Vitral: oportuna arqueologia prog rock dos anos oitenta
Resenha - Entre as Estrelas - Vitral
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 20 de fevereiro de 2018
No mundo das artes não faltam histórias de trabalhos "perdidos", seja porque não restaram cópias, seja porque sequer foram concretizados. Quantas bandas não fizeram apenas shows, os quais não foram registrados, portanto, só restam aos musicólogos atuais relatos de integrantes ou espectadores? Fãs ficamos curiosos, mas morremos sem conhecer trabalhos considerados precursores do estilo que amamos.

A cena do rock progressivo brasileiro certamente tem seu quinhão de grupos jamais registrados. Um deles era o Vitral, formado no Rio de Janeiro, no início dos anos 1980, por Alex Benigno (guitarra e teclados), Claudio Dantas (bateria e percussão), Eduardo Aguillar (baixo, teclados e guitarra), Elisa Wiermann (teclados) e Luis Bahia (guitarra e baixo).
A banda atuou por cerca de dois anos e pouquíssimos registros subsistem. Mas, graças à algumas partituras, raras fotos e fitas cassete com gravações domésticas encontradas por Eduardo Aguillar em seu arquivo, surgiu a ideia de produzir um álbum com suas músicas compostas para a banda.
O que a princípio seria trabalho solo, transformou-se na proposta de unir os antigos integrantes para participarem do projeto, convite imediatamente aceito por Claudio Dantas. O Vitral reconstituía-se.

A formação atual é: Claudio Dantas (bateria e percussão), Eduardo Aguillar (teclados), Luiz Zamith (guitarra), Marcus Moura (flautas), Vítor Trope (baixo). Todos experientes na cena prog nacional, tanto em suas carreiras-solo, como em suas participações em bandas como o Bacamarte e Quaterna Réquiem.
O Vitral passou então a arqueologizar sua própria história e trouxe à luz o álbum Entre As Estrelas, lançado pela Masque Records, no final de dezembro. São três faixas, compostas por Eduardo Aguillar entre 1983 e 1985, exceto as 'Estações', constantes da quilométrica canção que nomeia o CD: estas foram escritas em 2016.
Não dá para negar a raiz oitentista do prog do Vitral. Mesmo gravado ano passado, o estilo das composições e mesmo a sonoridade remetem a bandas europeias e latino-americanas da década, que se inspiravam no sinfônico setentista, mas já compunham e tocavam sob o impacto dos novos sintetizadores e da influência de artistas como Jean Michel Jarré.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Pétala de Sangue abre solene, mas não demora nada a apresentar suas verdadeiras cores alegres. Intercalando solos de guitarra, teclado e flauta, há momentos que dá a impressão de trilha sonora para filme de fantasia oitentista ambientado na Idade Média. Dá vontade de cirandar por torneios e feiras do medievo.
Em um álbum inteiramente instrumental, o grande teste vem com a faixa-título, que dura quase 52 minutos e meio. Estivéssemos na época em que a maioria de suas partes foram compostas e não sobraria espaço para as outras duas canções e mesmo ela teria que vir dividida entre os lados 1 e 2 do bolachão de vinil. Entre as Estrelas é constituída de vários segmentos interligados pelas Estações mais recentemente idealizadas. Em sua maioria o clima e andamento são vibrantes, meio de corrida espacial mesmo

Depois de tanto agito, repouso faz-se necessário e então entra a faixa-fecho, Vitral, com seu delicado clima quase litúrgico de pós-medievalidade.
Entre as Estrelas, o álbum, é um achado para quem acompanha a cena prog brasileira, pois recupera material que poderia se perder nas inclementes areias do tempo.
Você pode ouvir o streaming oficial do álbum, no link abaixo:

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