Stone Roses: "Second Coming" bem que merecia mais sorte
Resenha - Second Coming - Stone Roses
Por Victor Porto
Postado em 30 de dezembro de 2014
Nota: 9 ![]()
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Há vinte anos, os britânicos do Stone Roses lançavam o seu segundo disco, intitulado Second Coming, cinco anos depois do sucesso do aclamado e incrível álbum de estréia da banda, que nos presenteou com excelentes músicas, como "I Wanna Be Adored", "She Bangs the Drums" e "Waterfall".
Mas havia um pequeno problema: a cena musical era outra. Graças ao sucesso estrondoso do grunge no começo dos anos 90, os Stone Roses não tiveram o mesmo apoio da mídia e da crítica especializada. Além do mais, quem estava no comando da cena musical inglesa eram bandas do movimento Britpop, como Oasis e Blur, que foram influenciados pela sonoridade dos Stone Roses.
O disco foi considerado um fiasco na época, e não muito tempo depois, a banda anunciou o termino de suas atividades. Mas seria Second Coming realmente um disco ruim?
Muito pelo contrário. O segundo disco do grupo britânico é ótimo. Talvez a longa duração de algumas faixas e mudanças na sonoridade da banda, agora mais pesada, podem ter afugentado alguns fãs e a mídia, mas o resultado final é satisfatório.
A faixa de abertura, "Breaking Into Heaven" resume bem o que esta por vir: longas passagens de guitarras distorcidas e riffs pesados, inexistentes no álbum de estréia. O problema dessa canção é a sua duração. A versão do álbum possui mais de 11 minutos, sendo 5 minutos apenas de introdução, o que acaba tornando-a cansativa. Porém, existe uma versão menor, de 6 minutos, encontrada na coletânea "The Very Best of The Stone Roses", que torna essa canção em uma excelente faixa.
"Driving South" é simplesmente a coisa mais pesada e suja que o Stone Roses fez, com guitarras sincronizadas e ótimo vocal de Ian Brown. "Ten Storey Love Song" é a balada do disco, e cumpre bem o seu papel, sendo uma bela composição.
"Daybreak" tem uma levada interessante, meio dançante, e possui umas passagens de bateria e baixo intrigantes. "You Star Will Shine" é uma reflexiva faixa acústica, lembrando alguns dos momentos calmos do disco anterior.
"Straight to The Man" é outra faixa dançante, só que menor e mais bem bolada. "Begging You" é um dos destaques do disco. Rápida e cheia de energia, ela foi lançada como uma das músicas de trabalho.
"Tightrope" começa lenta, mas se torna uma boa canção levada pelo violão de John Squire. "Good Times" também começa calma, até que as guitarras de Squire entram e a música torna-se ainda melhor.
"Tears" é uma canção sentimental, sendo uma das melhores músicas da banda. "How Do You Sleep" é uma composição alegre, com uma ótima letra e que demostra toda a influência do Stone Roses na geração Britpop.
Para finalizar, temos "Love Spreads", um indie rock de primeira, com guitarras por todos os lados, sendo considerado o último grande clássico do grupo britânico. Ainda existe uma faixa escondida, chamada "The Foz", música instrumental que não acrescenta nada de mais ao álbum.
Na opinião deste escriba, Second Coming bem que merecia mais sorte, pois é uma pérola escondida, esperando para alguém descobri-la. Para a felicidade dos fãs, os Stone Roses decidiram voltar em 2012, fazendo uma turnê de reunião, e as portas para um futuro terceiro álbum dos ingleses estão abertas. Os fãs agradecem.
Faixas:
1. "Breaking Into Heaven"
2. "Driving South"
3. "Ten Storey Love Song"
4. "Daybreak"
5. "Your Star Will Shine"
6. "Straight to the Man"
7. "Begging You"
8. "Tightrope"
9. "Good Times"
10. "Tears"
11. "How Do You Sleep"
12. "Love Spreads"
13. "The Foz"
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