Cachorro Grande: Uma fase boa para experimentações exóticas

Resenha - Costa do Marfim - Cachorro Grande

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Por Fábio Cavalcanti
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Nota: 7

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O que poderia surgir de uma parceria entre a banda gaúcha Cachorro Grande e o produtor excêntrico Edu K? Até mesmo quem conhece bem som da banda, já poderia ter certeza de uma coisa a respeito do novo álbum do grupo: experimentações exóticas e "dorgas", cara, "dorgas" das grandes no som do "Big Dog"...

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Após quatro álbuns de um rock 'n' roll sempre misturado a certas influências de pop/rock retrô e brit rock (de Beatles a Oasis, só pra ficar nas bandas mais óbvias), o Cachorro Grande resolveu dar um passo além nos álbuns "Cinema" (2009) e "Baixo Augusta" (2011), o que marcou o início de uma fase de mudanças mais significativas entre cada trabalho do grupo. Tal proposta culminou em "Costa do Marfim", objeto da resenha em questão.

Pela primeira vez na história de Beto Bruno (vocal), Marcelo Gross (guitarra) e sua competente trupe, a dificuldade de dissecar um álbum do grupo na primeira audição se torna aparente. De toda forma, os 11 minutos da canção de abertura "Nós Vamos Fazer Você Se Ligar" dão o tom eletrônico/psicodélico que permeia boa parte do disco. E, como sempre, o ouvinte poderá deixar de lado qualquer necessidade de analisar as letras "nada com nada" típicas dos caras.

Músicas como "Nuvens de Fumaça", "Eu Não Vou Mudar" e "O Que Vai Ser" trazem um delicioso sabor de guitarras 'noise' em cima de batidas dançantes que lembram uma mistura de rock industrial com uma espécie de indie rock puxado por loops de bateria. Destaque para "Crispian Mills" e "Use o Assento para Flutuar", duas pérolas de psicodelia eletrônica e etérea que nos remetem logo ao som do Primal Scream.

O lado "pop" do álbum é representado pelo razoável single "Como Era Bom", um retorno meio torto à antiga essência da banda. E aproveitando o gancho para falar dos pontos mais fracos do disco, podemos acrescentar à lista a insossa "Eu Quis Jogar" e a altamente louca "Torpor Partes 2 e 5", com suas recitações non-sense e seus 8 minutos que se mostram mais demorados do que enterro de gente rica.

O fato é que o Cachorro Grande se encontra em uma fase boa para experimentações, visto que a "seca prolongada" do rock nos últimos anos se mostrou propícia à atividade de "atirar para todos os lados", a fim de ver o que é que pode dar certo... E se bandas como o Capital Inicial erraram feio em novas investidas (leia aqui), o Cachorro Grande conseguiu ao menos um resultado digno em seu novo trabalho. Dê suas tragadas e curta essa viagem peculiar a uma "Costa do Marfim" fictícia e comandada pelo nosso "Big Dog"...

Escute o álbum completo ou suas músicas de destaque:

Músicas:
1. Costa do Marfim (vinheta)
2. Nós Vamos Fazer Você Se Ligar
3. Nuvens de Fumaça
4. Eu Não Vou Mudar
5. Crispian Mills
6. Use o Assento para Flutuar
7. Como Era Bom
8. Eu Quis Jogar
9. Torpor partes 2 & 5
10. O Que Vai Ser
11. Fizinhur (vinheta)




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Sobre Fábio Cavalcanti

Baiano, sempre morou em Salvador. Trabalha na área de Informática e ¨brinca¨ na bateria em momentos vagos, sem maiores pretensões. Além disso, procura conhecer novas - e antigas - bandas dos mais variados subgêneros do rock. Por fim, luta para divulgar, sempre que possível, o pouco conhecido cenário rocker da tão sofrida ¨Terra do Axé¨.

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