Cryptic Slaughter: 28 anos de um clássico do Crossover Thrash
Resenha - Money Talks - Cryptic Slaughter
Por David Torres
Postado em 01 de junho de 2015
Após terem gravado uma "demo" em 1985 e um clássico registro de estúdio em 1986, "Convicted", os californianos do Cryptic Slaughter retornaram no ano seguinte com mais um grande feito. Produzido por Bill Metoyer (D.R.I., Dark Angel, Corrosion of Conformity, Hirax e muitos outros) e contando com uma capa engajada e ilustrada por Jeff Harp, "Money Talks" foi lançado em 15 de maio de 1987 sob o selo da Metal Blade Records e nesse mês, completou o seu 28° aniversário. Nesse mês de maio, diversas obras extremamente relevantes da história do Metal estão ficando mais velhas e para esse grande trabalho do Cryptic Slaughter, não foi nada diferente.
Uma "cozinha" de bateria e baixo completamente fora de sério inicia os primeiros acordes da esmagadora faixa título "Money Talks". Os vocais esgoelados e rasgados de Bill Crooks entram em cena e a música ganha mais peso e agressividade. Os andamentos são totalmente entusiasmados e exalam toda o clima Hardcore Punk que há no som do grupo. É humanamente impossível para um admirador dessa sonoridade ficar indiferente. A desgraceira continua com a explosiva "Set Your Own Pace", que já surge arregaçando tudo e todos com toda a sua fúria descontrolada. É uma faixa bem curta e que em sua metade fica mais cadenciada e divertida, para depois retomar a loucura que a iniciou.
Os "riffs" arrastados e pegajosos de Les Evans apresentam a terceira faixa, "Could Be Worse". Mais um grande som para "banguear" e "moshar" à vontade. Novamente temos variações de andamento bem conduzidas, alternando de trechos cadenciados para outros completamente dementes. As quatro cordas pulsantes de Rob "Blasko" Nicholson dão espaço para "Wake Up", mais uma pancadaria para nenhum ouvinte botar defeito. O baterista Scott Peterson detona em suas baquetas e seu instrumento demonstra-se sempre bem encaixado em meio aos demais integrantes, que também não desapontam por um milésimo de segundo que seja!
Baixo e guitarra apresentam os primeiros e grudentos acordes de "Freedom of Expression?", o quinto ataque desse registro implacável. Nela, temos um solo de guitarra bem inserido e com melodias que contrastam perfeitamente com a sonoridade irônica do grupo. O "riff" de abertura da faixa seguinte, "Menace to Mankind", é mais uma vez de fácil assimilação e não demora muito para que os nossos tímpanos voltem a ser golpeados por mais uma porrada certeira e extremamente eficaz. Assim como na música anterior, há também um breve e bem encaixado solo de guitarra de Les Evans. O final dessa composição também é épico e marcante, graças aos berros proferidos por Bill Crooks, que se repetem até o volume ser reduzido gradativamente, finalizando a faixa.
Curta e esmagadora, "Too Much, Too Little" é mais uma agressão sonora desmedida que metralha o ouvinte de modo insano. Nela temos quebras de ritmo assustadoras, além de um harmônico solo de guitarra que se incumbe de encerrar a música. Sem perder tempo, a banda continua a sua devastação com "Human Contrast". O que temos aqui? Uma guitarra insana, baixo e bateria belicosos e vocais coléricos e totalmente esbravejados. Um arroz com feijão bem cozinhado e conduzido.
"Tables Are Turned" já começa com mais "riffs" viciantes e perfeitos. Em questão de segundos, descamba em mais um delicioso Crossover/Hardcore, perfeito para "banguear" e promover "mosh" e "slam dances" destrutivos, desses que devastam completamente o ambiente. Na sequência, surge "Positively". O chimbal da bateria de Scott Peterson anuncia mais um "riff" portentoso e pouco depois, a selvageria é reiniciada.
Essa preciosidade primitiva se encerra com as igualmente sensacionais "All Wrong" e "American Heroes", ambas tão energéticas e furiosas quanto às faixas anteriores, pondo fim a essa obra de maneira coesa e 100% satisfatória. Em poucas palavras, "Money Talks" é um clássico do gênero devido a toda sua crueza e simplicidade. Ainda que conte com uma produção mais limpa do que o igualmente clássico registro de estreia da banda, a sonoridade permanece desconcertante e ríspida. Uma obra obrigatória para todo apreciador de Crossover e Hardcore!
Escrito por David Torres
01. Money Talks
02. Set Your Own Pace
03. Could Be Worse
04. Wake Up
05. Freedom of Expression?
06. Menace to Mankind
07. Too Much, Too Little
08. Human Contrast
09. Tables Are Turned
10. Positively
11. All Wrong
12. American Heroes
Bill Crooks (Vocal)
Les Evans (Guitarra)
Rob "Blasko" Nicholson (Baixo / "Backing Vocals")
Scott Peterson (Bateria)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A melhor música dos Rolling Stones, segundo a Paste Magazine
Aos 78 anos, Tony Iommi (Black Sabbath) reconhece não ter mais condições de realizar turnês
Tony Iommi segue com planos de remixar "Born Again", do Black Sabbath
"From The Dark"; "apenas" um disco solo de Tony Iommi que evoca o Black Sabbath com Dio
A música do Van Halen que desagradou fãs antigos, mas fez gravadora sentir cheiro de dinheiro
A melhor música que o Megadeth lançou no século XXI, segundo Mateus Ribeiro
"Sou cristão": Billy Corgan explica o que o faz manter amizade com Marilyn Manson
A melhor música dos Ramones, em lista da Paste Magazine
"Accident of Birth", de Bruce Dickinson, é lançado em versão remixada
O álbum do Metallica que tem Kirk Hammett como ponto mais fraco, segundo Gastão
Os 10 melhores álbuns de metal de todos os tempos, segundo Rob Halford do Judas Priest
"From the Dark", novo álbum de Tony Iommi, é lançado
A humilhação que Ozzy Osbourne sofreu num show e Tony Iommi jamais esqueceu
Dirk Verbeuren, do Megadeth, agradece Pete Sandoval por ter inspirado "legiões de bateristas"
Stewart Copeland revela que clima tenso não amenizou durante reunião do Police

The Hellacopters revê sua transformação em "Cream Of The Crap! Volume 3"
O ocultismo britânico ganhou novos contornos com "Woodland Rites" do Green Lung
Biohazard retorna afiado com "Divided We Fall"
Tyketto recupera o fôlego com "Closer to the Sun", seu primeiro disco em uma década
Com "Not Your Kingdom", Madball retorna fiel ao estilo que ele ajudou a definir, o NYHC
Kiss - há 44 anos, "Creatures of the Night" marcou o retorno da banda ao hard rock pesado
Ninguém tinha sobrenome na casa onde os Rolling Stones gravaram "Exile on Main St."
A Tempestade (ou O Livro dos Dias): 30 anos da despedida


