Wael Daou: um trabalho brilhante em cada detalhe
Resenha - Sand Crusader - Wael Daou
Por Junior Frascá
Postado em 29 de maio de 2017
Nota: 10 ![]()
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Finalmente chega ao mercado o novo trabalho do talentosíssimo guitarrista paraense Wael Daou, sem dúvida um dos músicos mais brilhantes de nosso cenário. E desde a apresentação do material, até o seu conteúdo completo, tudo aqui beira à perfeição, o que nos faz concluir desde o início que já se trata de um novo clássico do metal nacional que surge.
O trabalho anterior de Wael, o EP "Ancient Conquerors", já dava mostras de todo o talento do músico, tanto na parte das composições, como na execução das faixas, aliando peso, melodia e técnica com maestria. E, mesmo assim, desta vez o trabalho superou todas as expectativas, sendo daquelas obras de fazer cair o queixo até daqueles com o ouvido bastante calejado no estilo.
Em primeiro lugar, não há como não mencionar que a inclusão de mais vozes nas faixas fez toda a diferença, com ótimas variações, seja nos momentos mais guturais e furiosos (a maioria), seja líricos e emocionais.
Além disso, a variedade sonora aqui presente é impactante, e mesmo sem nunca deixar o peso e a brutalidade de lado, temos diversas incursões nas mais variadas vertentes musicais por aqui, em especial as influências da sonoridade do oriente médio (de onde Wael descende), além de Jazz, Fusion e até new age e música clássica. Cada detalhe parece milimetricamente pensado e executado, tamanha a consonância que tudo exara.
No lado do metal, temos também uma grande gama de subgêneros aqui presentes, como o groove, o death, o metalcore, o thrash, o djent e o progressivo, tudo harmonicamente apresentado, com uma organicidade brilhante.
E tudo isso aliado à competência e ao virtuosismo de Wael (em prol da música em si, e não apenas visando exibicionismos), fazem de "Sand Crusade" uma verdadeira obra prima.
As guitarras pesadíssimas e intricadas (de 08 cordas) de Wael dão a tona em cada uma das 07 faixas do álbum, trazendo claras influências de monstros como Jeff Loomis, Dino Cazares e John Petrucci, mas com uma personalidade própria diferenciada, que já emergia em seu primeiro EP, e aqui flui com muito mais evidência.
"Scourge of Humanity" e "Thorns of Joy" mostram o lado mais extremo do músico, exalando fúria em cada entonação, e com ótimas linhas guturais de Bruno Dourado na primeira, e Leon Ferreira na segunda, além de muita técnica instrumental.
Já a faixa título, embora mantenha o peso, é mais progressiva e introspectiva, com várias mudanças de andamento, além das belas linhas vocais, que aqui contam Eduardo Lobo, Luiz Klaud e Mira Said.
Por sua vez, as duas partes de "The Awakening" (a primeira mais brutal, e a segunda mais progressivos é melódica) são as únicas totalmente instrumentais do material, mostram uma banda entrosada, e Wael esbanjando todo seu talento, com riffs e solos matadores.
Finalizando o trabalho, a magistral e épica "Power to Believe" (na qual o instrumental prevalece, havendo apenas alguns diálogos de vozes), que mescla um peso cavalar, com momentos mais claros e intimistas, e a emocional "Mira", com arranjos belíssimos e tocantes mostram que realmente temos em mão uma obra muito especial.
Mas não é só, meu caro amigo leitor, pois temos ainda aqui 02 discos bônus. Sim, isso mesmo, o lançamento aqui é um material triplo, embalado em um belíssimo digipack, com arte maravilhosa (para varia) de Gustavo Sazes.
No CD2, temos novas versões das músicas lançadas no EP "Ancient Conquerors", que aqui ficaram ainda mais matadoras e melhor produzidas. Já o disco três é um DVD coom as versões animadas de todas as faixas do CD1, além de três playthroughs, tudo repleto novamente de artes exclusivas de Sazes.
Assim, fica claro que temos aqui um trabalho fantástico, que supera todas as expectativas, com um grau de profissionalismo de causar inveja a artistas já consagrados, inclusive do mercado nacional, e que entra facilmente como um dos melhores álbuns de 2017.
E, sem rasgação de seda, só nos resta aplaudir de pé Wael Daou, e escutar o álbum como se não houvesse amanhã...
Sand Crusade - Wael Daou
(Independente)
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