Melechesh: black metal com melodia e influência étnica
Resenha - Enki - Melechesh
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 15 de fevereiro de 2016
A inserção de elementos étnicos ao heavy metal é responsável por alguns dos discos mais interessantes lançados nas últimas décadas. Do clássico "Roots" (1996) à bandas como o Orphaned Land, a adição de características da cultura local dos artistas (ou vindas de outras origens, não importa) imprime não apenas personalidade própria para as bandas, como também desvenda caminhos insólitos e improváveis para o metal, alcançando resultados, na maioria dos casos, excelentes.
O Melechesh é uma banda israelense na ativa desde 1993. O grupo já lançou seis discos, sendo "Enki", o objeto desta análise, o mais recente dos seus álbuns. Lançado em 27 de fevereiro de 2015, o trabalho é o sucessor de "The Epigenesis" (2010). A praia do Melechesh é um black metal que não tem receio algum de soar melodioso, porém faz isso de maneira bastante original, inserindo elementos da música mediterrânea, indiana e oriental. Como parâmetro de comparação, e apenas para isso, é um trabalho similar à associação do Behemoth à cultura egípcia em discos como "Demigod" (2004) e "The Apostasy" (2007), porém sem toda a pomposidade da banda polonesa.
"Enki" é um disco excelente. Daqueles álbuns que renovam a paixão de todo e qualquer headbanger pela música que faz parte da minha, da sua e das nossas vidas. A abertura com "Tempest Temper Enlil Enraged" já deixa clara a ambição e o objetivo da banda, que vai do peso, agressividade e velocidade do metal à riqueza e melodia da música oriental com extrema naturalidade, impressionando de imediato. Com canções excelentes e um primoroso trabalho de composição, o álbum possui uma musicalidade apaixonante e vibrante, fatores realçados pela produção primorosa. Sem exageros e sem precisar recorrer a elementos barrocos, o Melechesh alcançou um resultado final do mais alto nível.
Ainda que todas as faixas mereçam elogios, algumas acabam se destacando das demais. É o caso da já citada canção de abertura, "Multiple Truths", a sensacional "Enki - Divine Nature Awoken" e a divina "The Outsiders", uma viagem sonora de mais de 12 minutos de duração. Demonstrando toda a versatilidade e talento dos músicos, ainda somos brindados com "Doorways to Irkala", canção instrumental que explora a temática proposta por todo o disco e leva o ouvinte à uma região remota do Saara.
Excelente!
(Ah, e a capa é linda!)
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