Blind Guardian: Triste ver a banda favorita seguir ladeira abaixo
Resenha - Beyond The Red Mirror - Blind Guardian
Por Thiago Barcellos
Postado em 28 de janeiro de 2015
Nota: 5 ![]()
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Nunca pensei que fosse um dia escrever uma resenha falando mal da minha banda favorita, os alemães do Blind Guardian. Talvez eu nem seja a pessoa mais adequada para resenhar este disco, mas vamos lá.
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Beyond The Red Mirror surge após um hiato de 5 anos, o que é comum se tratando de Blind Guardian. Porém a espera por um disco novo sempre foi recompensada, mas não desta vez. Quando ouvi o Nightfall pela primeira vez não gostei, mas após ouvir mais e mais ele se tornou rapidamente meu álbum favorito do BG. Este, ao contrário, conseguiu me desagradar mais e mais a cada nova ouvida.
Beyond é um disco fraco, muito fraco para o que o BG pode produzir, ainda mais após 5 anos de espera. As principais referências do som da banda ainda estão presentes: os coros, partes orquestradas, uma vaga lembrança do Speed Metal praticado pela banda no início, tudo no seu devido lugar. Só que tudo soa refeito, requentado. Não existe ousadia nem tampouco inspiração neste CD. Consegue ser mais insosso que o Twist in The Myth, que até então era considerado por mim o disco mais fraco da discografia da banda.
The Ninth Wave é uma música chata, péssima escolha para abertura do CD. Levadas sem peso algum, muitos coros bonitos (lembram muito mais Therion que BG) e bem executados, alguns samples aqui e ali, mas uma música que você esquece logo após que ela acaba de tocar. Vazia e genérica.
Twilight of the Gods foi o single, e eu a achei razoável quando ouvi antes do CD sair, mas como o single dificilmente representa todo o disco não fiquei completamente desanimado (alguém disse Fly?). Mas ouvindo o CD todo, descobri que esta é uma das melhores. E é pouco, muito pouco para o que a banda sempre produziu.
Prophecies é até legal, mas é uma daquelas músicas que passaria batida num bom CD da banda, a que você pula pra ouvir as favoritas. Mas perto do resto do CD, é uma boa música, com alguma inspiração.
At The Edge of Time poderia estar perfeitamente no A Night of The Opera, mas seria mais uma a ouvir uma vez e pular pra favorita. Boas melodias de guitarra e só.
Ashes of Eternity com um riff legalzinho e percussão, dando uma ilusão de que viria uma música pesada. Apesar da afinação baixa, não tem nada de peso, só aquele riff no início. Destaque nessa música para os solos de guitarra de André que, ao contrário do resto do disco, estão muito bons.
Holy Grail se tornou uma das minhas favoritas e - coincidência ou não- é a que mais chega perto do passado Speed Metal da banda. Poderia ser mil vezes melhor, mas eles insistem em abrir mão de peso e velocidade, mesmo quando a música pede por isso. Se estivesse no Imaginations ou no At The Edge of Time passaria despercebida. Mas ainda assim é a melhor do CD.
The Throne é mais uma a cair no que parece ser a nova zona de conforto da banda: Levada lenta, muitos e muitos coros sem nenhum feeling, muitas orquestrações e nenhum peso. Destaque mais uma vez pros solos.
Sacred Mind tem um começo digno de bocejos, aí entra num arranjo foda de coros e emenda numa sessão que você acha que vem uma porradaria a la I’m Alive, mas não, eles voltam pro mid-tempo genérico com muito pedal duplo, coros e orquestração. Mas tudo inofensivo, insosso e sem nenhum "punch". A música tem alguns trechos legais, mas é muito pouco.
Miracle Machine é uma balada completamente inspirada em Queen, essa sim vale a pena ouvir com atenção, e foi a única – repito – a ÚNICA música do CD que tive vontade de ouvir de novo.
Grand Parade fecha o CD com muita pompa, com a orquestração mais evidente de todo o CD em seus intermináveis quase dez minutos de duração.
De fato as partes de orquestras estão muito bonitas, assim como o vocal de Hansi que, ao menos em estúdio, permanece inalterável. E a guitarra de André Olbrich está quase falando, de tão lindos que os solos estão. Mas é muito pouco. Blind Guardian significa qualidade. Grandiosidade. Entupir o álbum de coros e orquestras sem inspiração não o torna grandioso. Abaixar a afinação das guitarras não é garantia de peso.
Quem me conhece, sabe o quanto sou fã de BG. Consigo ver qualidade em toda a discografia da banda. Mas os caras lançaram um CD sem NENHUMA música que dê vontade de ver ao vivo, principalmente com as latentes limitações vocais de Hansi ao vivo. É muito triste para um fã como eu ver a banda favorita começar o processo de decomposição viva. Tomara que em um próximo CD eu queime minha língua, mas visto os últimos três discos, acredito que agora seja ladeira abaixo.
E também não prego que uma banda fique gravando o mesmo CD sempre, acho ridículo um artista ficar na zona de conforto apenas para garantir o seu. Mas não é sempre que se acerta a mão ao aplicar mudanças. Até porque, tirando as afinações baixas não há absolutamente nada neste novo CD que já não tenha sido usado/aproveitado anteriormente pela banda. É mais ou menos o que ela já vinha fazendo, só que desta vez, com pouca ou nenhuma inspiração.
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