Trivium: A banda por algum motivo não sabe mais como quer soar
Resenha - Sin and the Sentence - Trivium
Por Júlio Brazão
Postado em 25 de novembro de 2017
Enfim lançado em 20 de outubro, em todas as plataformas digitais. A banda traz seu mais novo trabalho recheado de técnica e referências musicais pra todos os lados.
Antes do lançamento propriamente dito, a banda disponibilizou teasers no YouTube com depoimentos dos membros que mais pareciam uma desculpa ou justificativa para o que estava para vir.
Segundo o baixista, Paolo Gregoletto em um desses vídeos, o novo trabalho era algo sobre deixar um legado para a industria musical, que aliás é bem curioso pois geralmente artistas compõem e fazem trabalhos pra se expressar, falar do que sentem, das experiências que vivem, seja na estrada, seja em casa ou em qualquer outra circunstância da vida.
O que deixava aparente que a banda queria de alguma forma já de antemão justificar todo o trabalho que estava por vir. Disponibilizavam pedaços quase irreconhecíveis de músicas ou até de "layers" de gravação e toda aquela artimanha usada pra elevar a expectativa das pessoas em relação a algo.
Enfim divulgado o álbum, o que fica claro é que a banda por algum motivo não sabe mais como quer soar. Todas as músicas seguem uma linha de progressividade excessiva que chega ao ponto de não deixar o ouvinte com uma mísera memória depois de ouvir o álbum de tantas mudanças que as faixas trazem.
Ora flertam com algo mais extremo, ora com sonoridades mais smooth, vocais variam do gutural ao sussurro suave, quase como alguém querendo falar algo no seu ouvido, e não! Essa não é a descrição do álbum em geral, todas as faixas passam essa sensação!
O TRIVIUM é uma banda com uma qualidade técnica inquestionável, todos os seus músicos tem capacidade de executar os mais variados tipos de vertentes existentes na música e no metal em geral, mas pra fazer uma música de verdade é preciso ter coerência, e esse álbum deixa a desejar nesse sentido.
Outra consequência dessa variação extrema de atmosfera nas músicas é a sensação de que em cada música existe um quebra-clímax na hora de ouvir. Começam com um riff matador de heavy clássico e logo trocam a música pra algo mais leve, parecido com grunge, e quando você tá se acostumando com aquela variação, já vem outra variação, com outro ritmo e de repente você não faz mais a mínima idéia do que tá acontecendo.
Talvez toda essa tentativa de parecer uma banda versátil, seja pela falta de foco, seja na hora de compor, ou seja na hora até mesmo de escolher um membro fixo pra ficar no comando das baquetas, visto que o TRIVIUM troca de baterista como quem troca de cueca.
Da banda que lançou trabalhos épicos como Shogun, Ascendancy e In Waves, hoje resta esse último trabalho, que mais parece uma coletânia de lições de instrumentos musicais voltados para o heavy metal. "Aprenda vários ritmos e seja uma lenda do rock, basta comprar este DVD com video-aulas e lições práticas".
A banda não lança trabalhos repetidos, desde o seu primeiro trabalho, Ember To Inferno de 2003 a banda vem evoluindo e variando a sua sonoridade, apenas pecou em querer talvez querer pegar tudo aquilo que os seus fãs queriam e resolver atender a todos os pedidos, como aquele músico de churrascaria que vai de Raul Seixas à Timbalada sem perder o "rebolado".
Pressão da gravadora? Desgaste depois de anos regados à "turnê-estúdio" num loop infinito? Não sabemos. Mas com esse último trabalho, a única impressão que o TRIVIUM deixa é que resolveu fazer um x-tudo misturando feijão com maionese e calda de chocolate.
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