Cosmo Drah: O grande álbum de estréia da banda
Resenha - Cosmo Drah - Cosmo Drah
Por Alexandre Campos Capitão
Postado em 25 de setembro de 2016
O primeiro e autointitulado disco do Cosmo Drah apresenta uma banda surpreendente, que traz os melhores elementos que remetem às grandes bandas como Uriah Heep, Sabbath, Captain Beyond. Canções inspiradas, com mudanças de andamento, dinâmica, e ambientadas num clima de jam session, tornam esse álbum uma grande estreia.
Formado por Ruben Yanelli (vocal), Anderson Ziemmer (guitarra e backing vocal), e a cozinha dos irmãos Elton Amorim (baixo) e Renato Amorim (bateria). O Cosmo Drah adotou o português como língua, e ao ouvi-los, além de pensarmos em grandes nomes internacionais, também nos lembramos de Mutantes, Patrulha do Espaço, Casa das Máquinas.
A bateria abre os trabalhos, e já na primeira faixa temos um resumo de tudo que essa banda tem a oferecer. Logo de cara, você encontra tudo ali, sem cartas escondidas na manga. Timbres inspirados, solo sem base, poucos overdubs de guitarra, mudança de andamento. A propósito, o título Labirinto é bastante apropriado. O Cosmo Drah entrou nesse labirinto chamado 60/70 e não encontrou e nem quer encontrar a saída, e lá fincaram sua bandeira.
Na sequência vem Hospício, que apresenta uma percussão bem colocada. E se repete uma característica positiva da banda, a mudança no andamento e da dinâmica durante o solo de guitarra. Ah, como são bons nisso.
O Poder é a faixa mais blues do álbum. A condução no aro da caixa segue até o final do primeiro refrão, quando entra toda a bateria e a canção cresce. "O que eu posso fazer, a não ser dizer: Deus me livre do poder".
Subversão aos meus ouvidos é o ponto alto desse trabalho. Novamente a dinâmica se destaca. O baixista Elton também faz um órgão nessa canção, acrescentando muito à versão final. E o guitarrista Anderson mostra o quanto é valiosa sua mão direita.
Cosmo Drah me faz pensar, a canção deu nome à banda, ou à banda deu nome à canção? O que eu sei de fato é que o wah deu uma bela embalagem para o riff principal. Dessa vez o solo veio com efeitos interessantes, e sem guitarra base, remetendo ao que aconteceria ao vivo. É muito interessante ouvir várias camadas de guitarra, mas aqui não é de quantidade que estamos falando, mas sim de qualidade. Cosmo Drah, a música, tem ainda um trecho com dedilhado, coral, o que nos faz constatar que Cosmo Drah, a banda, tem muitos recursos que domina e que enriquecem sua música. E não hesita em usá-los.
Caos tem um dos melhores riffs do disco. O trabalho de baixo e bateria é muito consistente, e aqui faço uma nova pergunta, será que o fato de serem irmãos contribui pra força desse trabalho conjunto?
Nova Estação se inicia com um timbre de guitarra diferente dos demais. E o refrão com um clima bluesy "Porque é difícil de entender que eu tenho vida longe de você". E o wah trabalhando muito novamente.
Salamandrah (opa, olha o Drah aí) começa com cara de balada, mas vai além, apresentando momentos de Stoner Rock e outros com um clima dramático. Renato Amorim desce a mão na batera, sem dó do couro.
A balada enfim aparece em Velhos Mestres. E Elton novamente mostra sua versatilidade, novamente no órgão, mas também com um solo de violão. E se você é daqueles que fogem de balada, pode destorcer o nariz, pois aqui é tudo está em nível elevadíssimo.
Mágica do Tempo apresenta alguns momentos de diálogo guitarra com bateria, na sua condução, em outro dos grandes ápices desse cd. "Na poeira do passado escrevemos o futuro".
Os 55 minutos desse álbum se encerram com Roedor Renegado, faixa cantada pelo guitarrista da banda. Aquele momento que ao vivo o vocalista vai buscar uma cerveja. Se os Stones fazem isso, o Cosmo Drah também pode. E tenho dito. Aliás, timbre de voz de Ruben casa perfeitamente com o estilo da banda, e suas linhas vocais costuram com habilidade o trabalho dos seus companheiros.
O Cosmo Drah é uma bandaça, amigo. Todos seus integrantes se destacam em igualdade. Suas canções chamam a atenção pela riqueza nos arranjos, variações, e até pelo seu tamanho, geralmente com mais de 5 minutos, afinal, não há razão para serem curtas se os caras sabem como preencher sem entediar. O cd foi muito bem produzido, traz uma capa muito interessante, representando seu conteúdo, e traz as letras das canções. Além desse texto:
"O registro de quem somos e do que fomos aqui se encontra. Daquilo que desejamos, lutamos, criticamos e amamos, deixamos uma parte. Fazer algo que queríamos ouvir é mais difícil do que se pensa. Ao compor cada um de nós se torna admirador e ao mesmo tempo algoz. Custou-nos alguns anos, planos e sacrifícios". Verdadeiro como os grandes artistas devem ser.
Encontrei no Wikipédia a seguinte definição para Cosmo "é um termo que designa o universo em seu conjunto, toda a estrutura universal em sua totalidade". É adequado dizer que o Cosmo Drah concentra em sua música a totalidade dos elementos que fizeram o rock mudar o universo. Uma sonoridade madura e consistente, que você precisa conhecer. Vida longa ao Cosmo Drah.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Hellfest vem aí e confirma 182 bandas em 4 dias de shows
A música do Deep Purple que cutucava os "guardiões da moral" dos anos 70
"Eu não erro nunca", disse Mikkey Dee ao entrar no Scorpions
A primeira música que o Queen tocou quatro anos antes de transformá-la em clássico
A música do Metallica de 1984 que James Hetfield não quer ver nem pintada de dourado
CDM Metal Fest - Metal como resistência cultural no Sul de Minas Gerais
Tarja Turunen precisou deixar a Finlândia após demissão do Nightwish
7 clássicos do rock nacional lançados em 1994 que são lembrados até hoje
O clássico do Slayer que é faixa de um álbum "terrível", segundo a Metal Hammer
Angra anuncia bandas convidadas para shows em São Paulo
As cinco melhores músicas do Iron Maiden, em lista da Revolver Magazine
A melhor banda de todos os tempos, segundo os leitores da Classic Rock
O trabalho desajeitado de Jimmy Page na guitarra que conquistou Robert Plant
O melhor riff de guitarra de todos os tempos, segundo Keith Richards: "Ele disse tudo ali"
Festival Best of Blues and Rock tem edição 2026 confirmada
O baterista que humilhou John Bonham, mas era idolatrado pelo músico do Led Zeppelin
A única banda Punk que Ozzy Osbourne gostou, apesar de criticar o vocalista
Roqueiro transforma casa em "museu do rock" e decoração sinistra afasta carteiros e lixeiros


Tarja Turunen: Frisson Noir - o álbum que os fãs sempre quiseram ouvir
Immolation anuncia a rápida e iminente autodestruição da humanidade no ótimo "Descent"
Michael Jackson - "Thriller" é clássico. Mas é mesmo uma obra-prima?
"Out of This World" do Europe não é "hair metal". É AOR
Dio: Quem fez mágica ou pisou na bola no novo tributo



