Cocteau Twins: álbum-tributo online
Resenha - A Tribute to Cocteau Twins - V/A
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 12 de fevereiro de 2015
Quantas maravilhas os COCTEAU TWINS compuseram! Em 1980, Robin Guthrie e Simon Raymonde fundaram uma banda numa cidadezinha da Escócia. Pra vocalista, convidaram Elizabeth Fraser, logo apelidada de "A Voz de Deus" pela hiperbólica imprensa musical britânica.
A mágica sonora do trio jamais lotou estádios ou voou alto nas paradas, mas sua influência foi descomunal. Difícil de rotular, os COCTEAU TWINS desenhavam paisagens sonoras habitadas por seres místicos e etéreos. Camadas sobrepostas de instrumentação, os vocais de múltiplos timbres da fada Liz; a música dos Cocteau gerou filhotes líricos, mas também rebentos sonolentos ou mesmo noise, como a cena shoegazer, que de certa forma casou COCTEAU TWINS com JESUS AND MARY CHAIN. Ainda outro dia, li sobre o novo single duma banda indie dos EUA. Quando iniciei a audição, era óbvio que chuparam a faixa Amelia, do excruciantemente belo Treasure (1984).
O som dos COCTEAU TWINS é tão idiossincrático que a noção dum álbum-tributo pode soar herege aos acólitos, especialmente quando se cogita quem elevaria os vocais à perfeição pristina de Fraser. Quando soube do álbum A Tribute to Cocteau Twins, lançado em dezembro de 2013, reagi como devoto que jamais admitirá a dessacralização de seu objeto de culto. Logo ponderei que os artistas homenageavam os mestres que lhes influenciaram. Um álbum-tributo não tem a ver com superar o ídolo – intimamente as bandas podem ambicionar isso, mas certamente sabem que os ouvintes sempre (?) preferirão as versões originais. Sendo fãs, os próprios grupos devem gostar mais das versões dos Twins.
Depois dessa preparação mental e emocional, escutei o álbum e achei-o muito competente e a altura dos homenageados. A Tribute to Cocteau Twins tem capa inspirada na de Treasure e 10 artistas pra mim desconhecidos, interpretando 8 canções: Heaven or Las Vegas e In Our Angelhood são gravadas 2 vezes.
O álbum abre com um achado estupendo; o THE US atualizou Garlands, faixa meio gótica do primeiro álbum, nos termos da própria banda de Liz Fraser, deixando a canção com mais cara dum Cocteau posterior, muito mais rico e criativo que o do primeiro disco. Capaz de vocais múltiplos, a vocalista em momentos lembra a injustamente esquecida SALLY OLDFIELD. Prefiro essa versão à original! Os ouvintes nem sempre preferirão os originais...
A segunda faixa é o maior desafio com relação a fazer de tudo pra deixar de lado a comparação com os vocais de Liz. Carolyn’s Fingers é um dos ápices angelicais da cantora, que garantiria seu lugar ao lado do Senhor apenas com essa canção. O DRAKES HOTEL fez bom serviço, mas aguou um bocadinho o instrumental, usando percussão que os CT já haviam abandonado quando de Blue Bell Knoll, álbum-deleite que contém Carolyn´s Fingers.
O ROBSONGS bota guitarra Robert Smith e vocais masculinos em Persephone, resultando num instrumental mais esparso (fraco) que o original, mas com outra faceta oitentista. Interessante.
In Our Angelhood ganhou leitura que estressa seu lado shoegazer pelos meninos do SCREEN VYNIL IMAGE com seu vocal sonolento. Já a leitura do SCHNOVALD nos congela com uma ducha de synth-gothic.
SUZY BLU acelera Heaven or Las Vegas pra deixá-la como um rockinho feminino feito por quem cresceu escutando hip hop e dance.
O resultado positivo de A Tribute to the Cocteau Twins pode ser ouvido gratuita e legalmente no endereço abaixo:
http://theblogthatcelebratesitself.bandcamp.com/album/a-tribute-to-cocteau-twins
Tracklist:
1. Garlands -The US 06:01
2. Carolyn´s Fingers - Drakes Hotel
3. Persephone- Robsongs
4. In Our Angelhood - Screen Vinyl Image
5. Heaven Or Las Vegas - ShiShi
6. Wax And Wave - Elegia
7. When Mama Was Moth - [aftersun]
8. Blind Dumb Deaf - Bela Infanta
9. In Our Angelhood - Schonwald
10. Heaven Or Las Vegas - Suzy Blu
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