uma questão de tempo antes que a banda ousasse inserir um coral infantil em sua música para subverter ainda mais a ideia de inocência religiosa. Em Solve eles o fizeram e com ela devem levar um certo horror a todos os conservadores e ortodoxos de um modo geral; Wolves ov Siberia surge como uma bomba de curto alcance, mas de impacto avassalador; Ecclesia Diabolica Catholica tem um refrão acústico antes de uma crescente cacofonia na qual a música se mantém dilacerante; Bartzabel tem um elemento soturno que te prende a uma espécie de melancolia sinistra com corais hetéreos-infernais; If Crucifixion Was Nor Enough tem uma hamonia simples, mas uma letra que capaz de torturar friamente os corações mais fervorosos; Angelvs XIII é Behemoth em essência: climas apocalípticos, blastbeats caóticos e vocais que preenchem a música como um instrumento a parte; Sabbath Mater tem um conceito obscuro e poético no qual o talento de Nergal para escrever fica latente; Havohej Pantocrator com violões acústicos e guitarras estridentes cria um clímax doomático transcendental; Rom 5_8 remete aos melhores dias do Hypocrisy com umas partes lentas e outras avassaladoras; We Are the Next 1000 Years pesada, violenta e arrogante, nos prepara para a instrumental Coagvla, última canção do disco e uma das mais atormentadoras já feitas pela banda.

Sem concessões, licenças poéticas e/ou pausas pra respirar, a música do Behemoth se mostra uma das mais dinâmicas e poderosas entre as bandas do estilo na atualidade. Mais uma vitória merecida para uma banda que se afastou do esquecimento para soar mais forte do que nunca.


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Sobre Ricardo Cunha

Apaixonado por música e estudante de Filosofia, juntou os interesses para escrever principalmente sobre rock e metal.

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