Evergrey: Autenticidade e intensidade são as palavras de ordem

Resenha - Hymns For The Broken - Evergrey

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Por Felipe Cipriani Ávila
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Se há uma banda dentro do atual cenário Heavy Metal que pode ser considerada autêntica e única, esta é a sueca Evergrey. Já totalizando nove álbuns de estúdio em dezenove anos de carreira, "Hymns For The Broken" é o mais recente e foi lançado no dia 26 de setembro via AFM Records. Com doze temas que alternam entre momentos mais pesados a outros mais sombrios e soturnos, se mostra um trabalho muito dinâmico, versátil e, acima de tudo, bastante intenso, emocionante e bonito. O álbum marca o retorno de Henrik Danhage e Jonas Ekdahl, guitarrista e baterista, respectivamente, desde a saída amigável de ambos em 2010.

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Emergente da respeitável cena de Gotemburgo, o Evergrey é uma banda que já coleciona registros memoráveis. A sua sonoridade é bem característica e foi ficando cada vez mais intensa, bem trabalhada e lapidada no decorrer dos anos.

A diversidade e versatilidade do disco é um dos seus grandes trunfos assim como da carreira do conjunto como um todo. Tudo foi feito com muito esmero e bom gosto, o que se nota prontamente da primeira até a última nota tocada. "Hymns For The Broken" é um trabalho repleto de predicados e atributos e há uma porção de razões para elogiá-lo. Difícil mesmo é não soar redundante e repetitivo no processo. Peço perdão antecipado ao (a) caro (a) leitor (a) se assim o fizer uma porção de vezes. É inevitável.

O principal desafio do grupo era manter o alto nível de qualidade do álbum predecessor, "Glorious Collision" (2012), que foi muito bem recebido pelos fãs e crítica especializada. Apesar da ausência à época de Henrik Danhage e Jonas Ekdahl, Marcus Jidell (Avatarium, ex-Royal Hunt) e Hannes Van Dahl (Downthrust, Sabaton) os substituíram de forma muito digna, apresentando um ótimo trabalho no disco em questão. Por outro lado, Henrik e Jonas gravaram nesse meio tempo um EP e dois álbuns completos com o Death Destruction, formado em 2004, e que inicialmente era um projeto paralelo ao Evergrey. Pode-se dizer que, sem sombra de dúvidas, o desafio foi cumprido com êxito e naturalidade.

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Após uma breve e climática faixa de abertura, "The Awakening", logo somos bombardeados pelo primeiro single e videoclipe oficial do trabalho. "King Of Errors" impressiona prontamente pela intensidade e beleza. A voz de Tom S. Englund é muito própria, de uma imponência e sensibilidade ímpares. As camadas de teclado se mostram muito bem encaixadas, não apenas na música em questão, mas durante toda a audição. Os solos de guitarra são um espetáculo à parte, mostrando que a incrível química entre a dupla Englund/Danhage perdura, mesmo após a separação de quatro anos. Não poderia haver início mais impactante!

O terceiro tema, "A New Dawn", se mostra um dos mais interessantes e aprazíveis do álbum. Com introdução bonita e muito cativante, este logo fica mais encorpado, com ótimos riffs de guitarra e camadas de teclado novamente muito bem encaixadas. O refrão é simples, porém repleto de emotividade e paixão. Tom S. Englund nos brinda com mais uma atuação brilhante. Incrível como ele canta com o coração! Os solos de guitarra são muito marcantes e inspirados. Em suma, temos aqui a junção de peso e riffs de guitarra bem "na cara" a momentos repletos de intensidade e sentimento. Enquanto que a próxima, "Wake A Change", já é mais soturna e obscura. Os elementos eletrônicos são muito bem dosados e se encaixam "como uma luva" nessa proposta mais sombria. A interpretação de Tom S. Englund é outra vez magistral, fazendo o ouvinte sentir a emoção de cada palavra cantada. Outro mais do que digno de menção e elogio é o tecladista Rikard Zander, que mostra muita sensibilidade e criatividade ao executar o seu instrumento. Para alguns esta pode até ser considerada uma canção com viés mais experimental. Independente do modo como cada um pode interpretá-la, ela é de fato muito característica, envolvente e contêm "brilho próprio".

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"Archaic Rage" tem introdução bem particular e que vai "crescendo" no seu desenvolvimento. Os riffs de guitarra são muito fortes, a cozinha é muito precisa e as linhas vocais são deveras memoráveis. Quem já teve o prazer de ver a banda em solos tupiniquins sabe que Tom S. Englund as reproduz com extrema fidelidade e perfeição, dando tudo de si. O refrão desta é belíssimo, acrescido a outro grande e diferenciado trabalho de Rikard Zander.

"Barricades" é uma típica canção do conjunto sueco. O seu início já é bem pesado e épico, culminando na ponte e refrão sensacionais. As camadas de teclado mais uma vez se fazem bem evidentes e presentes, abrilhantando tudo ainda mais. Os solos de guitarra são avassaladores e com "assinatura própria". Enfim, temos aqui todos os elementos que fizeram o Evergrey se tornar um nome de muito respeito não apenas na cena do seu país natal, mas mundo afora. Numa verve mais taciturna, temos "Black Undertow". O seu princípio contêm "gélidas" e sombrias camadas de teclado, com as linhas vocais mantendo essa atmosfera tensa e obscura. Entretanto, logo fica mais encorpada até atingir o refrão bem emocional e soturno. Os solos de guitarra chamam a atenção e são bem melodiosos.

"The Fire" é bem pesada e enérgica, intercalando momentos mais vigorosos a linhas vocais intensas e lindíssimas. Jonas Ekdahl executa a sua bateria com maestria, sem dó nem piedade. Johan Niemann (Mind’s Eye, ex-Therion) também apresenta desempenho bastante elogiável, com linhas de contrabaixo certeiras e bem evidentes. Os elementos eletrônicos se integram muito bem à proposta do tema, não soando em nenhum momento exagerados.

Se for possível citar destaques numa obra tão coesa e valorosa, um deles certamente é a faixa título. Tom S. Englund dá um show de interpretação, como já é de se esperar. O refrão, jungido a ótimos riffs de guitarra e camadas de teclado, é daqueles que "colam" na mente desde a primeira audição. Os solos de guitarra são melódicos e muito bonitos. Intensidade seria a palavra mais justa e autoexplicativa para descrever "Hymns For The Broken". Eis uma pérola que já nasceu clássica!

As três últimas faixas apenas reforçam o quão inspirado e mágico o conjunto soou até o momento. "Missing You" é uma belíssima e comovente balada, com atuação tocante de Tom S. Englund. Sendo a de maior duração do play, "The Grand Collapse", começa com camadas de teclado fascinantes e envolventes, logo dando espaço para riffs pesados de guitarra. Difícil explicar a atmosfera épica, sombria e intensa que permeia todo o tema, sem correr o risco de soar deveras simplista e clichê. Os já mencionados riffs de guitarra são muito fortes, culminando em uma parede sonora poderosa. Há belas camadas de teclado em todo o seu decorrer. Sim, caro (a) leitor (a), pode apertar o repeat do seu aparelho de som sem dó! A próxima e segunda mais longa, "The Aftermath", tem uma aura pink floydiana, o que faz sentido, já que Tom S. Englund descreve David Gilmour como a sua principal influência e inspiração. É aquela canção que fará com que os pelos do seu braço se arrepiem em vários momentos, tamanha a carga emocional e sentimentalidade. Que timbre vocal maravilhoso! As camadas de teclado são elegantes, para variar, dando um "tempero" a mais ao conjunto da obra. A faixa parece ter menos de dois minutos tamanha a sua intensidade e sensibilidade. Fecha com "chave de ouro" esse magnificente trabalho! Uma verdadeira e genuína obra-prima musical, sem sombra de dúvida!

A audição do álbum na íntegra é mais do que indicada e obrigatória, não apenas para os seguidores e fãs, mas para todos que apreciem bandas que se reinventam disco após disco, sem medo de arriscar e experimentar novos elementos e ares musicais! Vida longa a Tom S. Englund e a sua trupe e que continuem nos brindando com mais trabalhos dessa estirpe e classe por muitos e muitos anos! Altamente recomendado! Seguramente figurará na lista de melhores do ano!

Confira o videoclipe oficial do single "King Of Errors":

Formação atual:
Tom S. Englund – Vocal e guitarra
Rikard Zander - Teclado
Johan Niemann – Contrabaixo
Henrik Danhage – Guitarra
Jonas Ekdahl – Bateria

Faixas:
1 – The Awakening
2 – King Of Errors
3 – A New Dawn
4 – Wake A Change
5 – Archaic Rage
6 – Barricades
7 – Black Undertow
8 – The Fire
9 – Hymns For The Broken
10 – Missing You
11 – The Grand Collapse
12 – The Aftermath


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Sobre Felipe Cipriani Ávila

Headbanger convicto e fanático, jornalista (graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC Minas), colecionador compulsivo de discos, não vive, de modo algum, sem música. Procura, sempre, se aprofundar no melhor gênero de música do mundo, o Heavy Metal, assim como no Rock'n'Roll, de um modo geral, passando pelo clássico, pelo progressivo, pelo Hard setentista e oitentista, e não se esquecendo do Blues. Play It Loud!

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