Periphery: Resenha do novo EP "Clear"
Resenha - Clear - Periphery
Por Rodrigo Yoshida
Postado em 24 de janeiro de 2014
Antes de tudo algumas considerações sobre a banda e o estilo. O tal do "djent" (muitos torcem o nariz pra dizer que esse não é um estilo) é a moda de hoje no metal, afinações graves, tempos diferentes e quebrados, riffs de guitarra com palm mute característicos do estilo, mas vou deixar para falar disso mais tarde em outro post. A questão é que, como toda moda, o pessoal tem o péssimo costume de gastar o estilo até o talo, surgindo cada dia novas bandas copiando as mesmas fórmulas. Foi assim com o thrash, new metal, metalcore, assim cansando o estilo que é muito bom.
O que se salva disso tudo é que de milhares de bandas surgindo todo dia por aí, algumas se destacam por conseguir se diferenciar, criar sua identidade e não soar característico demais a ponto de ser um xerox musical e com certeza uma dessas bandas é o Periphery, que pra mim é disparada a melhor banda do estilo. O álbum anterior, "Periphery II: This time it’s personal" é excelente, foi um dos que mais ouvi em 2012, chegava a ouvir seguidas vezes de tão bom que achei o nível de composição dele. O Periphery tinha se tornado uma das minhas bandas favoritas desde então.
Então foi com a mesma empolgação que peguei este novo EP. A banda disse que este era um álbum experimental, onde cada membro iria compor uma música, criando assim algo realmente diferente. Eles também disseram que escolheram por não ter uma capa ou encarte. Apesar disso achei sensacional a ideia, deixando o cd com uma cara meio futurística, bem no estilo da banda.
O EP começa com uma introdução de 2 minutos bem interessante, geralmente intros mais longas assim costumam ser chatas, mas se tratando de Periphery, as experimentações que eles fazem caem como uma luva. A sensação ao ouvir o álbum todo é que ele poderia se encaixar no anterior. A produção, timbres e sonoridade em geral é bem parecida e se você deixar tocar um seguido do outro talvez não perceba que o álbum mudou, o que não é uma crítica, apenas um detalhe, acredito que a ideia é que em time que está ganhando não se mexe, rs.
Outro detalhe que é possível perceber é realmente uma "mão" diferente em cada música, dá pra sentir que em cada uma delas a direção tomada é diferente, como sempre com muitas variações e experimentações por todas as músicas. É interessante ouvir e tentar imaginar o que cada membro pensou em compor cada trilha, além de podermos conhecer um pouco mais das características musicais de cada um.
Gostaria de dar destaque a algumas trilhas, mas são tantos detalhes, tantas variações que é até difícil dissecar cada uma das faixas. É um EP que soa legitimamente como Periphery, com todas as suas qualidades e características. Em minha opinião ele não supera a genialidade do Periphery II, justamente por serem parecidos em geral, mas isso não tira o mérito dele, pois é um ótimo álbum que dá pra deixar rolar do início ao fim sem pular alguma música por ser "chata".
Agora fico ansioso para ver qual o caminho a banda vai tomar futuramente. Eles podem simplesmente se manter dentro do mesmo estilo para sempre com medo de se reinventar e ver os fãs tradicionais virarem a cara, assim como aconteceu com várias bandas ou tentar coisas diferentes e quem sabe tirar mais genialidade da cartola. Minha opinião? Músicos com o talento e criatividade deles não conseguem ficar quietos, com certeza vai vir surpresa no próximo álbum, para nossa alegria!
Matéria original publicada no blog Punição Sonora:
http://www.punicaosonora.com.br/periphery-clear-resenha-review/
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