Accept: Um trabalho forte que possui a marca registrada da banda
Resenha - Blind Rage - Accept
Por Fabio Reis
Postado em 19 de agosto de 2014
Com toda certeza, um dos lançamentos mais aguardados do ano é este novo trabalho do Accept. Desde seu retorno, o veterano grupo alemão lançou dois grandes álbuns, "Blood Of The Nations" (2010) e "Stalingrad" (2012). Duas obras de excepcional qualidade e que não decepcionaram os fãs mais antigos como também conquistaram uma safra de novos ouvintes.
Os dois registros possuem todas as características marcantes da banda e o fato do ex-vocalista, o carismático UDO Dirkchneider, não ter aceitado participar da reunião, acabou por não fazer muita diferença. Mark Tornillo assumiu muito bem o papel e possui um timbre de voz muito parecido com o de seu antecessor. O Accept soou renovado, com ótimas novas canções, muito fiel as suas raízes e a alta qualidade dos últimos álbuns criaram toda uma expectativa para esta nova empreitada.
"Blind Rage" é um trabalho que acerta na mosca, apesar de mostrar uma banda que não se arrisca em nenhum momento fora de sua sonoridade habitual, contém tudo que um fã quer escutar em um álbum do Accept. No decorrer das 11 faixas, o desfile de composições inspiradas e executadas com extrema paixão e feeling dão a sensação de que o grupo não envelheceu.
Se algumas bandas da velha guarda dão nítidos sinais de cansaço e seus últimos trabalhos não possuem a mesma garra e pique de suas épocas áureas, o Accept a cada álbum mostra que isso não se aplica a eles. O que fica evidente é que de longe, tanto "Blind Rage", quanto qualquer um dos dois trabalhos anteriores, mostram uma banda em alta e que continua numa total ascendência. Mesmo com tantos anos de carreira, estes verdadeiros mestres do metal alemão mostram uma vontade e garra que remete a grupos debutantes.
O novo trabalho se destaca como um todo, possui faixas muito acima da média , com momentos de velocidade e canções diretas como "Trial Of Tears", "Bloodbath Mastermind", "Final Journey" e "Stampede", que abre o álbum e é o primeiro single do registro, possui um vídeo clipe muito bem feito que foi disponibilizado a alguns meses atrás pela banda. As cadenciadas "Fall Of the Empire", "Wanna Be Free", "From The Ashes We Rise" e "The Curse" acertam em cheio e fazem com que o álbum possua uma alternância de ritmos bem agradável.
Além das já citadas, temos "Dying Breed" com um andamento pegajoso (no bom sentido) que vicia desde a primeira audição e faz o ouvinte repeti-la sequencialmente."Dark Side Of My Heart" traz um ar de modernidade e possui um refrão daqueles que ficam na cabeça e "200 Years", na minha opinião, a melhor faixa do álbum, é uma típica música do Accept, com "backing vocals" muito bem encaixados e uma levada que remete a álbuns clássicos da banda.
Um fato que merece ser lembrado e receber todos os louvores, é a competência e versatilidade de Wolf Hoffmann, suas linhas de guitarra são precisas, com características próprias e que primam por manter a sonoridade da banda intacta no decorrer de todos estes anos. Wolf consegue entrar para aquele grupo restrito de guitarristas, que possuem um estilo tão próprio e único, que ouvindo uma música aleatoriamente, com poucos segundos transcorridos e apenas algumas notas ou acordes, já é possível reconhecer quem está tocando.
Esta habilidade nata, faz com que os solos do álbum sejam espetaculares, daqueles que bandas como Iron Maiden, Judas Priest, e o próprio Accept eram especialistas. Solos que não necessitam de "mil notas por segundo" e possuem melodias de fácil assimilação, com muito sentimento e harmonias totalmente contagiantes.
O Accept com "Blind Rage", não nos traz nada de novo e nem de inovador, mas com certeza nos remete a um tempo em que o estilo a cada lançamento, nos trazia um novo clássico. É um trabalho forte, repleto de faixas que empolgam e possui a marca registrada da banda em cada uma das faixas. Pode ser chamado de "mais do mesmo" por muitos, mas como seria ótimo se todas as bandas consagradas, lançassem um álbum tão bom como esse vez ou outra.
Forte candidato a figurar na maioria das listas de melhores do ano. Nas primeiras colocações diga-se de passagem.
Faixas:
1 - "Stampede"
2 - "Dying Breed"
3 - "Dark Side of My Heart"
4 - "Fall of the Empire"
5 - "Trail of Tears"
6 - "Wanna Be Free"
7 - "200 Years"
8 - "Bloodbath Mastermind"
9 - "From the Ashes We Rise"
10 - "The Curse"
11 - "Final Journey"
Integrantes:
Mark Tornillo (Vocal)
Wolf Hoffmann (Guitarra)
Herman Frank (Guitarra)
Peter Baltes (Baixo)
Stefan Schwarzmann (Bateria)
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