Scorpions: Dando a volta por cima após a saída de Uli Jon Roth
Resenha - Lovedrive - Scorpions
Por Gustavo Debastiani
Postado em 13 de dezembro de 2013
O ano era 1978, o Scorpions vinha ganhando espaço no mundo da música com grandes álbuns lançados na década de 70, junto à Uli Jon Roth. Mas acontece que Uli, principal integrante do Scorpions na década de 70, estava incomodado com o direcionamento musical da banda desde Taken By Force (1977), e mostrava sinais que iria abandonar o barco. Entrando em 1979, o Scorpions ganham a notícia de que teriam de encontrar um novo guitarrista solo, e a pergunta seria: eles dariam a volta por cima? A sua principal atração, um exímio guitarrista que havia levado o Scorpions ao topo, abandonara a banda deixando a dúvida no ar.
Mas a resposta veio a altura. Com a contratação de Matthias Jabs, outro grande guitarrista, libertou o espírito compositor da dupla Schenker e Meine. Com o álbum Lovedrive, lançado em 1979, o Scorpions fez seu primeiro álbum Hard Rock, que seria a porta de entrada (literalmente), para os anos 80, a melhor década da carreira do Scorpions. Este álbum marca a participação do primeiro guitarrista solo do Scorpions e irmão de Rudolf Schenker, Michael Schenker, tocando nas músicas Another Piece of Meat, Coast to Coast e Lovedrive, marca também o primeiro álbum ter a chamada "formação clássica" (Meine, Schenker, Rarebell, Buchholz e Jabs), além da maior atenção a guitarra rítmica e liberta definitivamente as composições de Rarebell, Schenker e Meine.
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O álbum abre com a faixa Loving You Sunday Morning, um dos destaques do álbum, com um riff excelente (o primeiro grande riff de Rudolf Schenker), com um refrão grudento, a voz de Klaus nesta música está verdadeiramente impecável. Loving You Sunday Morning se tornou um grande hit da banda, tendo presença obrigatória nos setlists da banda até hoje.
Another Piece of Meat vem na sequência, composta por Herman Rarebell, com uma letra crua, falando timidamente da turnê que o Scorpions fez no Japão em 1978, o refrão também é grudento e a bateria tem grande participação.
Após duas músicas bem Hard Rock, o primeiro momento calmo do disco, Always Somewhere, uma das baladas mais lindas da década de 70. O ritmo é bom e a letra romântica só dão mais perfeição a música, que fica completa com o refrão, um dos mais marcantes da banda. Recomendo sua versão acústica, do álbum Amazônia: Live in The Jungle, onde o refrão é entoado por todos dentro do estádio, simplesmente lindo. Está também é um dos pontos altos dos discos, fazendo com que o ouvinte só tenha mais gosto de seguir em frente escutando as pérolas deste álbum.
Uma música instrumental também está presente no álbum. Intitulada Coast to Coast, mostra Rudolf Schenker se aventurando pela primeira vez na guitarra solo. Tem um ritmo ótimo, e diga-se de passagem, Rudolf Schenker arrebentou, quebrou tudo, numa das melhores músicas instrumentais da história. Nos dias de hoje, ao vivo, Klaus Meine toca a guitarra rítmica ao lado de Jabs, ao invés de Michael Schenker, na época.
Can't Get Enough é a música mais pesada do álbum, é como uma paulada na sua cabeça, mostrando todo o poder e experiência que o quinteto alemão tinha e ainda tem. A letra e crua, o ritmo é rápido e o solo é legal, não deixa a desejar.
Is There Anybody There? vem na sequência, uma das mais belas letras do Scorpions, um ritmo verdadeiramente único, que somente Rudolf Schenker consegue fazer. O refrão é grudento, bem grudento, com uns bons arranjos de Jabs no meio da música, que acrescentam o que falta para a música ser, na minha opinião, a melhor do álbum. O solo é criativo, mostrando o talento de Jabs e tirando qualquer dúvida de sua entrada no Scorpions. O destaque da música vai para o trio Jabs, Rudolf e Meine, com arranjos e solo, ritmo e letra verdadeiramente impecáveis.
Lovedrive, a faixa título do álbum, é de um estilo como Another Piece Of Meat, muito boa, com um refrão muito pegajoso, um ritmo legal, e com um solo no final da música muito bom, o melhor solo do disco.
A última música, Holiday, é o maior sucesso do disco, como um "Grande Finale". O ritmo é perfeito, o solo de introdução é lindo, a letra fala para você levar uma vida um pouco menos despreocupada, precisando de um feriado. No começo ela é calma, com o melhor ritmo do álbum na minha opinião, mas no meio ela explode, com a grudenta frase "Longing for The Sun", que já me peguei cantando várias vezes.
Eu recomendo para todos os fãs da banda ou de Rock n' Roll, um ótimo álbum da década de 70 que é muito pouco lembrado em listas de "Melhores álbuns ou músicas". Se Uli Jon Roth achou que o Scorpions acabaria ali, com sua saída, estava muito enganado, se ferrou bonito.
O destaque do álbum, em minha opinião, vai para Rudolf Schenker e Klaus Meine, que compuseram um dos melhores álbuns da história da música.
Curiosidades:
*Quando Uli Jon Roth deixou a banda, o Scorpions se viu na difícil tarefa de escolher um guitarrista à altura. Nisso, Herman Rarebell sugestionou a banda em procurar um guitarrista na Inglaterra, visto que as melhores bandas de rock vinham de lá e como o Scorpions almejava fama internacional, seria a melhor escolha. Mas ele estava enganado. Depois de testarem 178 guitarristas de lá acabaram escolhendo Matthias Jabs, que por incrível que pareça era conterrâneo do Scorpions e foi indicado por Zeno, irmão de Uli.
Fonte da curiosidade: Scorpions Brazil
Lançamento: 25/02/1979
Gravação: Setembro de 1978 à Dezembro de 1978
Gênero: Hard Rock
Duração: 35 minutos e 30 segundos
Gravadora: Harvest Records, EMI Music e Mercury Records
Produção: Dieter Dierks
Premiações: Disco de ouro no Japão, França, Estados Unidos e Alemanha
Faixas:
1. Loving You Sunday Morning - 5:36
(Schenker/Meine/Rarebell)
2. Another Piece of Meat - 3:30
(Schenker/Rarebell)
3. Always Somewhere - 4:56
(Schenker/Meine)
4. Coast to Coast - 4:42
(Schenker)
5. Can't Get Enough - 2:36
(Schenker/Meine)
6. Is There Anybody There? - 4:18
(Schenker/Meine/Rarebell)
7. Lovedrive - 4:49
(Schenker/Meine)
8. Holiday - 6:22
(Schenker/Meine)
Créditos:
Vocal: Klaus Meine
Guitarra Rítmica: Rudolf Schenker
Guitarra Solo: Matthias Jabs
Bateria: Herman Rarebell
Baixo: Francis Buchholz
Guitarra: Michael Schenker (solo em 2 e 7 e rítmica em 4)
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