Dio: "Sacred Heart", outra obra-prima feita pelo mestre da voz

Resenha - Sacred Heart - Dio

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Gleison Junior
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Para iniciarmos de fato a impressão que “Sacred Heart”, terceiro álbum de estúdio da carreira solo do vocalista, é necessário ponderar alguns pontos fundamentais, o primeiro deles é que após sua saída do Black Sabbath, muitos o tinham como um vocalista pretensioso e que não iria durar por muito tempo sem o alcance de um grande grupo por trás de sua voz, mas o “baixinho” provou logo em sua estreia, com o álbum Holy Diver (1983), que as dúvidas não iriam ser um problema, tanto que na sequencia o mestre Dio, lançou outro aclamado é clássico absoluto do Heavy Metal, The Last In Line (1984), deixando claro que música boa e de qualidade ele sempre iria fazer.

280 acessosEm 07/09/2004: Dio lança o álbum Master Of The Moon5000 acessosBandas Novas: 10 coisas que vocês jamais devem dizer no palco

O grande problema da carreira de Ronnie foi seu gênio difícil de lidar, exigente e muito perfeccionista, o músico que já dividiu os palcos com guitarristas como Toni Yommi e Richie Blackmore, era exigente no andamento e criação das harmonias musicais de sua carreira, tanto que em “Sacred Heart” a banda sofreu problemas de relacionamento, entre eles, o mais grave se deu com o prodígio guitarrista Vivian Campbel, que durante as gravações do álbum, quis apresentar novas ideias para o vocalista que de imediato rechaçou todas, criando um conflito de egos, de um lado a maior voz do momento e do outro um dos guitarristas com maior potencial há sua época, esse conflito gerou durante a turnê de divulgação do álbum, a saída de Vivian Campbel e a entrada de Craig Goldy.

O disco em si é outra obra-prima feita pelo mestre da voz, claro que não supera os dois primeiros, mas Dio estava em forma, em plena criatividade como letrista, com todas as ideias planejadas e o principal, ele sábia exatamente o que queria, o disco pode apresentar um momento menos inspirado, mas não o suficiente para que ele seja criticado.

Logo de início a rápida e empolgante “King of Rock and Roll”, um fato que para mim ate hoje é inexplicável, é como ele conseguia uma timbragem única para suas músicas, os instrumentais por mais dissonantes que sejam se encontra em perfeita harmonia, o groove criado por Dio é algo assustador e inconfundível. Aqui ele já de cara prova ser “O Reio do Rock And Roll”.

Sacred Heart é ou não é um clássico absoluto da carreira do músico? A música é um épico emocionante, sua voz embargada em paixão elava o sentimento de qualquer ouvinte, quem nunca cantarolou os refrões da música, se imaginando estar no lugar da lenda? Um fator importante ao analisar a parte técnica, é que, é nítido que após sua passagem pelo Sabbath, o vocalista trouxe muita influência das bases criadas por Toni Yommi e Geezer Butler, basta prestar atenção nas linhas de baixo e nos riffs , que logo irá se lembras de “Mob Rules”.

Cheia de “punch” e com cara de Rock and Roll, “Another Life”, possui quebradas empolgantes, letra dinâmica e andamento cheio de variações, mas sempre com a proposta de ser uma música mais na cara e direta. Como não imaginar duas correntes sendo comprimidas por uma tonelada de aço com as braçadas de Vinny Appice na bateria.

Flertando com o Hard Rock e o Heavy Metal, a lindíssima e cheia de emoção, “Rock’ n ‘ Roll Children”, essa música possui um dos refrões mais marcantes da carreira do músico, a música em si é construída nas bases dos teclados, que direcionam a atmosfera musical de toda a faixa, destaque para o guitarrista Vivian Campbel que executa um dos solos mais bonitos de todo o álbum. Acho que a voz de Dio dispensa qualquer comentário, não é mesmo?

Outra música que foi apresentada ate a ultima turnê da carreira solo do baixinho, se tornando um clássico de sua carreira, “Hungry For Heaven”, é outra que facilmente irá alimentar o sentimento nostálgico nos “bangers” que sentem a falta desse grande músico, uma música cantada aos coros, é importante detalhar a importância que Ronnie James Dio, dava ao refrão, tanto que ele sempre o fazia de forma que o público pudesse cantar junto a ele nas apresentações. A música em si é mais uma aula de competência e gigantismo desse cara.

Mais com cara de Black Sabbath, “Like the Beast of A Heart”, tem todo aquele punch Doom/Groove, criado para os discos que o vocalista interpretou quando estava a frente do grupo britânico, mais riffs, menos solos, mais bases e contra tempos, menos liberdade e variações. Uma música mais simples, mas que ainda sim se faz merecedora de estar nesse álbum.

Rápida e com uma batida envolvente, essa é a injustiçada “Just Another Day”, explico o porque, Dio não gostava de tocar essa faixa nos shows, por achar ela muito simples e sem criatividade, discordo do mestre, mas se ele disse isso, quem sou eu para questionar. Ainda sim acho uma bela canção!

“Fallen Angels” em todo o contexto do álbum é a música mais fraca, não que isso queira dizer que a música é ruim, muito pelo contrário, mas ao analisar a faixa, percebemos que Dio canta de forma diferente de todo o álbum, sua voz está mais afônica nas bases harmônicas e mais estridente que o comum nas partes altas, sem contar que ele em certos momentos, poucos por sinal, soa mais debochado que o comum.

Encerrando o álbum “Shoot Shoot”, outra faixa forte e com destaque para as mudanças rítmicas, hora mais pesada e grave, outras mais harmônicas e melódicas, coisas que somente Dio conseguia criar com tamanha destreza, o solo de Viviam Campbel no meio da música também tira o ar, uma faixa linda e emocionante.

Sacred Heart é um disco de tamanha importância, que mesmo após seu lançamento, exatos 27 anos depois, o disco ganhou uma edição de luxo da “Universal Music Catalog” que oferecia um disco bônus, o EP ao vivo Intermission de 1986.

Dio é para muitos a maior voz já nascida na história do Metal, um homem que jamais terá outro a sua altura, o criador do sinal dos chifres com os dedos, a lenda que transformou e manteve a grandeza de gigantes como Black Sabbath e Rainbow, o ser que além de ser era simplesmente um DEUS.

Track-List:

01 – King of Rock and Roll
02 – Sacred Heart
03 – Another Life
04 – Rock ‘n’ Roll Children
05 – Hungry for Heaven
06 – Like the Beast of A Heart
07 – Just Another Day
08 – Fallen Angels
09 – Shoot Shoot

Formação: Dio

Ronnie Jamer Dio – Vocal
Vivian Campbel – Guitarra
Jimmy Bain – Baixo
Vinny Appice – Bateria

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Mais comentários na Fanpage do site, no link abaixo:

Post de 15 de abril de 2017

Clube do RockClube do Rock
Bandas que trocaram vocalista e continuaram bem

280 acessosEm 07/09/2004: Dio lança o álbum Master Of The Moon835 acessosDio: Doug Aldrich diz ter demo inédita com cantor276 acessosEm 15/08/1985: Dio lança o álbum Sacred Heart785 acessosLady Evil: "Holy Diver", de Dio, ganha versão de banda paulista0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Dio"

Rock e MetalRock e Metal
Doze ótimos álbuns para iniciantes

DioDio
Ritchie Blackmore não falava com ele, até que um dia...

MetallicaMetallica
"Master of Puppets" é eleito o álbum de metal mais influente

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Dio"

Bandas NovasBandas Novas
10 coisas que vocês jamais devem dizer no palco

HeadbangersHeadbangers
O preconceito mostrado em vídeo bem-humorado

Capas de álbunsCapas de álbuns
30 das piores artes da história

5000 acessosDeath On Two Legs: a declaração de ódio de Freddie Mercury5000 acessosFotos de Infância: Steven Tyler, do Aerosmith5000 acessosHeavy Metal: as 10 capas mais "de macho" de todos os tempos4035 acessosPra ouvir e discutir: os melhores discos lançados em 19985000 acessosGuns N' Roses: em vídeos, dez momentos mais destruidores da banda5000 acessosTributo a Randy Rhoads: ouça "Crazy Train" com Serj Tankian e time de estrelas

Sobre Gleison Junior

Casado, Pai do Gustavo e do Bernardo - Amante do bom e velho Rock and Roll - Apresentador do programa Roadie metal, A Voz do Rock e idealizador das coletâneas Roadie Metal, além de criar e administrar o site Roadie Metal!

Mais matérias de Gleison Junior no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em junho: 1.119.872 visitantes, 2.427.684 visitas, 5.635.845 pageviews.

Usuários online