Nevermore: Um dos melhores álbuns de thrash metal de seu tempo
Resenha - Godless Endeavor - Nevermore
Por MATHEUS BERNARDES FERREIRA
Postado em 31 de agosto de 2016
Sexto álbum da banda estadunidense de thrash / power metal Nevermore, "This Godless Endeavor" tem a missão de resgatar o prestígio da banda após o contestado "Enemies of Reality" lançado em 2003. A primeira ação da banda nesse intuito foi trazer de volta o produtor Andy Sneap, que parece ter nascido para produzir os álbuns do Nevermore, tamanha a qualidade sonora que ele obtém nos trabalhos da banda. A segunda ação foi trazer um novo guitarrista para auxiliar Jeff Loomis nos duetos de guitarra, tanto nos solos quanto na base. Steve Smyth (Forbidden) atendeu prontamente ao chamado e constituiu junto de Loomis uma dupla extraordinária, que não precisou de tempo algum para se entrosar.
A lamuriante voz de Warrel Dane ainda se faz presente para adicionar um questionável elemento exótico à composição. Enquanto o contrabaixo de Jim Sheppard não adiciona nem compromete, a bateria de Van Williams nunca esteve tão endiabrada. Logo na primeira faixa, "Born", a metralhadora de blast-beats em compasso com os maldosos riffs de guitarra convida o ouvinte para entrar na enfurecida trituração nevermoriana. Entretanto, "Born" não se resume apenas à "tec-tec-tec". Possui ótimas melodias, principalmente a do refrão, um solo espetacular e diversas alternâncias rítmicas, sendo de uma pluralidade que permite ouvi-la várias vezes sem que se torne cansativa. Uma das raras faixas em que Dane conseguiu se destacar positivamente, alternando vários tipos de vocais que casaram perfeitamente com as diferentes levadas da música.
O mesmo não pode ser dito do restante do álbum. Parece que Warrel Dane se esforça para esculachar todas as músicas ao cantá-las com seu irritante vocal choroso que em alguns momentos lembra a voz bisonha de Jarno Perätalo. Nas faixas "Final Product" e "My Acid Words" o excelente instrumental ainda prevalece, mas daí pra frente o álbum desanda. Loomis, Smyth e Williams se esforçam para compor um inspirado thrash / power metal somente para ser avacalhado por Dane, talvez apenas com exceção de "Sentient 6", que é horrorosa em todos os sentidos. É difícil imaginar onde diabos Warrel Dane estava com a cabeça quando achou bonito juntar a sua mais patética voz de lamurio com uma pobre levada em piano, e ainda conseguir levantar graves suspeitas de plágio de uma conhecida banda de power metal alemã e outra conhecida banda de heavy metal britânica. Uma verdadeira façanha.
As faixas "Bittersweet Feast" e "Medicated Nation" até mantêm a pegada pesada do álbum, mas são excessivamente cadenciadas, repetitivas e sem inspiração. Sr. Dane pensou que músicas tão fracas mereciam vocais mais patéticos ainda, e então compôs melodias de vocal tão penosas que chegam ao repulsivo. Não sei qual verso soa mais nauseante, se "and swallowed the poison thruuuth" ou "do you remember to feeeed meeee". O que mais intriga é perceber que a proposta deles em provocar essa repulsão me pareceu deliberada visto o nome das músicas e seus temas.
A instrumental "The Holocaust of Thought" traz um inusitado solo de guitarra de James Murphy sobre uma batida drum ‘n bass composta por Jim Sheppard, e que escapa do conceito agressivo do álbum. O gingado da música tem seus méritos, contagia. Pena que ela não se desenvolve, sendo muito curta e deixa a sensação que poderia ter sido melhor explorada. O começo acústico de "Sell my Heart for Stones" já indica que o ouvinte vai ter de esperar mais uma faixa para voltar a ouvir a pegada nevermoriana tradicional. Aqui as guitarras estão mais distorcidas que o comum, os vocais mais arrastados e a coisa toda soa uma mistura de Black Sabbath com alguma psicodelia Floydiana. Faixa inusitada.
Nas ultimas três músicas o ritmo volta a acelerar e Dane resolve se comportar, a começar pela boa "The Psal of Lydia", faixa dominada por riffs de thrash metal tradicional oitentista. A surpreendente "A Future Uncertain" alia ótimos riffs metálicos com influências do rock progressivo. É nela que o contrabaixo de Jim Sheppard consegue algum destaque ao trazer ótimas linhas e compassos marcantes. Destaque também para o trecho acústico no final do solo de guitarra que muito lembra os canadenses do Rush.
Para fechar o álbum, a música homônima abre com breves dedilhados acústicos para então desabrochar numa das mais imponentes sequências de riffs composto pela banda. Melódica, agressiva, técnica, explosiva, This "Godless Endeavor" submete qualquer ouvinte fã de thrash metal em adorador incondicional de seu êxtase musical. Warrel Dane finalmente volta a ser um destaque positivo, mesclando perfeitamente suas diferentes vozes ao longo da faixa, utilizando-se de coros para criar um clima épico, e finalizando a faixa com uma incrível sequência de versos rematados num surpreendente falsete. Encerramento brilhante.
Por mais que o álbum possua faixas espetaculares que possam ser elencadas entre as melhores da carreira do grupo, por outro lado, temos faixas irreconhecíveis. A incapacidade da banda de criar álbuns consistentes está totalmente relacionada ao desempenho de Warrel Dane a frente do microfone. Infelizmente, em "This Godless Endeavor" não foi diferente. O abismo que separa qualitativamente as faixas é decorrência quase exclusiva dos excessos megalomaníacos de Dane, já que se fôssemos avaliar estritamente o instrumental do álbum, veremos que ele oscila muito pouco. O álbum tem pegada, os riffs estão ótimos, as melodias são cativantes, mas tentar ouvi-lo repetidas vezes se torna uma experiência sofrível por causa dos inúmeros versos em que Dane apresenta sua pungente choradeira melodramática.
Quem conseguir tolerar ou mesmo simpatizar-se com vocal de Warrel Dane, certamente encontrará em "This Godless Endeavor" um dos melhores álbuns de thrash metal de seu tempo. E mesmo a quem o vocal não agrade totalmente, deverá encontrar em "Born" e na faixa-título duas músicas obrigatórias do gênero.
Nevermore
This Godless Endeavor, 2005
Thrash Power Metal (EUA)
Lista de músicas:
Born (5:05)
Final Product (4:21)
My Acid Words (5:41)
Bittersweet Feast (5:01)
Sentient 6 (6:58)
Medicated Nation (4:01)
The Holocaust of Thought (1:27)
Sell My Heart for Stones (5:18)
The Psalm of Lydia (4:16)
A Future Uncertain (6:07)
This Godless Endeavor (8:55)
Tempo total: 57:18
Músicos:
Warrel Dane / Vocal
Jeff Loomis / guitarra
Steve Smyth / guitarra
Jim Sheppard / contrabaixo
Van Williams / bateria
Músicos convidados:
James Murphy / guitarra
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