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Álbuns marcantes: Restless and Wild, do Accept

Resenha - Restless and Wild - Accept

Por Ivison Poleto dos Santos
Postado em 25 de novembro de 2017

Esta é uma série de artigos que tive em mente por um bom tempo e que só agora tive a coragem de mandar para frente. Não é para ser uma simples resenha. A intenção é ser muito mais que isso. Quero incluir as memórias afetivas que tive com cada álbum, coisa que com o tempo a gente perdendo. Quero dizer, depois de ouvir tantos álbuns, a gente fica um pouco reticente, até mesmo indiferente. O impacto dos álbuns é muito menor. Quem é jovem há mais tempo como eu sabe do que estou falando. O critério para a escolha é álbuns é eles terem sido pontos de inflexão na carreira das bandas, ou para o próprio Metal. Além disso, tem que haver também uma conexão afetiva.

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Aqui está a lista de álbuns que eu gostaria de cobrir. Como é uma lista, é claro que muitos nomes podem ser controversos (e como o povo adora controvérsias!), portanto estou aceitando sugestões. Vamos pegar o Bathory como exemplo. É uma banda muito importante para o Black Metal. Sei de toda a sua importância, porém não tenho ligações afetivas com a banda. Confesso que não a conheço, apesar de reconhecer a sua importância para o gênero, por esta razão não consigo sugerir nenhum álbum. Dito isso vamos à lista:

1) Black Sabbath - Black Sabbath
2) Accept - Restless And Wild
3) Judas Priest - Sad Wings of Destiny
4) Scorpions - Blackout
5) Venom - Black Metal
6) Carcass - Heartwork
7) Slayer - Show No Mercy
8) Iron Maiden - The Number of the Beast
9) Metallica - Master of Puppets
10) Motorhead - Ace of Spades
11) Kiss - Alive!

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Acho que por enquanto ela é satisfatória. É um bom número de álbuns e que mais ou menos cobrem o assunto - na minha opinião, é claro, que isso fique bem claro. É evidente que quando você abraça uma tarefa desse porte, você tem que se prover de tempo para se dedicar a ela, e tempo é um bem relativamente escasso atualmente. Por esta razão não vou fixar um cronograma.

Começo com "Restless And Wild" do Accept por uma razão muito simples e prática: já estava pronta. Só tive que fazer uns ajustes para caber na proposta.

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Embora o Accept seja uma banda que lançou algumas músicas bem conhecidas e atingiu um considerável sucesso durante os anos 1980, creio que ela é hoje uma espécie de eminência parda do Metal, pois muitos ouviram falar dela, mas poucos a ouviram e a conhecem a fundo. Mais ou menos o que acontecia no meio dos anos 1980 quando eu a conheci.

Então, para começar, o Accept é uma banda alemã fundada em 1976, mas que só lançou seu primeiro trabalho auto-intitulado "Accept" em 1979 apresentando os vocais únicos de Udo Dirkschneider trazendo alguma repercussão para a banda. O álbum seguinte, "I’m a Rebel", foi lançado em 1980, sendo seguindo por "Breaker", em 1981. Para ser honesto, em nenhum destes álbuns o Accept tinha se definido claramente, era mais uma banda que fazia aquele gênero musical que começava a se delinear como metal. Uma exceção deve ser feita ao "Breaker". Nele o Accept começa a engatinhar aquilo que seria o seu estilo mais conhecido. Digo isso principalmente se você conheceu a banda pelo Restless and Wild! No "Breaker" há alguns momentos onde parece que a coisa vai decolar, mas são só alguns momentos. O ápice ocorreria somente no "Restless".

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Em uma pequena busca na web descobri que o álbum foi lançado em 1982 somente na Europa Continental e em 1983 nos Estados Unidos e no Reino Unido. Achei interessante porque ele foi lançado, se não me engano, apenas em 1984 por aqui. Se você achou estranho, saiba que lançamentos internacionais demoravam uma eternidade para serem lançados ainda mais os de rock pesado/metal. Portanto, para o padrão até que demorou pouco. É interessante que na época, a revista Som Três fez uma resenha do álbum destacando que ele foi lançado no Brasil por insistência de seus fãs. Num mau humor para o gênero, normal naquela época, o resenhista fala que os fãs deveriam se preocupar com coisas mais importantes, como a campanha das "Diretas Já" que ganhava corpo no país. Além disso, fez uma crítica ao tom dos bumbos utilizados, sem se notar que se tratavam de dois bumbos.

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Eu o conheci um pouco depois em 1985, para ser mais preciso durante as férias escolares de julho, quando um amigo o comprou e nos mostrou. Caras, foi algo como ser atirado às paredes por uma explosão ao ouvir pela primeira vez "Fast as a Shark"! Fiquei bestificado com a banda! Logo implorei para o amigo emprestá-lo para poder fazer uma fita cassete. Eu lembro que gravei todas as músicas, fato que não era muito comum, pois as fitas também custavam caro. É muito difícil de explicar o que senti por esta banda tão cara para mim. São tantas as memórias e lembranças que fica difícil colocá-las no papel!

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O Accept para mim significa emoção, o que parece até um pouco engraçado, não? Suas músicas, letras, hinos e respeito me cativaram. Além disso, o Accept ousou usar as letras escritas por sua então sua gerente, Gaby Hauke ("Deaffy"), que falavam de sexualidade sob o ponto de vista feminino. Fale a verdade, precisa ter culhões!

Devo dizer que sinto como sendo minha banda. Deixem-me explicar. No nosso grupo de amigos, cada um representava uma banda, um era o Kiss, outro o Judas Priest, um outro o Iron Maiden, outro o Scorpions. Era o Saxon porque foi a primeira banda de metal que conheci e gostei. O Saxon era o poder e a glória… e o Accept a emoção. Meus amigos não sabiam disso. Estou contando somente agora...

Infelizmente, a banda nunca veio para o Brasil contando com a presença de Udo. Acho que o primeiro show foi somente na edição de 2015 do Monsters of Rock à qual não dei muita atenção porque seria com o novo vocalista e nós não imaginávamos que ele tinha o mesmo timbre vocal que o Udo. Chegamos no meio do show e perdemos uma parte da apoteose! Parece que o Udo veio algumas vezes com a sua banda, mas não seria a mesma coisa.

Bom, naquela época ninguém percebeu que "Fast as a Shark" era uma música que mudaria os rumos do Metal criando o chamado Speed Metal. Percebeu-se que era a mais rápida somente! Mas isso já exaustivamente discutido e escrito! Mas o que realmente chamou a atenção foi a bateria à velocidade da luz com dois bumbos. Sim, na época as bandas Punk e da NWOBHM tocavam rápido, mas usando apenas um bumbo. Era uma época que bandas como o Saxon computavam sua velocidade em shows, como aparece nos créditos de "The Eagle Has Landed". O Accept foi uma das primeiras bandas a usar bumbo duplo e o efeito era completamente diferente.

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A técnica de bumbo duplo

A técnica de bumbo duplo não era verdadeiramente uma novidade. Músicos de jazz a têm usado desde as décadas de 1940 e 1950 por artistas como Ray McKinley e Ed Shaughnessy. No rock, ficou popular por meio de bateristas como Ginger Baker do Cream, Mitch Mitchell do the Jimi Hendrix Experience, Keith Moon do The Who e Nick Mason do Pink Floyd.

A maior contribuição de Stefan Kaufmann, além de introduzir a técnica no mundo do Metal, foi a de acelerá-la, o que permitiu às bandas compor músicas muito mais rápidas. Isso não é pouca coisa. A sua contribuição, embora poucos a reconheçam, foi um divisor de águas na técnica de bateria, pois permitiu superar o limite de velocidade que o bumbo único trazia. Creio que nem ele tem a exata noção disso.

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Muitos reputam a Dave Lombardo a popularização da técnica, porém o primeiro álbum do Slayer é de 1983, e o do Accept de 1982.

De volta ao "Restless And Wild"

Uma outra diferença notada foi no timbre mais agudo na distorção das guitarras, também incomum para a época. Achamos que era por causa das Gibson Flying Vs, porém mais tarde o Metallica nos mostrou que não era verdade.

"Restless And Wild" é um álbum cheio de surpresas do ponto de vista musical. Os duetos vocais do Udo se tornaram mais presentes. Sua voz ficou mais rouca e rasgada, permitindo à banda trabalhar com opções mais pesadas nas suas composições. Udo mostrou ao mundo todas as suas habilidades vocais.

Um outro fato marcante no álbum, é que cada uma da dez músicas é completamente diferente uma da outra. Não é um álbum com as mesmas ideias que são repetidas exaustivamente. Isso é bem raro de acontecer. Foi realmente um momento de rara inspiração.

Como todos álbuns marcantes, "Restless And Wild" também tem suas controvérsias. A capa original alemã mostra uma foto de duas guitarras queimando. Por algum motivo desconhecido, alguém resolveu trocá-la quando do lançamento mundial por uma foto ao vivo da banda - na minha opinião muito melhor. É esta versão que foi lançada no Brasil em LP. O CD, eu acho, mantém a capa original alemã. Uma grande perda de identidade.

A faixa "Fast As a Shark" abre com uma música tradicional alemã chamada "Ein Heller und ein Batzen" que é interrompido pelo ruído de uma agulha riscando o disco e com um grito insano de Udo. esta introdução já foi por si só um fato marcante. O grito insano de Udo abriu caminhos para outras bandas fazerem a mesma maluquice. E me fez simplesmente adorar tudo isso. A banda achou que seria apenas uma ponta com um certo senso de humor, e um contraste com o som pesado da sua música. Além disso, há também o fato de que o álbum foi gravado no estúdio do jovem Dieter Dierks com a sua participação vocal. Para a banda era apenas uma brincadeira entre eles. Porém, logo uma controvérsia surgiu: mesmo sendo a música datada de 1830, ela foi uma marcha muito popular na Alemanha nazista e ainda tinha essa conotação para muitos, fato que a banda desconhecia. E nós também.

Em "Restless And Wild," o Accept levou a agressão a um outro nível. O wah-wah cheio de distorção em "Neon Nights" é ridiculamente maravilhoso. "Flash Rocking Man" tem o mais legal uso do cowbell e um ritmo suingado e contagiante que poucas bandas de Metal ousavam ter na época. O riff de guitarra na entrada de "Shake Your Heads" é matador. Simples e pegajoso. A dupla de guitarristas faz um uso maravilhoso das alavancas nela. A voz rasgada de Udo conclui todo o resto. Também pesada, muito pesada. O contraste da velocidade de "Shake Your Heads" e "Fast As a Shark" chama a atenção à criatividade e às habilidades musicais da banda. Wolf está especialmente inspirado nesta faixa. "Ahead of the Pack" mostra onde a banda estava na época: na liderança do bando. Não é possível negar o seu pioneirismo e poder. Novamente o cowbell rouba a tenção em "Don't Go Stealing My Soul Away". O melhor refrão de "Restless and Wild". Um outro riff matador de guitarra. No refrão uma amostra do que o Accept faz melhor: os coros. Mas o melhor fica por último: "Princess of the Dawn". Mais uma vez o duo de guitarras está muito inspirado. As frases são fantásticas e melódicas. De uma melodia que só o Accept sabia fazer na época. A combinação correta de agressão e melodia. As intervenções de Wolf na música também são marcantes. O cara realmente sabe como ornar uma música. E as mudanças de ritmo no meio da música? Não há palavras.

Na minha opinião, uma obra prima do Accept e um dos álbuns mais influentes na história do Metal. Várias bandas beberam nesta fonte. E a influência do Accept foi tão grande que eles se tornaram sinônimo de Metal alemão. E criaram um subgênero: o speed metal. Muito se deve a "Restless And Wild" e notadamente a "Fast As a Shark".

Lista de músicas (do LP, é claro, porque é bem mais legal!):

Lado 1

1. Fast As a Shark
2. Restless and Wild
3. Ahead of the Pack
4. Shake Your Heads
5. Neon Nights

Lado 2

1. Get Ready
2. Demon's Night
3. Flash Rocking Man
4. Don't Go Stealing My Soul Away
5. Princess of the Dawn


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Sobre Ivison Poleto dos Santos

Veterano das guerras metálicas. Pesquisador, escritor, resenhista, músico frustrado (por isso tudo o anterior). Ao contrário da opinião comum, acho que o melhor do Metal ainda está por vir e que existem grandes bandas novas por aí. Só procurar. No meu caso elas vêm até mim.
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