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Jon Anderson: Mais história que boa música em apresentação solo

Resenha - Jon Anderson (São Paulo, HSBC Brasil, 18/10/14)

Por Diego Camara
Postado em 21 de outubro de 2014

Realmente o grande e lendário Jon Anderson, que colocou sua voz em algumas das melhores músicas que o rock progressivo já viu em vida e parte da clássica formação do YES, é mais passado do que presente. Não há nada de fantástico ou inovador em suas apresentações solo, nem sua voz realmente está no melhor dos seus dias. Mas mesmo assim, para os fãs mais fissurados e da velha guarda do prog, o velho Anderson ainda pode trazer boas risadas e excelentes memórias, e para quem foi no HSBC Brasil na noite de sábado não foi diferente.

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Fotos: Fernando Yokota

O aspecto alternativo e de alto nível do show ressalta os olhos, especialmente dos mais humildes. Havia naquela noite no HSBC Brasil um ar cult, como se estivéssemos afinal não em um show de rock, mas em um espetáculo de música clássica digno de uma Sala São Paulo ou Teatro Municipal. O público mais descolado, sem dúvidas, se sentiu meio fora d’água com o estilo excêntrico da estrutura da casa. Já vi shows no local com cadeiras, mas foi a primeira vez que vi um ar tão pomposo em um show de um artista que é tão gente como a gente.

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Sem filas, sem bagunça, organização perfeita que eu sempre quis ver em um show mais popular na casa – heavy metal para o HSBC Brasil é "povão", notem – a entrada na casa e sua organização muda totalmente. Como num espetáculo de música clássica, havia até anuncio para que o público se dirigisse às suas cadeiras. Assim, o protocolo avisou faltando dois minutos para as 22h00m que o show estava para começar, e com cinco minutos de atraso Jon Anderson, extremamente simples, trajado da forma mais despojada possível, subiu ao palco do local para se cercar de seus instrumentos.

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O público o aplaudiu com vontade, mas Jon parecia realmente pouco conectado. Avoado, o vocalista parece viver em um mundo só seu, onde a fama não consumiu seu estilo simples e sua humildade. Com seu violão em mãos, ele rapidamente abriu o show com "Sun is Calling...", já encaixando em seguida a bela "Time and a Word", do clássico álbum de 1970 de Yes. A música ficou belíssima na versão acústica de Anderson, com um ar bastante simplista que marcou todo o show do vocalista.

Mas, se as músicas em geral eram simplistas, o show a parte foram as extremamente extravagantes histórias de Mr. Anderson. O que há de verdadeiro, o que há de falso ou o que há de exagero é difícil dizer, mas o que valeu foram as boas risadas entre uma música e outra. Se algum dia a música falhar, Anderson pode sem dúvidas se sair muito bem fazendo apresentações de stand-up para fãs do progressivo. Histórias como de quando conheceu Vangelis, "aquele cara que é lembrado de 4 em 4 anos por ter composto o tema das Olimpíadas", fizeram o povo cair na gargalhada. Falando sobre Vangelis, Jon não esqueceu de seu projeto JON & VANGELIS e presenteou os fãs com a belíssima "I’ll Find My Way Home".

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Não faltaram também músicas da carreira solo de Jon, que apesar de não terem a mesma profundidade nem o apelo de suas músicas com o Yes, também animaram o público. Jon se gabou, inclusive, de ter sido o cara do Yes que realmente fez um álbum totalmente solo, só dele, sem ninguém mais. Passando pelo violão em "Under Heaven’s Door", de uma sequência gigantesca tocada no teclado, para o ukulele em "You Got the Light", Jon mostrou versatilidade e bastante ânimo para quem está com quase 70 anos nas costas.

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Mas realmente, o que mais ligou o público foi sua carreira no Yes. Apesar de se perder um pouco em "Starship Trooper" – pareceu que, como um clique, desligou por um instante – arrancou suspiros com a belíssima "Give Love Each Day" e uma cantoria tímida com a belíssima "Owner of a Lonely Heart", para mim uma das melhores músicas do Yes. A voz de Anderson não é mais a mesma, parece mais fina do que na época, mas o que ele representa ainda o segue, e a música ainda consegue trazer uma emoção diferente para quem realmente é grande fã do Yes.

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A grande surpresa do show ficou com o cover que Jon Anderson fez de "A Day in Life" dos BEATLES, que fez o público cantar junto com o vocalista. Se não bastasse isso, Anderson ainda aproveitou para contar a história de como conheceu Paul McCartney em 1974, provavelmente na turnê do álbum "Relayer", quando ficou petrificado pelos elogios de Paul ao excelente show que tinha acabado de assistir.

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Jon ainda voltaria para um bis, completando em torno de 1h40m de show. O show foi finalizado com "Soon", parte final da música "The Gates of Delirium" do álbum "Relayer", que não podia faltar no setlist solo do vocalista. O estilo pacífico e tranquilo da música fechou muito bem o show, fazendo boa parte do público que já estava indo embora voltar correndo para ver seu grand finale – como eu sempre digo, o show só acaba quando se apagam as luzes e entra o roadie no palco.

Para finalizar, de modo simples como o vocalista que encantou o público naquela noite, quem não foi perdeu boas histórias, boas risadas e boa música.

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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