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Resenha - Blind Rage - Accept

Por Felipe Cipriani Ávila
Em 02/09/14

Nota: 10

E a lenda do Heavy Metal tradicional germânico retorna com toda a garra e fúria, como o próprio título do novo trabalho deixa bem explícito. "Blind Rage", décimo quarto álbum de estúdio do Accept, lançado no dia 15 de agosto via Nuclear Blast e produzido pela terceira vez pelo renomado produtor do momento Andy Sneap (Megadeth, Exodus, Kreator, Testament), soa extremamente inspirado! Com uma sonoridade mais calcada em clássicos da década de oitenta tais como "Balls To The Wall" (1983) e "Metal Heart" (1985) do que seus antecessores, temos um quinteto afiado e coeso, com um entusiasmo e paixão que desbancam facilmente muitas bandas jovens. Sendo o terceiro de estúdio após o retorno às atividades em definitivo no ano de 2009, sem contar com o vocalista original Udo Dirkschneider, é também o terceiro com o já totalmente integrado Mark Tornillo.

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Após o segundo hiato do conjunto (entre os anos de 1997 e 2005), já que o primeiro ocorrera entre 1989 e 1992, a banda retornou em 2005 após uma pequena turnê de verão europeia com a formação clássica. A turnê foi um grande sucesso, de modo que logo surgiram rumores de uma reunião de retorno. Entretanto, o vocalista Udo Dirkschneider logo tratou de "tirar o seu nome da reta", afirmando que não faria parte desta e estava muito ocupado com a sua carreira solo. Os rumores se mostraram realmente verdadeiros e em 2009 a banda retornou às atividades efetivamente, contando com um novo vocalista, o norte-americano Mark Tornillo, advindo da banda TT Quick. Se houve inicialmente receio do público e imprensa especializada quanto ao êxito desse retorno, já que não contava com o icônico e singular Udo Dirkschneider, este logo se tornou inexistente no dia 21 de maio do ano seguinte, com o primeiro single/vídeo do vindouro álbum "Blood Of The Nations", "Teutonic Terror". Lançado no dia 20 de agosto, "Blood Of The Nations" se tornou sucesso instantâneo, com uma sonoridade forte, poderosa, impactante, fiel às raízes, mas ainda assim atual e contemporânea. O recém-integrado vocalista Mark Tornillo se mostrava muito à vontade e desenvolto no posto, com linhas vocais que remetiam ao seu antecessor, mas que ao mesmo tempo se mostravam bem diversificadas e próprias, logo caindo na graça dos fãs e com performances ao vivo de tirar o fôlego. O disco posterior, "Stalingrad", lançado no dia seis de abril de 2012, teve uma recepção bem similar, sendo também muito ovacionado pelos fãs e crítica mundo afora. Era bem evidente após a audição dos novos discos de estúdio e visível nos palcos que a banda estava mais viva do que nunca, sedenta por muito peso e paixão. O recém-lançado "Blind Rage" veio apenas para reforçar tudo isso, com um material ainda mais calcado na época clássica do grupo.

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A faixa de abertura do álbum e primeiro single/vídeo, "Stampede", entusiasma até o mais ávido fã, por conter todas as características marcantes e ímpares da sonoridade do grupo. Com uma introdução melódica e harmônica, esta logo fica bem enérgica e vigorosa, com riffs de guitarra marcantes e pungentes da dupla Wolf Hoffmann/Herman Frank. O vocalista Mark Tornillo dá uma aula de interpretação, com ótimas e eficazes linhas vocais. A cozinha formada por Peter Baltes e Stefan Schwarzmann também é mais do que digna de elogio, soando magnífica e em plena forma. Seria deveras injusto e incoerente não mencionar o solo épico de Wolf Hoffmann, numa verve bem neoclássica e de um brilhantismo e sensibilidade ímpares. O trabalho já começa muito forte, como bem pode ser observado, conclamando todos a erguer os braços e a "maltratar" os respectivos pescoços!

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Eis que somos agraciados com um tema cuja sonoridade nos remete prontamente à época gloriosa e mágica da década de oitenta. "Dying Breed" é uma ode a grandes nomes e heróis do Rock’n’Roll e Heavy Metal, com referências diretas a lendas como Saxon, Rainbow, Judas Priest, Black Sabbath, Jimi Hendrix, Motörhead, Deep Purple, AC/DC, etc. E a lista não acaba por aí! Preste bem atenção na letra, caro leitor, para identificar outros pesos pesados!

A terceira faixa, "Dark Side Of My Heart", poderia figurar tranquilamente em qualquer registro clássico do grupo. O seu início já é bem enérgico e intenso, variando no seu decorrer entre momentos mais cadenciados e outros mais pesados, com linhas vocais cativantes e brilhantes de Mark Tornillo. O refrão é épico e emocionante. Não se espante se apertar o "repeat" do seu aparelho de som involuntariamente. Num direcionamento mais cadenciado, mas não menos intenso e pesado, temos "Fall Of The Empire", com ponte e refrão memoráveis e muito bem compostos. O trabalho dos guitarristas Wolf Hoffmann e Herman Frank é excepcional. Aliás, que time entrosado e fantástico! Mark Tornillo parece fazer parte do grupo não desde 2009, mas há mais de vinte anos! Os solos de guitarra presentes no tema são inspirados e grudentos, bem baseados na velha escola clássica do gênero que o próprio Accept ajudou a criar e aperfeiçoar.

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Por outro lado, "Trail Of Tears" já começa veloz, com o "pé fundo no acelerador" e melodias mais do que aprazíveis, que só poderiam ter sido compostas por uma banda da estirpe e tradição do Accept. É um tema que provavelmente emocionará a todos os seguidores do grupo e do Heavy Metal de um modo geral, pois contêm todos os ingredientes mágicos e característicos do gênero. Mark Tornillo novamente tem atuação soberba, com vocais muito extasiantes e bem encaixados. No seu decorrer se comprova o quanto o Accept influenciou e continua a influenciar uma gama de bandas do que se convencionou chamar de Power Metal. Acelerada, intensa, empolgante, épica e brilhante!

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Com uma bela e envolvente introdução acústica, somos brindados pela fascinante e emocional "Wanna Be Free". A ponte e o refrão desta beiram à perfeição, e mostram o quão diversificado e dinâmico é o vocal de Mark Tornillo. Tudo isso acompanhado de backing vocals que engrandecem tudo ainda mais! Diferentemente da anterior, "200 Years" já se inicia vigorosa e bem pesada, num direcionamento bem clássico, como logo se nota. Não há momento de calmaria, sendo que do seu início até o seu final temos um tema bem forte e poderoso. Os solos de guitarra são muito bonitos, melódicos e repletos de sentimento. A sua conclusão mostra bem o quão potente é o vocal de Mr. Tornillo, provando que ele foi mais do que uma escolha acertada para substituir Udo Dirkschneider!

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Embora tenha introdução acústica, "Bloodbath Mastermind" logo se intensifica e fica mais enérgica, mantendo a imponência e peso da sua precedente. Com solos de guitarra arrasadores, característicos e fantásticos, possui um refrão direto, empolgante e forte. Enquanto que "From The Ashes We Rise" tem início inspirado no Blues, mostrando o quanto este gênero permanece influenciando diversos grupos. As melodias vocais e instrumentais são muito empolgantes, emocionais e épicas! Tanto a ponte quanto o refrão são muito sólidos, daqueles que ficarão memorizados na mente do ouvinte desde a sua primeira audição!

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As duas últimas faixas do trabalho mantêm o bom gosto e emoção no mais alto nível. "The Curse" é épica e extraordinária, sendo que é praticamente impossível não se envolver prontamente por ela! O seu instrumental é deslumbrante, assim como as precisas e inspiradas linhas vocais. Em suma, uma canção majestosa! "Final Journey" já mostra imediatamente para o que veio, com muito peso, vigor e poder de fogo! Há um trecho do longo solo de Wolf Hoffmann que provavelmente soará bem familiar para boa parte dos ouvintes. Este foi na verdade baseado no primeiro ato de uma peça erudita composta originalmente pelo compositor e pianista norueguês Edvard Hagerup Grieg (um dos mais famosos do período romântico), sendo parte da sua suíte Peer Gynt. Intitulado em inglês "Morning Mood", este ato descreve o nascimento do sol, sendo provavelmente umas das passagens mais conhecidas da obra do norueguês. O guitarrista conseguiu captar perfeitamente a emoção e delicadeza da original, encaixando-a perfeitamente no contexto da música em questão.

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Aliás, o guitarrista Wolf Hoffmann merece com toda justiça um paragrafo à parte. O que impressiona neste não é apenas a destreza, habilidade e técnica ao executar o seu instrumento, mas principalmente a emoção e paixão que imprime em cada nota tocada. Os solos de guitarra do Accept sempre foram muito bem trabalhados, mas também muito característicos e peculiares, complementando as músicas e não soando apenas como meros exibicionismos. Juntamente com seu eterno companheiro de luta, o contrabaixista Peter Baltes, compõe temas expressivos, poderosos e que ficarão marcados para toda a posteridade, sem sombra de dúvidas. E os contidos no álbum analisado apenas reforçam a sua relevância como músico e compositor.

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A versão limitada deluxe do álbum conta com um excepcional show gravado em Santiago, no Chile, na "Stalingrad Tour", no dia 12 de abril de 2013. Esse registro em vídeo mostra o quanto o conjunto está afiado e entrosado ao vivo, com as músicas mais recentes se integrando perfeitamente às clássicas, sendo cantadas também em uníssono pela plateia chilena.

"Blind Rage" é um álbum indicado a todos os fãs e seguidores do Heavy Metal, independente de subgêneros. Temos aqui um trabalho cuja sonoridade consegue ser clássica e tradicional, mas também atual, renovada e contemporânea, sem soar datada. É difícil descrever a emoção de se ter em mãos um material com conteúdo tão rico e impactante, que certamente mantêm a integridade e honestidade dos alemães intacta, não fazendo feio em comparação aos clássicos. Resta-nos aguardar o anúncio da próxima turnê sul-americana do conjunto para que sejamos agraciados com mais uma performance formidável e sensacional do grupo em terras tupiniquins! Não perca mais tempo e corra imediatamente atrás da sua cópia física ou digital!

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Confira o videoclipe oficial do single "Stampede":

Formação da banda:
Mark Tornillo – Vocal
Wolf Hoffmann – Guitarra
Herman Frank – Guitarra
Peter Baltes – Contrabaixo
Stefan Schwarzmann – Bateria

Faixas:
1 – Stampede
2 – Dying Breed
3 – Dark Side Of My Heart
4 – Fall Of The Empire
5 – Trail Of Tears
6 – Wanna Be Free
7 – 200 Years
8 – Bloodbath Mastermind
9 – From The Ashes We Rise
10 – The Curse
11 – Final Journey


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Sobre Felipe Cipriani Ávila

Headbanger convicto e fanático, jornalista (graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC Minas), colecionador compulsivo de discos, não vive, de modo algum, sem música. Procura, sempre, se aprofundar no melhor gênero de música do mundo, o Heavy Metal, assim como no Rock'n'Roll, de um modo geral, passando pelo clássico, pelo progressivo, pelo Hard setentista e oitentista, e não se esquecendo do Blues. Play It Loud!

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