Dio: "Sacred Heart", outra obra-prima feita pelo mestre da voz

Resenha - Sacred Heart - Dio

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Por Gleison Junior
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Para iniciarmos de fato a impressão que “Sacred Heart”, terceiro álbum de estúdio da carreira solo do vocalista, é necessário ponderar alguns pontos fundamentais, o primeiro deles é que após sua saída do Black Sabbath, muitos o tinham como um vocalista pretensioso e que não iria durar por muito tempo sem o alcance de um grande grupo por trás de sua voz, mas o “baixinho” provou logo em sua estreia, com o álbum Holy Diver (1983), que as dúvidas não iriam ser um problema, tanto que na sequencia o mestre Dio, lançou outro aclamado é clássico absoluto do Heavy Metal, The Last In Line (1984), deixando claro que música boa e de qualidade ele sempre iria fazer.

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O grande problema da carreira de Ronnie foi seu gênio difícil de lidar, exigente e muito perfeccionista, o músico que já dividiu os palcos com guitarristas como Toni Yommi e Richie Blackmore, era exigente no andamento e criação das harmonias musicais de sua carreira, tanto que em “Sacred Heart” a banda sofreu problemas de relacionamento, entre eles, o mais grave se deu com o prodígio guitarrista Vivian Campbel, que durante as gravações do álbum, quis apresentar novas ideias para o vocalista que de imediato rechaçou todas, criando um conflito de egos, de um lado a maior voz do momento e do outro um dos guitarristas com maior potencial há sua época, esse conflito gerou durante a turnê de divulgação do álbum, a saída de Vivian Campbel e a entrada de Craig Goldy.

O disco em si é outra obra-prima feita pelo mestre da voz, claro que não supera os dois primeiros, mas Dio estava em forma, em plena criatividade como letrista, com todas as ideias planejadas e o principal, ele sábia exatamente o que queria, o disco pode apresentar um momento menos inspirado, mas não o suficiente para que ele seja criticado.

Logo de início a rápida e empolgante “King of Rock and Roll”, um fato que para mim ate hoje é inexplicável, é como ele conseguia uma timbragem única para suas músicas, os instrumentais por mais dissonantes que sejam se encontra em perfeita harmonia, o groove criado por Dio é algo assustador e inconfundível. Aqui ele já de cara prova ser “O Reio do Rock And Roll”.

Sacred Heart é ou não é um clássico absoluto da carreira do músico? A música é um épico emocionante, sua voz embargada em paixão elava o sentimento de qualquer ouvinte, quem nunca cantarolou os refrões da música, se imaginando estar no lugar da lenda? Um fator importante ao analisar a parte técnica, é que, é nítido que após sua passagem pelo Sabbath, o vocalista trouxe muita influência das bases criadas por Toni Yommi e Geezer Butler, basta prestar atenção nas linhas de baixo e nos riffs , que logo irá se lembras de “Mob Rules”.

Cheia de “punch” e com cara de Rock and Roll, “Another Life”, possui quebradas empolgantes, letra dinâmica e andamento cheio de variações, mas sempre com a proposta de ser uma música mais na cara e direta. Como não imaginar duas correntes sendo comprimidas por uma tonelada de aço com as braçadas de Vinny Appice na bateria.

Flertando com o Hard Rock e o Heavy Metal, a lindíssima e cheia de emoção, “Rock’ n ‘ Roll Children”, essa música possui um dos refrões mais marcantes da carreira do músico, a música em si é construída nas bases dos teclados, que direcionam a atmosfera musical de toda a faixa, destaque para o guitarrista Vivian Campbel que executa um dos solos mais bonitos de todo o álbum. Acho que a voz de Dio dispensa qualquer comentário, não é mesmo?

Outra música que foi apresentada ate a ultima turnê da carreira solo do baixinho, se tornando um clássico de sua carreira, “Hungry For Heaven”, é outra que facilmente irá alimentar o sentimento nostálgico nos “bangers” que sentem a falta desse grande músico, uma música cantada aos coros, é importante detalhar a importância que Ronnie James Dio, dava ao refrão, tanto que ele sempre o fazia de forma que o público pudesse cantar junto a ele nas apresentações. A música em si é mais uma aula de competência e gigantismo desse cara.

Mais com cara de Black Sabbath, “Like the Beast of A Heart”, tem todo aquele punch Doom/Groove, criado para os discos que o vocalista interpretou quando estava a frente do grupo britânico, mais riffs, menos solos, mais bases e contra tempos, menos liberdade e variações. Uma música mais simples, mas que ainda sim se faz merecedora de estar nesse álbum.

Rápida e com uma batida envolvente, essa é a injustiçada “Just Another Day”, explico o porque, Dio não gostava de tocar essa faixa nos shows, por achar ela muito simples e sem criatividade, discordo do mestre, mas se ele disse isso, quem sou eu para questionar. Ainda sim acho uma bela canção!

“Fallen Angels” em todo o contexto do álbum é a música mais fraca, não que isso queira dizer que a música é ruim, muito pelo contrário, mas ao analisar a faixa, percebemos que Dio canta de forma diferente de todo o álbum, sua voz está mais afônica nas bases harmônicas e mais estridente que o comum nas partes altas, sem contar que ele em certos momentos, poucos por sinal, soa mais debochado que o comum.

Encerrando o álbum “Shoot Shoot”, outra faixa forte e com destaque para as mudanças rítmicas, hora mais pesada e grave, outras mais harmônicas e melódicas, coisas que somente Dio conseguia criar com tamanha destreza, o solo de Viviam Campbel no meio da música também tira o ar, uma faixa linda e emocionante.

Sacred Heart é um disco de tamanha importância, que mesmo após seu lançamento, exatos 27 anos depois, o disco ganhou uma edição de luxo da “Universal Music Catalog” que oferecia um disco bônus, o EP ao vivo Intermission de 1986.

Dio é para muitos a maior voz já nascida na história do Metal, um homem que jamais terá outro a sua altura, o criador do sinal dos chifres com os dedos, a lenda que transformou e manteve a grandeza de gigantes como Black Sabbath e Rainbow, o ser que além de ser era simplesmente um DEUS.

Track-List:

01 – King of Rock and Roll
02 – Sacred Heart
03 – Another Life
04 – Rock ‘n’ Roll Children
05 – Hungry for Heaven
06 – Like the Beast of A Heart
07 – Just Another Day
08 – Fallen Angels
09 – Shoot Shoot

Formação: Dio

Ronnie Jamer Dio – Vocal
Vivian Campbel – Guitarra
Jimmy Bain – Baixo
Vinny Appice – Bateria

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Sobre Gleison Junior

Casado, Pai do Gustavo e do Bernardo - Amante do bom e velho Rock and Roll - Apresentador do programa Roadie metal, A Voz do Rock e idealizador das coletâneas Roadie Metal, além de criar e administrar o site Roadie Metal!

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