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Gruesome: Uma homenagem bem feita aos primórdios do Death

Resenha - Savage Land - Gruesome

Por
Postado em 04 de maio de 2015

Ainda estamos no primeiro semestre de 2015 e excelentes lançamentos estão chegando com uma velocidade surpreendente. Um excelente exemplo dessa nova leva de grandes registros que estão chegando é o formidável "Savage Land", lançado no dia 17 de abril pela Relapse Records. Estamos diante de um registro devastador desde a sua estonteante arte de capa, cortesia do mestre das ilustrações Ed Repka, até o último acorde executado no disco. Encabeçada por um bom time de músicos, Matt Harvey (Exhumed, Dekapitator, ex-Repulsion), Robin Mazen (que já foi "roadie" de bandas como Dethklok, Dark Tranquility e Fear Factory), Daniel Gonzalez (atualmente no Possessed) e Gus Rios (ex-Malevolent Creation), a banda não decepciona e desempenha algo muito prazeroso de se ouvir. Os urros rasgados, o instrumental e o estilo sujo das composições apresentadas nesse trabalho são totalmente calcados nos dois primeiros álbuns do Death, "Scream Bloody Gore" (1987) e "Leprosy" (1988), mas principalmente no segundo.

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A faixa de abertura normalmente é aquela que se incumbe de conquistar e cativar o ouvinte e com esse disco não é diferente. Ele se inicia com a fantástica faixa-título, "Savage Land", um arrasa-quarteirão repleto de "riffs", solos implacáveis e mudanças de andamento bem encaixadas e empolgantes. Vale mencionar que ela ganhou um videoclipe bem interessante, utilizando trechos de filmes tensos, como o clássico "cult" e polêmico "Holocausto Canibal" (1980), fazendo alusão a capa do álbum. Por sua vez, um "riff" melódico e singelo dá início a violenta "Trapped in Hell", um legítimo assalto sonoro que implode os alto-falantes em questão de segundos.

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A devastação prossegue com "Demonized", cujo início se dá com palhetadas cadenciadas e furiosas que lembram muito a abertura de "Open Casket", uma das melhores faixas do clássico álbum "Leprosy", do Death. Rapidamente, os "riffs" conduzem para um ritmo frenético e alucinante. Há diversas quebras durante o som e é impossível não se lembrar dos clássicos trabalhos do finado "filósofo" do Death Metal Chuck Schuldiner. Outro destaque são os belíssimos solos de guitarra que temos nessa faixa, repletos de "feeling" e atmosfera. Uma música arrasadora!

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Mantendo o espírito da podreira em alta, temos mais uma sequência matadora de músicas. "Hideous" e "Gangrene" são duas composições bem construídas e espetaculares. Os urros rasgadíssimos são a "cereja do bolo", o retoque perfeito para a podridão apresentada. A fantástica "Closed Casket" vem logo após, com toda a sua selvageria bárbara. Os fãs mais ávidos de Death certamente já perceberam que o nome dessa música é um trocadilho com a já mencionada anteriormente "Open Casket. Existem trechos em que a música fica mais lenta que, pessoalmente, me remetem a "Choke On It", a última faixa do "Leprosy", contudo, creio que isso seja perfeitamente compreensível, afinal, esse belo petardo é um tributo às obras gravadas por Chuck Schuldiner e sua trupe. É importante mencionar que temos um convidado muito especial nessa música, o guitarrista James Murphy (Cancer, Disincarnate, ex-Death, ex-Obituary, ex-Testament), uma participação mais do que bem vinda e que agrega mais charme para o álbum como um todo.

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Visceral até o último "riff", "Psychic Twin" é mais uma investida mortal e infalível dos músicos. Aqui nós temos os mesmos ingredientes das faixas anteriores, entretanto, utilizados de forma sábia e coesa, jamais deixando o álbum maçante. Acordes bastante climáticos dão início ao "riff" arrastado de "Gruesome", a faixa que batiza o nome da banda e que encerra esse malévolo registro. Novamente, os apreciadores do Death notarão uma belíssima homenagem à banda. O "riff" de abertura é uma referência óbvia a "Infernal Death", a faixa de abertura de "Scream Bloody Gore", do Death e a música em si é pura destruição e sujeira, tudo do mais alto nível e qualidade. Palhetadas velozes e pesadíssimas, urros grotescos e uma "cozinha" infernal de bateria e baixo fazem desse som mais uma experiência caótica.

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Como se não bastasse, ainda temos duas faixas bônus para encerrar essa obra com uma sanguinolenta chave de ouro, dois "covers" para ninguém botar defeito. O primeiro é "Land of No Return", do Death. Essa releitura é certamente a homenagem mais clara que a banda poderia entregar ao Death e fizeram da melhor forma possível, concebendo assim uma releitura muito bem feita e que não deve em nada a clássica versão original, lançada originalmente na Demo "Mutilation" (1986) e posteriormente relançada como faixa bônus do "debut" "Scream Bloody Gore". O segundo "cover" é "Black Magic", um dos muitos "hinos" dos Thrashers californianos do Slayer, presente no cultuado "debut" "Show No Mercy" (1983). O que dizer sobre essa versão?! Mais um tributo fabuloso a uma das mais importantes bandas da história do Metal. A interpretação dada pelos músicos deixou o som ainda mais agressivo e insano, sem qualquer chance de receber críticas negativas.

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"Savage Land" é uma verdadeira reverência aos primórdios do Death, principalmente "Leprosy", trazendo uma sonoridade totalmente pútrida e que mesmo não sendo inovadora, merece e muito ser conferida. Sem sombra de dúvidas já um dos melhores lançamentos do ano no gênero. Se o grande mestre Chuck Schuldiner estivesse vivo, ficaria muito orgulhoso ao ouvir esse grande trabalho.

Escrito por David Torres

01. Savage Land
02. Trapped in Hell
03. Demonized
04. Hideous
05. Gangrene
06. Closed Casket
07. Psychic Twin
08. Gruesome

Matt Harvey (Vocal / Guitarra Principal)
Daniel Gonzalez (Guitarra Rítimica e Principal)
Robin Mazen (Baixo)
Gus Rios (Bateria / Guitarra Principal)

Músico Convidado:
James Murphy (Guitarra Principal na Faixa 6)

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Sobre David Torres

Formado em Propaganda & Marketing, se autodenomina "Fanfarrão" graças ao seu senso de humor e modo de enxergar o mundo à sua volta. Apaixonado por filmes de terror, quadrinhos e bandas como D.R.I., Faith No More e Napalm Death, escreve também para o blog Blasting Noise Fanzine. Possui muitos sonhos, dentre eles dar início a um projeto de grindcore.
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