Napalm Death: 19 anos de um dos trabalhos mais experimentais
Resenha - Diatribes - Napalm Death
Por David Torres
Postado em 31 de janeiro de 2015
Em 26 de janeiro de 1996, os britânicos do Napalm Death lançavam através da gravadora Earache Records o álbum que talvez seja o menos preferido de muitos fãs e ouvintes da banda, o altamente experimental "Diatribes". Produzido pelo experiente Colin Richardson (Carcass, Sinister, Extreme Noise Terror, entre tantos outros), esse trabalho foi bastante criticado em seu lançamento. Quando a banda havia lançado o álbum anterior, "Fear, Emptiness, Despair" (1994), a chamada "fase experimental" do grupo havia se iniciado. Não apenas o logotipo icônico dos britânicos havia sido alterado, como a sua sonoridade estava ficando cada vez mais lenta, arrastada e recheado de influências de "Groove Metal" e Metal Industrial.
Evidentemente, fãs mais xiitas e que apreciam uma sonoridade mais rápida e direcionada para o Grindcore ou o Death Metal mais tradicional torceram o nariz e quando o sexto álbum da carreira da banda, "Diatribes", deu às caras, a evolução e as modificações adotadas pelo grupo incomodaram e muitos aqueles que desejavam ouvir algo mais direcionado para os trabalhos anteriores lançados pelo Napalm Death. Primeiramente, o álbum não é ruim, muito pelo contrário. Apenas é um dos trabalhos onde a banda mais se ousou e buscou trazer algo completamente diferente para o seu estilo selvagem e brutal de música, algo que jamais haviam realizado anteriormente. Acredito que o único ponto negativo do disco em si seja apenas a sua estranha e confusa arte de capa, mas vamos direto ao que realmente importa: o disco:
O "riff" intenso e grudento de "Greed Killing" inicia esse trabalho e já dá um susto no ouvinte que está acostumado com a sonoridade mais clássica da banda. A levada alternativa e repleta de "groove" é um banho de água fria para os desavisados que anseiam em ouvir algo similar aos primeiros discos, entretanto, ainda assim é um som fantástico, contagiante e criativo. Os vocais de Mark "Barney" Greenway continuam na mesma linha do disco anterior, ou seja, absolutamente destruidores e não deixam pedra sobre pedra. Vale mencionar que a faixa foi o "single" do álbum e possui um videoclipe promocional. O álbum prossegue numa linha sonora bastante parecida com a potente "Glimpse into Genocide". Essa composição mantém a pegada arrastada e cadenciada da faixa de abertura com ainda mais peso nas guitarras de Mitch Harris e Jesse Pintado.
"Ripe for the Breaking" é a terceira faixa e é ainda mais pesada, intensa e furiosa, porém, o experimentalismo continua, onde os músicos executam trechos mais suaves em alguns momentos isolados. Esses trechos mais melódicos se encontram presentes em outros trabalhos da fase experimental da banda, como o álbum posterior, o ótimo "Inside the Torn Apart" (1997). Em seguida, temos uma das faixas mais alternativas e diferenciadas de toda a discografia dos britânicos, "Cursed to Crawl. Nela, temos uma levada ainda mais "grooveada'' e com elementos que flertam com o Funky Rock, contudo, de forma sábia e coesa. Nessa música, "Barney" oscila seu estilo vocal diversas vezes, um recurso um tanto perigoso para a banda, porém muito bem executado.
Já em "Cold Forgiveness", as guitarras de Harris e Pintado novamente transmitem um clima atmosférico interessante e completamente diferente de tudo o que a banda havia gravado anteriormente e "Barney" transita mais uma vez o seu vocal durante a canção. Ouvintes mais radicais podem torcem o nariz para tais modificações, contudo, não há como negar a criatividade das composições nesse trabalho. "My Own Worst Enemy" brinda o ouvinte com mais "groove". Os vocais de "Barney" estão destruidores como sempre, diga-se de passagem. Quando ele urra o nome da canção, há uma força indescritível que exala pelos alto-falantes. A bateria de Danny Herrera introduz a sétima música do disco, "Just Rewards", uma composição feroz, mas que jamais abandona a cadência e o "groove" que estão com força total em todo o trabalho.
"Dogma" é a oitava composição do disco e novamente é uma boa faixa e traz bons e eficientes "riffs", além de criativas levadas de bateria. Novamente, devido às inserções de guitarras mais "alternativas" para os padrões da banda, temos alguns momentos que proporcionam um clima atmosférico e "viajante" devido a isso. Em "Take the Strain", por sua vez, os urros de "Barney" estão ainda mais esmagadores e os "riffs" iniciais são bem grudentos.
Em seguida, é a vez da faixa-título, "Diatribes". Aqui nós temos trechos rápidos que lembram um pouco músicas mais as antigas composições da banda, mesclados com os andamentos arrastados e cadenciados explorados em demasia nesse álbum. Encerrando o álbum, "Placate, Sedate, Eradicate" e "Corrosive Elements" mantém os mesmos andamentos das composições anteriores e encerram esse sexto registro de estúdio de maneira coerente. O Napalm Death é uma banda que obviamente evoluiu drasticamente desde o seu surgimento na década de 80. A evolução dos britânicos se iniciou antes mesmo do lançamento do seminal e histórico "Scum", em 1987 e "Diatribes" é um dos trabalhos onde a banda mais apostou em trazer novos elementos para a sua invejável discografia. Ainda que tenham pessoas que não gostem desse trabalho, ele certamente possui muita qualidade e vale muito a pena ouvi-lo sem preconceitos.
01. Greed Killing
02. Glimpse into Genocide
03. Ripe for the Breaking
04. Cursed to Crawl
05. Cold Forgiveness
06. My Own Worst Enemy
07. Just Rewards
08. Dogma
09. Take the Strain
10. Diatribes
11. Placate, Sedate, Eradicate
12. Corrosive Elements
Mark "Barney" Greenway (Vocal)
Mitch Harris (Guitarra)
Jesse Pintado (Guitarra) (R.I.P. 2006)
Shane Embury (Baixo)
Danny Herrera (Bateria)
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