Matérias Mais Lidas

imagemTravis Barker, do Blink-182, é hospitalizado às pressas e filha pede orações

imagemCuecão de couro: Rob Halford posa com suas "great balls of fire" em camarim

imagemVeja diz que David Coverdale só passa vergonha nas redes sociais

imagemKerry King explica por que não assumiu o posto de guitarrista do Megadeth

imagemQuando Jimi Hendrix chamou Eric Clapton para subir no palco e afinar sua guitarra

imagemIggor Cavalera diz que reunião da formação clássica do Sepultura seria incrível, mas...

imagemMike Portnoy e a música do Rush que virou um grande sucesso do Guns N' Roses

imagemA fundamental diferença entre Paulo Ricardo e Schiavon que levou RPM ao fim

imagemA resposta de John Lennon quando perguntado se retornaria aos Beatles em 1975

imagemNergal diz que Behemoth é mais que anti-religião e emociona-se com LGBTQ e aborto

imagemSammy Hagar conta como uma Ferrari fez ele entrar para o Van Halen

imagemSlash explica por que rejeitou Corey Taylor no Velvet Revolver

imagemO clássico dos Paralamas que Gilberto Gil escreveu a letra e ditou pelo telefone

imagemCinco álbuns que serão lançados no segundo semestre de 2022 e merecem a sua atenção

imagemCinco músicas que são covers, mas você acha que são as versões originais - Parte 2


Stamp

Saxon: Agraciando um disco que não foi tão agraciado

Resenha - Innocence Is No Excuse - Saxon

Por Ronaldo Celoto
Em 05/12/13

Nota: 9

A inocência jamais será desculpa para justificar qualquer ato tido como contrário ao que se espera. Mas a ousadia, sim, esta sempre será um atributo a ser considerado quando uma banda que entrava nos anos oitenta para tornar-se, ao lado do IRON MAIDEN, as duas lendas do NWOBHM - New Wave Of British Heavy Metal, de repente, assina com uma grande gravadora, e, vê-se obrigada a modificar um pouco a sua sonoridade mais do que peculiar, e, assumir os requintes do hard rock então pulsante. Mas quem disse que não havia ousadia por detrás da aparente inocência da sonoridade que o SAXON iria conceber?

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Nascia então, o clássico ¨Innocence Is No Excuse¨, massacrado por muitos fãs radicais, mas que hoje, ouvido com mais paciência, pode ser muito bem compreendendo como um clássico, devido às mudanças históricas das sonoridades da maioria das bandas, mudanças estas exigidas pelas próprias gravadoras, que tentavam fazer a Europa soar igual aos Estados Unidos e sua incendiária Los Angeles. Obviamente, sem muito sucesso. Mas, que deixou como registro alguns clássicos como esta obra dos lendários defensores das lendas e conquistas dos saxões.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

O disco abre com o chamado de um teclado, substituindo os tradicionais gritos de batalha (presentes no ótimo "Crusader" e aclamados em "Strong Army Of The Law" e "Power and the Glory"), dando início à harmonia melódica de "Rocking Again", onde o vocalista BIFF BYFFORD conclamava: "I'm standing in the dark/Let the music start/I can hear you call out my name", para avisar que, faça chuva ou faça Sol, todos estarão juntos ao som do bom rock pesado, todos estarão "rocking again". Sim, apesar das críticas que esperavam um furacão sonoro e veloz, o SAXON simplesmente teve coragem de dizer a todos que, independente do que eles estivessem a ouvir, a alma da banda lá estava, com refrões mais populares, guitarras mais sintetizadas ou menos "heavy metal", como alguns críticos de botequim disseram na época.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Não, eu não vou culpá-los neste disco. Ao contrário, a resenha que agora faço é uma homenagem à mudança convertida pelo SAXON, à ousadia, mesmo que forçada, mas que trouxe, pelo menos neste disco, momentos ainda maravilhosos. Os álbuns seguintes são mais fracos, até o grande retorno deles, com a sonoridade tradicional, e, clássicos fabulosos, como "Unleash The Beast", "Into The Labyrinth", "Inner Sanctum", "Call To Arms", "Sacrifice" e demais novas pérolas.

A segunda faixa abre com guitarras cavalgadas, mas, o embrião esperado da bateria não arranca, e, a batida continua com o hard rock tradicional, com as guitarras Jackson de PAUL QUINN e GRAHAM OLIVER voando alto numa sonoridade ritmica que lembra alguns trechos feitos pelo ACCEPT, por exemplo. E assim, chega aos ouvidos de todos a bela "Call Of The Wild", com refrão similar ao que, por exemplo, o DEF LEPPARD já fez, mas sem perder a identidade dos queridos saxões.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

"Back On The Streets" flerta com o pop assumido de Los Angeles do início ao fim, passando pelos backing vocais e toda a tentativa do videoclipe em transformar os tímidos britânicos em rapazes que chegam e causam pelas estradas em um caminhão, ao lado de belas tietes. Não é algo que me agrada muito em termos de SAXON, mas a música foi sucesso, de uma forma até então inesperada.

"Devil Rides Out" também é hard ao extremo, com belo riff de guitarra e pegada forte no baixo de STEVE DAWSON e na bateria de NIGEL GLOCKLER. O refrão? Bom, o refrão é exatamente o que se pode esperar para uma canção cuja letra diz: "Cast your spell in the night/Black hearted woman mystifies/Heart of stone cold as ice/Play the cards roll the dice". Sim, é uma canção sobre uma mulher específica, algo não muito comum nas letras deles. Mas, em se tratando de uma banda que redefiniu a linha e a sonoridade um pouco mais pesada na Inglaterra, ao lado (como eu disse) do IRON MAIDEN, eles não fizeram feio.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

A quinta faixa traz o segundo melhor refrão do disco (o melhor viria na canção seguinte). Trata-se de "Rock and Roll Gypsy", harmoniosa, ótima de se ouvir, e, com sonoridade inicial (nos primeiros instantes apenas) característica de, por exemplo, algo que o DEF LEPPARD já havia feito nas canções "Switch 625" e "Let It Go" do ótimo disco "High and Dry", mas logo em seguida convertida novamente (antes que alguém me xingue por fazer referências a outro grupo) à identidade da banda, algo que eles conseguiram manter de forma competente, sem copiar outros grupos famosos da época. Pessoalmente, eu adoro esta canção.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

E enfim, a inocência conhece o seu maior e mais magnífico emblema: a canção "Broken Heroes", maior de todos os hinos da década em homenagem às vítimas do Vietnã, engolidas e massacradas pela propaganda norte-americana que recrutava almas para enterrá-las. Nesta canção, BYFFORD e sua trupe fizeram o que já deviam ter feito muito antes; eles disseram: - nós somos ingleses... e nós estamos aqui para reivindicar o nosso direito de colonizadores !!!

Sim, pois literalmente a música "Broken Heroes" massacra a ideologia americana da guerra e proclama aos verdadeiros heróis o direito de terem ouvidos os seus gritos por justiça. Digo, sem medo, que esta canção está entre as dez melhores músicas dos anos oitenta. Impecável, dantesca, e, fabulosa !!! Até hoje, ouvi-la me emociona e me remete aos patamares da mais alta e louvável justiça divina para aqueles que realmente merecem, e, não para os governantes sujos, hipócritas e nefelibatas.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Nunca me esquecerei (ainda bem) da primeira estrofe da canção, que diz: "They came to fight for glory in their thousands/Young men with their dreams/They died before the guns for their country/A book of faded pictures, broken dreams"...E do refrão seguinte, onde simplesmente, todos em uníssino perguntam: "Where are they now???".

Pausas feitas, abro asas para o doce respirar de alguém que não ouvia esta música há muito tempo, e, se emocionou agora, ao ouvi-la novamente. Mas é preciso continuar. E lá vamos com a faixa seguinte: "Gonna Shout", um exercício do SAXON antigo, mas ousando ser glam, com toques de hard e androginia, e, o efeito não é dos melhores. Mas, também não é ruim. O refrão retoma a banda à posição que sempre foi sua, antes mesmo deste trabalho: - a de conquistadores!!! Sim, pois o povo saxão, bem sabem os historiadores, reivindicavam a Britânia pura, um território inteiro que carecia do resgate de sua identidade e de sua cultura!!!

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

"Everybody Up" tem um belíssimo riff de guitarra, e, a banda parece estar de alguma forma, deixando as exigências contratuais à parte e tentando voltar a ser SAXON, como de costume. Quase, quase chega lá. É como se o caminhão do videoclipe "Back On The Streets" ficasse sem combustível a um quilômetro do posto de gasolina mais próximo.

"Raise Some Hell" faz a engrenagem deste caminhão (pedindo licença à metáfora) começar a se mover novamente, tem a cavalgada peculiar muito bem desenvolvida por guitarristas como RITCHIE BLACKMORE na fase RAINBOW ou MICHAEL SCHENKER na fase UFO. E tem um bom refrão, um grande riff, e, um belo solo de guitarra.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

E o final, sim, eles conseguem, ao menos por minutos, fazer os fãs reviverem a identidade saxônica: "Give It Everything You've Got" é uma faixa que deveria estar em "Cruzader" ou "Power and the Glory". É o SAXON na fase mais pura e direta, mesmo que pareça mais uma diversão ao estilo "party" que eles resolveram fazer para desfecho da obra, mas o fato é que ela diz aos fãs mais raivosos, que ouviram o disco e estavam preocupados com os rumos da banda: - relaxe, nós ainda somos o SAXON!!!

Mas, anos depois, a banda acabou por ser um pouco engolida pelos modismos de outras épocas, até renascer de forma grandiosa em novos e brilhantes discos, cujas resenhas já foram muito bem descritas por alguns fãs neste próprio site.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

A mim, coube a difícil missão de, como observador e ouvinte, agraciar um disco que não foi tão agraciado, mas que hoje, décadas depois, pode ser muito melhor compreendido por todos. Enfim, a inocência foi toda dissecada. Ame-a ou não, o fato é que todos nós temos um pouco de inocência e malícia dentro de nossas almas. E, morder a maçã da vida é algo que ninguém jamais dirá que não tem vontade de fazer. Pois, a maçã foi mordida e o disco, a meu ver, foi aprovado!!!

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

publicidade
Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva
Siga Whiplash.Net pelo WhatsApp

Grandes bandas em atividade: Yes, Saxon, Status Quo e Marillion (vídeo)



Câncer na língua: entenda a doença de Bruce Dickinson


Sobre Ronaldo Celoto

Natural do Estado de São Paulo, é escritor, professor, poeta e consultor em direito, política e gestão pública. Bacharel em Direito, com Mestrado em Ciência Política, atualmente cursa Doutorado em Direito, Justiça e Cidadania pela Universidade de Coimbra. Além destas atividades, dedica diariamente parte de seu tempo à pesquisa e produção de artigos científicos, contos, romances, matérias jornalísticas, biografias e resenhas. Seus interesses pessoais são: cinema, política, jornalismo, literatura, sociologia das resistências, ética, direitos humanos e música.

Mais matérias de Ronaldo Celoto.