Blind Guardian: Um disco de power metal sinfônico de respeito

Resenha - Beyond the Red Mirror - Blind Guardian

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Considero um bom ano para o Heavy Metal, quando vejo que algumas de minhas bandas favoritas do gênero lançam discos novos em um ano só. Tivemos aí o Stratovarius, o Angra, o Iron Maiden, o Helloween, o Rhapsody, o Nightwish... tivemos até mesmo o Motörhead dando as caras, apesar de todos os problemas e o triste fim do trio. 2015 foi um ano bem legal pra mim em termos de música pesada. E tivemos também uma das bandas mais interessantes de todas estas que destaquei, o Blind Guardian.

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Fazia tempo que eu não os via, achei até que não iriam mais voltar! Que bom que eu estava enganado. E que ótima maneira de a banda alemã voltar! Estou bem ansioso pra falar deste novo álbum, então vamos direto a ele, sem delongas. Só uma observação antes de irmos ao ponto: você vai querer comprar a versão Earbook deste disco, e já já eu vou te explicar o porquê.

Os caras resolveram voltar, em Janeiro do ano passado, com um álbum continuação, muito aos moldes do que o Helloween fez com os seus Keeper of the Seven Keys. O novo álbum, lançado em Janeiro deste ano, Beyond the Red Mirror, é uma continuação de um dos melhores e mais icônicos álbuns do grupo, o excelente Imaginations from the Other Side (1995), e quem conhece mesmo o Blind Guardian, sabe o que eu quero dizer com excelente! Praticamente uma obra-prima do metal. Basta dizer que o disco está entre os 500 maiores álbuns de Rock e Metal de todos os tempos pra se ter ideia da importância. Beyond the Red Mirror não é somente um retorno satisfatório após cinco anos sem material inédito, é um chute na porta!

O álbum já começa com a faixa "The Ninth Wave", uma faixa toda ornamentada com introdução clássica e com melodias épicas. Relembramos lá atrás em Imaginations, quando o personagem protagonista da história decide atravessar o espelho que o leva à outra dimensão. Haviam diversas passagens que foram fechadas entre os dois mundos que conhecemos em Imaginations, agora há somente o espelho vermelho descrito no título do álbum, em formato esmeralda. A partir deste momento, começa, segundo descrição de Hansi Kürsch, uma trama de ficção-científica e fantasia que vai nos levar à nona onda, que finalmente levará os homens à terra prometida. Já ganhando ensejos de proporções bíblicas, esta nova narrativa promete ser mais uma ótima viagem entre mundos.

Presos na quinta dimensão e em direção ao crepúsculo dos deuses, os habitantes deste multiverso entrarão em uma guerra, que é anunciada na faixa "Twilight Of The Gods", uma das minhas favoritas do álbum, inclusive pelo refrão épico. Passamos por referências e sinais de outra aventura épica e alusões de conceitos, como o corvo, sinal de mau agouro, dificuldades, como sinaliza a metáfora da tempestade, uma realidade desolada, e feitos épicos que só o power metal e a lírica forte e absolutamente envolvente do Blind Guardian poderiam nos proporcionar. Os discos da banda fazem você se imaginar em uma grande história em um jogo de RPG, decidindo o futuro, e com aquela atmosfera biblicamente apocalíptica das letras, isso só reforça esta sensação.

Há também momentos obrigatórios em toda trama, que ilustram a jornada do herói, sempre seguida pelas tramas de fantasia, como mostra a épica "At the Edge of Time". Uma das mais interessantes é a pesada, "Ashes of Eternity", que inicia referenciando um conto chamado A Raposa e o Corvo, um aviso de que todo sinal de lisonja foi deixado para trás, e uma busca pela verdade é empreendida. Há diversas outras referências que já apareceram antes, mas que tornam essa faixa rica e um dos grandes destaques do disco.

E assim passamos por diversos elementos que este mundo nos apresenta, desde reis destronados, bruxas, medusas, uma metáfora do portal que está sendo procurado durante a trama como o Santo Graal, enfim, para quem adora tramas de fantasia e música pesada épica, o Blind Guardian ainda resiste, com toda sua majestade. Mais alguns destaques que me chamaram a atenção foram a longa "The Throne" em seus sete minutos de gloriosas e majestosas passagens, sem falar de seus trechos pegajosos, como "we must serve the fire", "determination, determination, determination... for all must burn down in the end"; dá até vontade de ligar o Skyrim agora mesmo no meu console para jogar, ou até mesmo de chamar alguém para um RPG de mesa. Épico!

E épico também são as variações melódicas da faixa de conclusão "Grand Parade", que nos leva ao clímax e fecho da história, recheado de referências mitológicas e com um final estonteante.

Agora vamos fazer uma crítica severa aqui. Quem já leu alguma resenha minha, sabe que eu sempre gosto de destacar todas as possíveis versões de um disco aqui, e assim, dar opção para quem quer investir em uma versão diferente. Também sabe que eu tenho ódio mortal destas versões diferentes. ÓDIO INFINITO. Por que diabos não podem fazer um mesmo disco para todo mundo? Eu detesto essa babaquice de um disco ter versões distintas para regiões diferentes, e vou nutrir esse ódio até meus últimos dias. Detesto isso com todas as forças, e acabou!

Sendo assim, este é mais um desses discos que vem com esta atrocidade, este defeito de ter uma versão diferente. De forma geral, o álbum é dividido em capítulos, sendo que cada capítulo contém uma ou, em sua grande maioria, duas faixas de duração. Pois bem, a versão Earbook do disco vem com dois capítulos adicionais, contendo a faixa extra "Distant Memories" após a faixa cinco, e o capítulo de epílogo, a faixa "Doom".

A primeira, é uma linda faixa, que tristemente não figura na versão normal, e a segunda é um epílogo que dá um direcionamento totalmente diferente do que o final "regular" do álbum deu, um final muito mais tenso e sombrio, e a música é ótima, dramática, muito legal mesmo, o que justifica o que eu disse lá no começo, para você comprar a versão Earbook do disco, que está sendo vendida na loja da Nuclear Blast internacional, até onde eu ouvi falar. Não compre a versão vendida aqui no Brasil, que está faltando pedaço! Paga um pouco mais caro, mas você tem a obra completa, com todas as 12 faixas que você merece deste disco incrível.

Enfim, o Blind Guardian demorou um pouco, mas novamente entregou mais um disco de power metal sinfônico de respeito, sensacional, com músicas envolventes, uma história incrível e todos os elementos que quem realmente curte este som aprecia. Não é melhor do que o Imaginations From The Other Side, mas chega quase perto, e também nos envolve de maneira fantástica. Recomendadíssimo e essencial para se conhecer o som épico do metal como ele merece ser ouvido. Ainda fica mais épico com uma galera bacana em meio a uma partida de RPG de mesa, e eu recomendo altamente ser ouvido assim! Grande banda veterana, que mais uma vez nos impressiona.

Beyond the Red Mirror (Earbook Edition) (2015)
(Blind Guardian)

Tracklist:
CD 1:
- I. The Cleansing of the Promised Land
01. The Ninth Wave
02. Twilight Of The Gods
- II. The Awakening
03. Prophecies
04. At The Edge Of Time
- III. Disturbance in the Here and Now
05. Ashes Of Eternity
- IV. The Mirror Speaks
06. Distant Memories (bonus)

CD 2:
- V. Disturbance in the Here and Now (Reprise)
07. The Holy Grail
- VI. The Descending of the Nine
08. The Throne
- VII. The Fallen and the Chosen One
09. Sacred Mind
10. Miracle Machine
- VIII. Beyond the Red Mirror
11. Grand Parade
- IX. Damnation
12. Doom (bonus)

Selos: Nuclear Blast

Blind Guardian é:
Hansi Kürsch: voz
André Olbrich: guitarra, violão
Marcus Siepen: guitarra rítmica
Frederik Ehmke: bateria, percussão

Músicos convidados:
Barend Courbois: baixo
Michael Schüren: piano
Mattias Ulmer: teclados, piano
Thomas Hackmann: coral
William "Billy" King: coral
Olaf Senkbeil: coral
Orquestra Húngara de Estúdio de Budapeste
Orquestra Filarmônica de Praga
Coral "Vox Futura" de Boston

Discografia anterior:
- At the Edge of Time (2010)
- A Twist in the Myth (2006)
- A Night at the Opera (2002)
- Nightfall in Middle-Earth (1998)
- Imaginations from the Other Side (1995)
- Somewhere Far Beyond (1992)
- Tales from the Twilight World (1990)
- Follow the Blind (1989)
- Battalions of Fear (1988)

Site oficial: www.blind-guardian.com

Para mais informações sobre música, filmes, HQs, livros, games e um monte de tralhas, acesse também meu blog:
http://acienciadaopiniao.blogspot.com.br

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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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