Blackmore's Night: Para quem curte a boa música celta medieval

Resenha - All Our Yesterdays - Blackmore's Night

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz
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Nota: 8

Vamos aproveitar o bem vindo retorno do Rainbow, para falar de outro projeto envolvendo o grande e icônico guitarrista Ritchie Blackmore, o Blackmore's Night. O duo inglês de música folk e arranjos celtas misturados com sonoridades pop e eventuais incursões no Rock vem se destacando desde os anos 90, contando com o grande e histórico talento do guitarrista, os dotes vocais excelentes de sua esposa Candice Night e uma banda de apoio invejável. Em seu novo lançamento de Setembro de 2015, All Our Yesterdays, todas estas características são mantidas e novamente seguidas à risca.

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Antes de mais nada, um pitaco sobre Blackmore. Quer você ache ele esquentado, ou um mala sem alça, ou não, não se pode negar que ele exerceu influência definitiva e obrigatória no Hard Rock inglês, e desde os anos 70, tem feito escola com seus inesquecíveis riffs e frases de guitarra. Então veio a metade dos anos 90 e tudo isso mudaria. Blackmore deixaria de ser um músico e guitarrista de Hard Rock e passaria a ser um menestrel da música folk, com incursões na música celta medieval.

Teve muito fã que abriu o berreiro e não gostou muito da mudança, mas eu achei positiva, especialmente após toda tempestade com os seus antigos membros do Deep Purple. Além disso, este passo permitiu a Blackmore explorar horizontes musicais diferentes. E como eu gosto bastante de música celta, achei a proposta bem legal, e tem gerado ótimos discos e músicas memoráveis. Sim, não vou negar, algumas músicas são exageradamente açucaradas e meio cafonas, mas no geral, o saldo é positivo, pois evoca toda aquela atmosfera de tempos de reis e camponeses, típica dos países do Reino Unido.

As lembranças mais imediatas do Blackmore's Night sempre me vem dos seus primeiros discos, especialmente o Fires at Midnight (2001) e o belíssimo Ghost of a Rose (2003). Dos dois últimos álbuns, eu lembro de alguma coisa somente, meio que não dei tanta atenção a eles, estava meio desligado e ouvia esses dois últimos meio no automático, preocupado com outras coisas; preciso revisitá-los, faz um tempinho que não paro para ouvir com atenção as melodias celtas de Blackmore. Decidi portanto, retomar a partir deste novo álbum. O título do disco não poderia ser mais exato, pois representa, na sonoridade, tudo aquilo que o duo vem fazendo nos últimos anos, sem mudança alguma.

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O álbum abre com uma marchinha celta que é a música título, "All Our Yesterdays", coisa típica do estilo do duo, que vemos desde os primeiros discos. Na segunda faixa, "Allan Yn N Fan", podemos perceber os clássicos arranjos pelas quais Blackmore ficou conhecido na sua época de Purple. "Darker Shade of Black" é uma balada instrumental com arranjos bem típicos das músicas pop dos anos 60, especialmente no que tange bandas como Jethro Tull, ELP e coisas do tipo; "Moonlight Shadow", cover de Mike Oldfield, já mostra o lado mais Pop do duo, dando mais espaço para Candice se destacar. Outra cover que eu gostei bastante, até porque acho essa música belíssima, é a cover de "I Got You Babe", do duo Sonny & Cher. Essa música, para quem se lembra, figurou no filme Groundhog Day (Feitiço do Tempo), estrelando Bill Murray, e é uma composição fantástica, que ficou ainda melhor aqui com os arranjos de Blackmore.

"The Other Side" é o tipo de arranjo musical que gosto mais de escutar do Blackmore's Night, com trechos soturnos alternados a arranjos leves, e as incursões medievais e celtas que caracterizam o som do duo. Segue com "Queen's Lament", uma instrumental só com Blackmore e seus arpejos apaixonantes ao violão e logo após o duo engata uma mais puxada para o Pop-Rock, "Where Are We Going from Here", que dá espaço para Blackmore se destacar novamente. "Will O' the Wisp" é mais uma baladinha ritmada ao violão com aquele som ao fundo de gaita de fólio, que eu curto ouvir do duo. Eu sempre fico ouvindo essas composições deles e tentando tocar algo no violão, acho bastante legal, dá pra acompanhar. "Coming Home", mais uma ritmadinha, um pouco mais alegre, fecha o disco.

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Basicamente é isso, o duo veio ano passado com mais um lançamento para quem curte a boa e velha música celta medieval. Nada de muito diferente. E eu acho bom que seja assim, o duo já tem uma base de fãs formada que espera isso mesmo deles. Se você é fã, vai curtir mais este disco deles, se não é, vai continuar torcendo o nariz, simples. Se você meio que resolveu dar um tempo da fórmula musical do duo, como eu também dei, faça isso, mas não deixe de colocar em sua lista de álbuns a conferir, sempre vale a pena. Mas eu não vou ser hipócrita e esconder de ninguém aqui a minha empolgação com o retorno do Rainbow! Já era hora! Acredito que Blackmore deve reduzir agora o ritmo de trabalho com sua esposa, com este retorno, e espero que seja um bom retorno.

All Our Yesterdays (2015)
(Blackmore's Night)

Tracklist:
01. All Our Yesterdays
02. Allan Yn N Fan
03. Darker Shade of Black
04. Long Long Time (Gary White)
05. Moonlight Shadow (cover Mike Oldfield)
06. I Got You Babe (cover Sonny & Cher)
07. The Other Side
08. Queen's Lament
09. Where Are We Going from Here
10. Will O' the Wisp
11. Earth Wind and Sky
12. Coming Home

Selo: Frontiers Records

Blackmore's Night é:
Ritchie Blackmore: guitarra, violão, viela de roda, nyckelharpa, mandola
Candice Night: vocais principais e harmônicos, madeiras, tamborim

Músicos de apoio:
Earl Grey of Chimay: baixo, guitarra rítmica
Scarlet Fiddler: violino
Bard David of Larchmont: teclados, back vocais
Troubador of Aberdeen: percussão
Lady Lynn: vocais harmônicos

Discografia anterior:
- Dancer and the Moon (2013)
- Autumn Sky (2010)
- Secret Voyage (2008)
- Winter Carols (2006)
- The Village Lanterne (2006)
- Ghost of a Rose (2003)
- Fires at Midnight (2001)
- Under a Violet Moon (1999)
- Shadow of the Moon (1997)

Site oficial:
http://www.blackmoresnight.com

Para mais informações sobre música, filmes, HQs, livros, games e um monte de tralhas, acesse também meu blog:
http://acienciadaopiniao.blogspot.com.br




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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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